Segundo time do Suns com Hill, Leandrinho e Diaw é grande trunfo para Porter na temporada (fotos)

Publicado em: CAPA, Conferência Oeste, Extraquadra, NBA
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26/10/2008 | 11:00

Publicado por Paulo Roberto

O Phoenix Suns treinou no sábado seu novo quinteto titular com Matt Barnes de ala já iniciando uma série de quatro dias de preparação para a estréia na temporada regular da NBA fora de casa contra o San Antonio Spurs na quarta-feira, mas nos coletivos os titulares de camisas pretas têm sofrido algumas derrotas para os reservas de branco, uma segunda unidade que ganhou o apelido de “White Heat” (Calor Branco), um quinteto melhor que alguns times principais na liga americana. É um banco de luxo que conta com um veterano sete vezes eleito para o Jogo das Estrelas em Grant Hill (foto), o melhor reserva da liga Leandrinho Barbosa (eleito o Sexto Homem do Ano em 2007 e segundo colocado na votação em 2008 perdendo o prêmio para o argentino titular “disfarçado” do Spurs Manu Ginóbili) e o ala-pivô francês Boris Diaw, que já ganhou o prêmio de jogador de maior evolução.

Completam a rotação dois novatos promissores, o armador esloveno Goran Dragic para dar mais minutos de descanso ao astro canadense Steve Nash, e o pivô Robin Lopez, um clone do brasileiro Anderson Varejão na cabeleira e na energia defensiva. Pode-se dizer que é a trupe reserva mais qualificada da NBA além dos “Alternators” (alternadores) do Detroit Pistons.

Nas negociações do verão, o Suns plantou uma semente para dar ao técnico Terry Porter condições de aumentar o revezamento na equipe para dez jogadores, enquanto seu antecessor Mike D´Antoni costumava utilizar apenas sete ou oito atletas em cada partida. O quinteto “White Heat” é capitaneado agora por Hill, que com sua experiência e versatilidade tem sido uma influência tranqüilizadora principalmente para Dragic, corrigindo algumas falhas dos companheiros de banco. Somando as médias de Grant, Boris e Leandro na temporada passada, são consideráveis 37,5 pontos e 9,4 assistências por jogo, um impulso ofensivo considerável.

Confira a galeria de fotos completa dos jogos da pré-temporada do Suns

“Isso é uma enorme vantagem. Quando você olha para bons times, essa segunda unidade está sempre motivando ou pressionado os caras titulares, mantendo-os afiados nos treinos e não deixando cair a intensidade. Isso é muito importante. Em todas as boas equipes em que eu estive, nas minhas experiências, às vezes essa é chave, um bom banco. Esses veteranos não terão uma chance de escorregar. Todos os dias eles terão de entrar em quadra preparados, porque têm alguém jovem esperando e atacando eles todos os dias”, disse Porter ao jornal Arizona Republic.

Com a fixação do Suns em melhorar defensivamente, foi uma escolha lógica para o treinador começar jogando com um jogador mais jovem e atlético como Barnes ao lado do ala-armador Raja Bell, que é o melhor marcador do time no perímetro. Para reduzir os minutos de Steve Nash, é providencial escalar três jogadores com boa capacidade de assistência para ajudar dividir a quadra com Dragic. Hill, Leandrinho e Diaw sabem armar o time em alguns momentos e isso não sobrecarregaria o esloveno em sua fase de aprendizado. No caso de lesões, o banco do Phoenix ainda tem três jovens energéticos que fizeram boas partidas na pré-temporada: o ala-pivô Louis Amundson, o ala-armador Alando Tucker e o armador novato Sean Singletary. De olho na chance de chegar aos playoffs mais descansado, Hill aceitou numa boa ceder a vaga de titular para Barnes, na temporada passada o veterano estava fazendo uma temporada de alto nível até que uma cirurgia para retirada do apêndice e algumas outras lesões minaram sua resistência e na pós-temporada ele já estava baleado, a prioridade dele agora é se manter saudável para os momentos mais importantes.

Alguns imprevistos forçaram Porter a alterar seu time-base em diversos jogos neste mês, e ele não pôde ver seu quinteto titular em ação tão rapidamente quanto gostaria, a equipe só jogou completa no confronto de quinta-feira contra o Oklahoma City Thunder. Hill e Diaw saíram do banco primeiro e o Suns fez quatro cestas em menos de dois minutos, mas a segunda unidade permitiu ao adversário emplacar uma seqüência de 8 a 0 em três minutos quando os novatos Dragic e Lopez entraram em quadra. O quinteto reserva entrou no segundo tempo com o Suns à frente por cinco pontos e aumentou essa diferença para 10, é certamente uma unidade com grande potencial ofensivo, porém mais passível de erros. Na temporada regular, todos os cinco vão jogar regularmente, e em algumas vezes lesões ou noites de folga concedidas ao pivô Shaquille O´Neal abrirão espaço para Amundson jogar mais, assim como Tucker se houver alguma ausência nas laterais. Singletary deve ser emprestado para ganhar rodagem no time-filial da liga de desenvolvimento.

“A energia e atleticismo do nosso banco é bastante aparente. Isso é tudo que nós esperávamos acontecer quando adicionamos as novas peças que trouxemos. Com um time tão veterano como o nosso, você precisa de uma mudança de ritmo de jogo”, afirmou o vice-presidente de operações de basquete da franquia, David Griffin.

Mesmo com Hill na equação, Leandrinho ainda tem a perspectiva de ser o maior pontuador do banco do Phoenix, como mostrou quinta-feira fazendo 15 pontos na vitória sobre o Thunder. Depois de um mês sofrido acompanhando a grave doença de sua mãe, o ala-armador brasileiro ficou mais aliviado e feliz com a notícia de que Dona Ivete Barbosa continua se recuperando, agora está respirando por conta própria, sem o auxílio de aparelhos. O equipamento de ventilação foi instalado devido a um quadro de infecção pulmonar.

“Ela ainda está no hospital, mas essa foi uma boa notícia”, disse Leandro.

Enquanto isso, dentro de quadra, as “aulas intensivas” para o brazuca aprender mais rápido o novo sistema de ataque e defesa do time, após ter perdido duas semanas da pré-temporada retornando a São Paulo para ficar ao lado da mãe, mostraram um bom resultado na quinta-feira, quando o Ligeirinho verde-amarelo fez 13 pontos em um espaço de 10 minutos no segundo tempo, acertando não apenas bolas de três, mas chutes de média distância aproveitando os espaços que ficaram abertos para ele.

“O primeiro tempo foi duro para mim (só dois pontos em sete minutos). Eu estava realmente frio e não tinha energia. Mas no segundo tempo eu estava me movimentando melhor e fiz mais arremessos. Eu gosto do novo sistema, estou conhecendo um pouco melhor o jogo (de Porter) e estou tentando ter certeza de trabalhar duro no setor defensivo. Isso é o que os técnicos estão enfatizando, então eu sei que é importante”, afirmou o brasileiro ao jornal East Valley Tribune.

Grant Hill elogiou o papel de Leandrinho como sexto jogador e acha que não será um problema vir do banco, uma nova situação para o ala que começou jogando em 697 das suas 705 partidas disputadas na carreira na NBA. Agora ele espera reduzir sua média de minutos de 31,7 na temporada passada para algo entre 25 e 27 minutos preservando energia para os jogos mais decisivos.

“Eu antecipei isto quando nós contratamos Matt, e o técnico Porter e eu conversamos sobre preservar meus minutos nesta temporada. Você olha para caras como Manu e L.B. (Leandrinho) e eles têm um grande impacto nos jogos quando saem do banco. Eu gostaria de pensar que posso fazer algo nesse sentido também. Estamos tentando ganhar o campeonato e todos nós temos de fazer sacrifícios. Será uma situação diferente, mas quando você entra na quadra, ainda é basquetebol”, analisou Hill.

“Grant traz mais calma à segunda unidade e ele pode ajudar Goran, que fez muitos progressos mas ainda é muito inexperiente, sendo uma outra pessoa que pode conduzir a bola. Matt se encaixa bem na primeira unidade como alguém capaz de abrir espaços, enquanto Grant vai permitir a Goran e L.B. que façam a mesma coisa com esse segundo grupo”, explicou Terry Porter.

“Não me importaria em ficar no banco de maneira alguma, mas para mim é uma honra começar jogando em um time com tanto talento”, agradeceu o ala Barnes, que foi titular em 64 partidas na carreira, a maior parte delas no Golden State Warriors.

O novato Robin Lopez ou Boris Diaw são outros que podem começar jogando no garrafão quando Porter sentir necessidade de poupar o pivô veterano de 36 anos Shaquille O´Neal, principalmente no caso de partidas em noites seguidas. A idéia é limitar os minutos de Shaq ou mesmo deixá-lo de fora quando os duelos foram favoráveis para um time mais baixo.

“Podemos fazer um pouco das duas coisas para preservá-lo. De todos os caras que já jogaram nessa posição, ele é provavelmente o pivô que sofreu mais faltas e levou pancadas numerosas vezes. Nós queremos ser proativos em dar a ele minutos suficientes para se manter afiado, mas procurando pensar no quadro maior dando a Shaq um amplo tempo para ter um descanso. Ele pode jogar de 28 a 30 minutos em um jogo e então na segunda noite pode ter um tempo limitado de ação ou não jogar”, declarou Porter, deixando claro que não vai descansar O´Neal em todas as situações. Por exemplo, o Suns vai estrear na temporada quarta-feira contra o Spurs em San Antonio e na quinta-feira volta a jogar em casa, contra o New Orleans Hornets, enfrentando esses rivais de ponta na Conferência Oeste não vale poupar ninguém.

Porter inclusive tranqüilizou a torcida dizendo que o dedo mindinho esquerdo deslocado do ala-pivô All-Star Amaré Stoudemire foi só um acidente de trabalho e ele está OK para jogar a estréia, só vai usar uma proteção no local nas próximas duas ou três semanas.

Paulo Roberto Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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