Porter não sabe se usa Leandrinho na armação e Nash deve voltar contra Nets, que atropela Utah

Publicado em: Conferência Leste, Conferência Oeste, DESTAQUES, NBA
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30/11/2008 | 9:37

Publicado por Paulo Roberto

Desfalcado do armador-astro canadense Steve Nash, o Phoenix Suns (11V-6D) fez sua pior apresentação na temporada na derrota em casa para o Miami Heat por 107 a 92, tendo como fator positivo apenas a atuação de 20 pontos e cinco assistências do brasileiro Leandrinho na noite de seu aniversário de 26 anos. Jogando na posição 1 (armador) pela primeira vez desde maio e vivendo um momento triste na vida pessoal em virtude da morte de sua mãe, Dona Ivete Barbosa, no último dia 13 de novembro, Leandro jogou muito melhor ali do que os novatos Sean Singletary e Goran Dragic, esloveno que está uma draga só, uma decepção considerando as altas expectativas depositadas sobre ele no draft e na longa negociação para tirá-lo do TAU Cerámica mediante o pagamento de uma milionária multa rescisória. Apesar de os novatos do Suns estarem em fase apagada, o técnico Terry Porter declarou ontem ao jornal East Valley Tribune que não está certo se usará mais Leandro como armador no futuro quando Nash não puder jogar.

Tudo bem que o brasileiro rende muito mais como ala-armador, mas insistir demais com Singletary e Dragic pode ser uma aposta temerária do treinador que já começa a ter seu sistema de jogo contestado pelo ala-pivô cestinha da equipe Amare Stoudemire. Nash está melhorando da contusão na coxa direita que o deixou fora da partida contra o Heat e deve voltar ao time titular neste domingo contra o New Jersey Nets no US Airways Center de Phoenix, às 23h (horário de Brasília). O retorno dele seria providencial, já que o Nets (8V-7D) chega à cidade embalado, com quatro vitórias nos últimos cinco jogos, e na noite deste sábado conseguiu um resultado surpreendente fora de casa, derrotando o Utah Jazz por 105 a 88 (59 a 51 no intervalo) liderado por uma grande atuação do armador Devin Harris com 34 pontos e seis assistências. O ala Vince Carter contribuiu com 22 pontos para a vitória no caldeirão da EnergySolutions Arena de Salt Lake City, onde o Jazz (11V-7D) só havia perdido uma vez em nove jogos anteriores na temporada.

O Phoenix tem ampla vantagem no retrospecto do confronto direto com o New Jersey, tendo vencido 14 dos últimos 19 encontros entre as equipes, o Nets inclusive tenta quebrar um grande tabu no US Airways Center, já são 14 derrotas seguidas na casa do Suns, a última vitória foi no ano de 1993. Os dois times já se enfrentaram nesta temporada em Nova Jérsei, no dia 4 de novembro, e o Suns ganhou fácil por 114 a 86 liderado por 22 pontos do ala-armador Raja Bell, que na ocasião teve 100% de acerto em seis arremessos de três tentados. Naquela noite sete jogadores do Phoenix pontuaram em dígitos duplos e a diferença no placar chegou a 31 pontos, foi um passeio, mas agora a situação é diferente.

Steve Nash não treinou no sábado ainda sentindo dores na coxa, mas disse que espera jogar hoje. Amare Stoudemire também ficou fora do treino de ontem, alegando dores na batata da perna, mas a princípio está confirmado para a partida. Depois das 19 bolas desperdiçadas contra o Miami, o Suns agora é o pior time da temporada em número de bolas perdidas, com uma média de 16,64 turnovers por jogo, e a palavra de ordem para Porter é tomar mais cuidado com a bola e parar de errar passes. Uma atração à parte será o reencontro dos irmãos gêmeos Brook Lopez e Robin Lopez. Enquanto este último, o cabeludo “clone de Anderson Varejão”, está esquentando o banco no Suns, o pivô de cabelo curto Brook se tornou titular do Nets assumindo o lugar do lesionado Josh Boone sete rodadas atrás, e está com boas médias de 15,7 pontos e nove rebotes por jogo desde então. O New Jersey está com o quinto melhor ataque da competição com 100,5 pontos por partida, mas sua defesa permite em média 105,1 pontos, então a expectativa é de um jogo mais franco e aberto neste domingo.

Ontem Devin Harris teve muito espaço para fazer bandeja atrás de bandeja, e quando o Utah tentava parar as infiltrações do armador do Nets, ele cavava uma falta ou passava a bola para um companheiro livre para um arremesso fácil. O New Jersey teve um bom aproveitamento de 52% no ataque (40 cestas em 77 arremessos de quadra) e forçou 19 bolas desperdiçadas do Jazz na sua segunda vitória em três jogos da excursão de quatro partidas que tem sua última parada no Arizona hoje.

“Isso é o que eu faço melhor: atacando a cesta, infiltrando no garrafão e criando algum tumulto. Eu consegui acertar alguns arremessos desde cedo, isso meio que me colocou em um bom ritmo e carreguei isso até o segundo tempo”, comentou Harris.

Uma noite após o Jazz anotar 44 pontos no terceiro quarto contra o Sacramento Kings, o time que liderava a Divisão Noroeste e acabou ultrapassado pelo Denver de Nenê marcou ontem apenas 16 tentos no terceiro período e só 37 no total do segundo tempo contra uma defesa mais combativa do Nets.
 
“Se eles não estão tendo um grande jogo, isso não significa que nós precisamos jogar no nível deles”, disse Harris, que ficou a quatro pontos de igualar seu recorde da carreira.

Além dos 22 pontos de Vince Carter, o Nets contou com a colaboração de 11 tentos do ala-pivô chinês Yi Jianlian mais 10 do ala Bobby Simmons. O Jazz estava sem o ala-pivô All-Star e reserva da seleção americana campeã olímpica Carlos Boozer pelo sexto jogo seguido por causa de uma lesão na coxa e ainda perdeu o ala russo Andrei Kirilenko, que machucou o tornozelo no segundo quarto. Sem o poderio defensivo do AK-47 para incomodar o ataque do New Jersey, a equipe visitante movimentou bastante a bola para conseguir mais arremessos sem marcação e dominou o Jazz em todos os sentidos, levando vantagem nos rebotes, nos pontos dentro do garrafão e na contenção dos contra-ataques.

O ala-pivô Paul Millsap comandou o Utah com 20 pontos e 10 rebotes. Ainda se recuperando da lesão no tornozelo sofrida na pré-temporada, e disputando apenas seu quinto jogo na temporada, o armador campeão olímpico Deron Williams anotou 10 pontos e 13 assistências, e o pivô turco Mehmet Okur contribuiu com 10 tentos e 11 rebotes, mas embora três titulares do Jazz tenham chegado ao duplo-duplo, os reservas somados marcaram apenas 22 pontos e 11 rebotes. D-Will teve uma vida muito mais fácil na sexta-feira, quando venceu o Sacramento por 120 a 94. O técnico setentão Jerry Sloan deu a seus jogadores a manhã de sábado de folga em vez de convocá-los para o habitual treinamento nos dias de jogos, mas depois da derrota questionou sua própria decisão. O Utah fez quatro partidas em casa nesta semana, ganhou duas e perdeu duas, uma marca ruim para o time que teve o melhor aproveitamento da liga como mandante na temporada passada.

“Contra Utah, se você não é o instigador, você não tem chance. Você tem de merecer a vitória e hoje nossas caras fizeram por merecer”, comemorou o técnico Lawrence Frank.

“Nossa tabela é tão banana (moleza), que algo assim, um último treino, não deveria fazer nenhuma diferença. É tudo culpa nossa, simplesmente não aparecemos e não jogamos bem hoje. Foi uma daquelas noites em que não encontramos nosso ritmo e eles cozinharam o jogo”, disse o ala Kyle Korver, autor de 11 pontos para o Jazz. 

O Nets aproveitou a pouca combatividade da defesa do Utah para converter 22 em 39 arremessos de quadra no primeiro tempo, abrindo uma vantagem de oito pontos no intervalo. O Jazz chegou a ser vaiado por sua própria torcida no final do terceiro quarto, depois que uma bola de três de Carter aumentou a diferença para 83 a 67 faltando 22 segundos na parcial. O time da casa foi errático nesse quarto inteiro, acertando apenas seis em 21 finalizações e perdendo o período por 24 a 16 nos pontos e por 17 a 11 nos rebotes.

“O primeiro tempo foi de cara um coquetel para o fracasso. Achei que em algum momento no jogo ganharíamos alguma energia, mas eles simplesmente jogaram mais que nós o tempo todo”, lamentou Sloan.

O ala-armador autor de 16 pontos C.J. Miles até cortou a diferença para 67 a 60 com uma bola de três faltando 7min49s no terceiro quarto, mas Yi Jianlian respondeu na mesma moeda com um triplo e Simmons acertou um arremesso iniciando uma arrancada de 16 a 5 com a qual o Nets colocou o placar fora de alcance, o último quarto foi uma mera formalidade. Mas é importante lembrar que o retrospecto do time de Nova Jérsei em Salt Lake City é melhor do que em Phoenix, nas últimas oito visitas a Utah foram quatro triunfos e quatro derrotas do Nets. Depois do jogo, exames de raio-X no tornozelo de Kirilenko não apontaram nenhuma fratura ou lesão mais séria. O Jazz também já estava desfalcado do ala reserva Matt Harpring, que sofre de fortes dores lombares e vai passar por um exame de ressonância magnética nesta semana. Do outro lado, o ala-pivô Stromile Swift fez sua estréia na temporada pelo Nets após ficar fora dos primeiros 14 jogos por causa de uma lombalgia.

Confira o vídeo com os melhores momentos de Jazz x Nets, dá para ver por que o Suns precisa tomar cuidado com Devin Harris

O New Jersey não deve esperar facilidade logo mais contra o Phoenix, que está sob pressão para se recuperar com um bom resultado em casa. Leandrinho chega com moral após receber diversos elogios por sua melhor atuação individual desde o falecimento da mãe, apesar das críticas gerais ao restante do time.

“O ponto mais brilhante ofensivamente (do Suns contra o Miami) veio de Leandro Barbosa, que contribuiu com 20 pontos acertando nove em 20 arremessos. Foi um bom sinal para o Suns, que recentemente sentiu falta do jogo explosivo do brasileiro saindo do banco. LB não teve apenas um de seus melhores jogos da temporada estragado pela derrota de sexta, mas também seu aniversário. O ex-detentor do prêmio de melhor sexto homem do ano, que completou 26 anos de idade, ganhou um bolo e uma canção de feliz aniversário do companheiro Raja Bell. O Suns buscará uma redenção jogando em casa contra Vince Carter e o Nets no domingo”, foi o comentário no site oficial Suns.com.

“Se houve alguma esperança no quarto período – e provavelmente não houve – ela desapareceu rapidamente nas duas chances. O Suns começou o quarto perdendo por 81 a 70 depois de parar o Miami pelos quatro minutos finais do terceiro quarto. Foi tudo Leandro Barbosa durante essa seqüência, com ele acertando dois em quatro arremessos e sofrendo uma falta de ataque nas últimas seis posses de bola. Mas o quarto período começou com uma bola perdida por Grant Hill quando não foi apitada uma falta em sua infiltração. Terry Porter reclamou e levou uma falta técnica, e a coisa ficou pior com os pontos do Miami em segundas chances quando Joel Anthony sofreu falta depois do rebote de seu próprio chute errado e a vantagem subiu para 14 (o Suns foi batido por uma dupla de pivôs canadenses!). Mais tarde no quarto, eles reduziram a diferença para 99 a 90. Tentaram marcação pressão faltando 2min43s e Udonis Haslem acabou com uma enterrada. Bell perdeu outra bola, Marion fez uma ponte aéreo, e já era o jogo”, escreveu o comentarista Paul Coro em seu blog no AZCentral.com.

“A derrota de ponta a ponta para um time do Miami que tinha perdido por 40 pontos para o Blazers em Portland duas noites antes pode não ser o mais justo bastão de medida, posto que Nash ficou fora com uma contusão na coisa e Leandro Barbosa, já atrás dos demais devido a um extenso tempo de ausência, estava jogando como armador pela primeira vez desde maio. Mas as jogadas individuais no ataque, a total ausência de qualquer ajuda na defesa e o esforço sem emoção para um jogo em casa televisionado nacionalmente – jogos nos quais o Suns agora tem uma “perfeita marca” de 0V-4D nesta temporada – revelam um problema mais profundo”, criticou o jornal Arizona Republic.

“Os caras não estão se divertindo, eu inclusive. Estamos sendo um pouco atingidos pelas expectativas. Precisamos nos preocupar com o processo vindo aqui todos os dias para nos divertirmos jogando juntos e construir um time. Se nós fizermos isso, veremos muita evolução”, comentou Steve Nash.

“Parece que o peso do mundo está sobre nossos ombros quando algo errado acontece em um jogo. Simplesmente não lutamos contra isso, não nos unimos para lutar em meio a essas situações. Você ainda tem de entrar em quadra e parecer que está se divertindo. Nossos caras não parecem estar tendo nenhuma diversão jogando”, concluiu o técnico Porter.

Paulo Roberto Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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