Publicado por Adriano Albuquerque
O armador Brandon Jennings, considerado o melhor armador do basquete de Ensino Médio americano em 2008, está próximo de inovar e, em vez de jogar o basquete universitário nos Estados Unidos, se transferir para a Europa, onde jogaria entre os profissionais. Se a transferência se concretizar, novas polêmicas e discussões quanto ao limite de idade imposto pela NBA aos jogadores selecionados no draft devem surgir.
O último Acordo de Negociações Coletivas (CBA) da NBA, assinado em 2005, incluiu um limite de idade para novos jogadores entrarem na liga profissional americana. A partir dali, nenhum jogador poderia entrar no draft antes de completar 19 anos ou um ano após ter encerrado o Ensino Médio. A idéia era reforçar o basquete universitário, e desde então vários jogadores ficaram um ano na faculdade apenas para subir à NBA no ano seguinte.
A regra, entretanto, não exige que o jogador curse uma universidade, nem tem restrições quanto a jogar basquete profissional fora dos EUA. Se realmente optar pela Europa, Jennings já começaria a ser pago para jogar basquete antes de ir para a NBA, ao contrário de seus colegas da mesma idade, que não recebem para disputar o campeonato da NCAA. De acordo com o jornal americano New York Times, o armador interessa vários clubes europeus, inclusive os italianos, e receberia no mínimo US$ 300 mil, incluindo salários e patrocínio.
“Se ele tiver sucesso, vão haver outros que farão a viagem. Não serão apenas os seus olhos como repórter e os meus como técnico que estarão assistindo; serão todos os olhos do basquete, particularmente os olhos dos jovens, pensando, ‘Será que este é um grande jeito de conseguir experiência (para a NBA)?’”, disse o técnico Jim Calhoun, da universidade de Connecticut, ao Times.
O armador de 1,90m, belo controle de bola e velocidade no contra-ataque atraiu as universidades e assinou uma carta de compromisso para jogar por Arizona no basquete universitário, mas há um problema. Jennings precisa passar pelos padrões mínimos de escolaridade da NCAA. O conselheiro de Jennings, Kelly Williams, só saberá se o garoto de Los Angeles passou na próxima sexta. Se ele não passar, deve confirmar sua ida para a Europa.
Jennings disse ter ouvido o ex-executivo de empresas de tênis Sonny Vaccaro, um dos mais famosos olheiros dos Estados Unidos, falar sobre o basquete europeu como uma opção para os jovens jogadores em um programa de rádio, e sua família consultou com Vaccaro sobre a possibilidade. Para outros garotos pobres que precisam de dinheiro imediatamente, jogar um ano na Europa sendo pago - e em euros, moeda que está mais forte que o dólar no momento - pode soar mais atraente que jogar um ano na faculdade sem receber.
O exemplo de Jennings já está chamando a atenção de outras promessas. DeMar DeRozan, um ala que assinou com USC neste ano, não se qualificou nos testes acadêmicos e, embora jogar basquete universitário ainda seja seu foco, ele está ciente da possibilidade de jogar na Europa aberta por Jennings. O pai do garoto Lance Stephenson Jr, um dos principais nomes da classe de Ensino Médio de 2009, admitiu que vai monitorar a decisão de Jennings de perto para avaliar se pode ser um caminho para seu filho.
Adriano Albuquerque
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
Outros artigos publicados por Adriano Albuquerque

