Nenê fala sobre a má fase do Denver, que perde a terceira seguida com Artest liderando Houston

Publicado em: CAPA, Conferência Oeste, Extraquadra, Multimídia, NBA
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10/03/2009 | 8:52

Publicado por Paulo Roberto

Depois de perder a liderança da Divisão Noroeste para Utah Jazz e Portland Trail Blazers (empatados com 40V-23D), o Denver Nuggets continua ladeira abaixo e sofreu sua terceira derrota consecutiva, a oitava nos últimos 11 jogos, ao perder em casa para o Houston Rockets por 97 a 95 (45 a 40 no intervalo). O pivô brasileiro Nenê também perdeu a liderança do ranking de aproveitamento de ataque na NBA para Shaquille O´Neal ao errar 11 em 15 arremessos de quadra, ele terminou o jogo com 10 pontos, oito rebotes, duas assistências, dois roubos de bola e um toco antes de ser eliminado com seis faltas após 38min26s de ação. O armador Chauncey Billups foi o cestinha da partida com 28 pontos e cinco passes para cesta pelo Denver (40V-25D), mas o ala Ron Artest comandou um melhor esforço coletivo do Rockets (42V-23D) com 22 tentos e seis rebotes na 11ª vitória da equipe texana em 13 jogos desde que foi anunciada a ausência do astro Tracy McGrady do restante da temporada por causa de uma lesão no joelho. Nenê diz que os problemas no momento são muitos e ainda tem o fato de não estar totalmente recuperado de uma contusão no joelho direito.

“É nossa confiança, atitude, tudo, nós não jogamos, não jogamos certo, não jogamos juntos, não encontramos o homem livre, não defendemos. É duro, estamos em um momento difícil agora”, afirmou Nenê ao jornal Denver Post, para o qual explicou um dia antes a situação de seu joelho, o mesmo que o tirou de dois jogos em fevereiro por conta de um arranhão no osso sofrido na partida contra o Milwaukee Bucks. Nos cinco jogos desde seu retorno, as médias do brazuca caíram para 13,2 pontos, 6,8 rebotes e 56,8% de acerto nas finalizações, todas abaixo de suas estatísticas considerando todo o campeonato, e jogar nove partidas em 15 dias não ajudou em nada na recuperação. 

“Está dolorido, vai levar um tempo (para recuperar). São muitos jogos em tão poucos dias. Depois desta (rodada dupla com jogos em noites seguidas), temos dois dias para descansar. Isso vai fazer bem aos corpos de todos os jogadores”, completou Nenê.

“Eu não sei se confiança é a palavra. Nós estamos aí, estamos jogando. Mas seja eu, ou Chauncey (Billups), ou Nenê, quem quer que seja, e algo acontece, é como o peso do mundo em cima de nós. São as derrotas, qualquer hora que você está perdendo jogos é como: “Tenho de fazer isto certo, tenho de acertar este arremesso, tenho de fazer esta jogada”. E se você não faz isso, então é uma… (piiiiii), desculpem minha linguagem. Eu não sei, essa é a parte frustrante, não sabendo o que está realmente acontecendo, não sendo capaz de colocar seu dedo ou apontar algo. Nós todos estamos perdendo, eu não acho que é tempo de apontar dedos para ninguém. Não é necessário. Nós todos estamos perdendo, jogadores e técnicos, nós estamos nisto juntos”, disse o ala Carmelo Anthony após marcar 21 pontos e sete rebotes.

Jogando 24 horas depois de um tropeço contra o eliminado lanterna do Oeste Kings (14V-49D), resultado que derrubou o time para a sétima posição na conferência, Nenê teve de bater de frente com o gigante chinês Yao Ming e não se deu muito bem. O muro asiático de 2,26m anotou 15 pontos, sete rebotes, três tocos e duas assistências em 26min48s de ação antes de também ser excluído da partida com a sexta falta, mas teve uma colaboração preciosa no garrafão dada pelo ala-pivô argentino Luis Scola, maior reboteiro da noite com 15 capturas. Nenê teve um raro jogo de pontaria ruim só acertando quatro finalizações incluindo uma enterrada (aí seu aproveitamento total na temporada caiu para 60%, atrás dos 60,3% de Shaq), converteu dois em quatro lances livres, pegou quatro rebotes defensivos e dois ofensivos, fez duas assistências para cestas do ala campeão olímpico Carmelo, roubou bolas interceptando passes errados de Scola e do armador Aaron Brooks, deu um toco em Yao e foi bloqueado uma vez pelo chinês, desperdiçou uma posse de bola em uma falta de ataque.

No tempo de quadra de Nenê, o Houston marcou 11 pontos a mais que o Denver, pior diferencial defensivo da partida embora o brazuca tenha limitado o impacto ofensivo de Ming, que acertou só cinco em 11 arremessos de quadra e cinco em seis lances livres, enquanto Scola errou cinco em sete finalizações e terminou a partida com apenas quatro pontos, três assistências, um toco e também saiu com seis faltas. Nem mesmo o breve retorno do ala-pivô Kenyon Martin, ainda afetado por dores nas costas, ajudou o Nuggets a sair do buraco, ele contribuiu com seis tentos e sete rebotes. O armador Aaron Brooks foi outro destaque da vitória do Rockets, terceiro colocado do Oeste, com 19 pontos e três assistências. O ala reserva Carl Landry encestou 12.

O Denver chegou a liderar o placar por 10 pontos no primeiro quarto vencido por 27 a 18, mas desperdiçou uma vantagem de dígitos duplos pela terceira vez nos últimos cinco jogos, e o Houston buscou a virada no segundo período com uma parcial de 27 a 13. A diferença chegou a 19 pontos no terceiro quarto ganho pelo Rockets por 29 a 22, mas o Nuggets teve como ponto positivo a reação na etapa final que deixou a conclusão da batalha emocionante com uma cesta de Nenê diminuindo a desvantagem para 92 a 90 faltando 23 segundos. Do outro lado Brooks conectou um em dois lances livres fazendo 93 a 90, Billups errou uma bandeja no ataque seguinte, e Kyle Lowry encestou mais dois lances livres para o Houston a 9,9 segundos do fim. Depois que uma cesta de Billups diminuiu o déficit para 95 a 92, Brooks selou o triunfo acertando dois lances livres e de nada adiantou a cesta de três de uma distância de 11 metros do ala-armador J.R. Smith no último segundo, fechando o placar em 97 a 95. Smith terminou a peleja com 15 pontos e quatro assistências vindo do banco.

“Nós vamos vencer juntos ou perder juntos. Não estou ganhando esta coisa sozinho. Yao não vai ganhar sozinho. Você ou vai vencer com seu time ou perder com seu time. Levou muitos anos para eu entender isso, mas é assim que vai ser”, afirmou Ron Artest.

Já o Denver começa a ver algumas nuvens de tempestade sobre sua cabeça, semanas atrás o time estava na segunda posição do Oeste na parada para o Jogo das Estrelas, e agora caiu para a sétima colocação, mas o técnico George Karl está confiante numa recuperação até o ponto de o time conseguir a vantagem do mando de quadra na primeira rodada dos playoffs, afinal a tabela favorece o Nuggets, com vários jogos contra times inferiores na reta final da temporada.

“Não está chovendo, está simplesmente nublado. As nuvens irão embora, e o sol se levantará novamente”, disse Karl.

Mas quando isso irá acontecer? O melhor é que seja logo na partida em casa contra o eliminado Oklahoma City Thunder (17V-46D) na noite de quarta-feira.

“Eu não acho que haja ninguém nesse vestiário que esteja com medo do desafio que nós temos. É apenas uma fase em que não estamos jogando muito bem há sete, oito partidas. Não vou dar desculpas, mas parece que em alguns momentos há um cansaço mental em nosso time”, completou Karl.

O Nuggets vinha sentindo muita falta do ala-pivô Kenyon Martin (espasmos nas costas) e do armador reserva Anthony Carter (lesão no quadril). K-Mart ficou fora de três partidas e voltou à quadra ontem à noite, mas teve de voltar para o banco no terceiro quarto sentindo que a dor apertou novamente. O status dele é mais uma vez colocado em dúvida para os próximos jogos. O time do Colorado estava contando com o retorno dele para se recompor e ajustar os rumos tanto ofensivamente quanto defensivamente, mas após ficar 24 minutos em quadra sem conseguir grandes números ele saiu da partida em definitivo faltando 4min18s no terceiro período e com o Denver perdendo por 65 a 49.

“Parece que quando ele joga e sai um tempo e tenta voltar à quadra, é mais difícil se soltar. As costas são… Eu era um cara com costas ruins, não é divertido. Você pode estar com espasmos e os médicos não podem dizer o porquê disso. Então no dia seguinte você acorda, desvenda o tratamento e você está bem. Nas costas não é uma lesão boa”, comentou o técnico Karl.

Pouco depois da saída de Martin, Artest meteu uma bola de três que deu ao Houston sua maior vantagem no marcador, 68 a 49. Mas o Nuggets manteve suas esperanças e reagiu aproveitando o fraco aproveitamento do Rockets na linha de lance livre, o time que é o terceiro melhor cobrador de penalidades da liga desta vez só converteu 20 em 35 lances livres, pelo menos encestou os mais importantes no final.

“Isso não é usual. Nós geralmente não erramos lances livres assim”, disse o técnico Rick Adelman.

“Isso é muito estranho. Mas foi nossa culpa, nós estávamos com uma vantagem grande demais. Esse é nosso próximo passo ali, temos de ser capazes de manter um time para baixo. Se nós fizéssemos esses lances livres venceríamos por 10 ou nove pontos”, afirmou Artest.

Martin explicou que suas costas começaram a doer novamente no primeiro quarto, e ele tentou resistir o máximo que pôde. “Eu simplesmente tentei ser durão com isso (dor nas costas). Não respondeu a nada que nós fizemos durante o jogo ou no intervalo. É frustrante”, lamentou o ala-pivô, dizendo que fará um tratamento intensivo nesta terça-feira e tentará novamente jogar amanhã contra Oklahoma City, mas… “Eu só não quero continuar entrando lá e não conseguir terminar os jogos”, adiantou.

Billups disse que nem tudo é baixo astral em Denver, sugerindo que a boa reação no último quarto foi um fator positivo importante nesta derrota para o Houston, que o técnico Karl chamou de resultado aceitável, embora o time tenha sido vaiado pela torcida.

“A não ser por alguns momentos ruins mesmo, eu achei que nós fizemos alguns progressos. A coisa quando você está jogando mal e colocou a si mesmo em um buraco como esse, você não pode simplesmente apertar um botão e acabou. Você tem que trabalhar para sair disso, você tem que melhorar, é um processo”, explicou o armador cestinha da partida, tentando manter o otimismo após o Denver ter igualado sua maior série de derrotas da temporada, o time não perdeu quatro jogos seguidos no campeonato e tem uma boa chance de estancar a queda livre contra o Thunder.

“A ausência de Kenyon Martin, e sua inefetividade quando tenta jogar com problemas nas costas, têm sido um enorme fator. Não o único fator, é claro, mas o maior deles. Com Martin, o Nuggets é um time defensivo sólido. Ele e Nenê dão ao Denver uma das melhores combinações defensivas na liga de ala-pivô e pivô. E sem ele? Com Martin fora da escalação, o Nuggets permite muitas cestas fáceis demais. Eles não são tão duros nem tão físicos sem ele, e os times adversários sabem disso antes de pisarem na quadra. Sim, Martin tem levado sua cota de pancadas porque não pontua o suficiente para um jogador ganhando um dinheiro louco. Mas deem-lhe isto: ele é um dos jogadores mais valiosos do Nuggets, e quanto não está na escalação, eles não são o mesmo time”, analisou a coluna do articulista do Denver Post Jim Armstrong.

“As pessoas esquecem que temos dois de nossos melhores defensores sentados no banco. Não defendemos e não passamos bem a bola. Termos um outro armador na quadra teria ajudado isso. E eu acho que Kenyon e AC (Anthony Carter) são de longe, as pessoas sabem, nossos melhores defensores”, afirmou o técnico Karl depois da derrota em Sacramento.

Confira o vídeo com os melhores momentos de Denver x Houston, incluindo um belo gancho de Yao por cima do camisa 31 Nenê e a última cesta do brasileiro no rebote ofensivo com que o Denver encostou em 92 a 90, mas não conseguiu empatar

Paulo Roberto Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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