Steve Nash, Thierry Henry, Leandrinho e Jason Kidd jogam futebol beneficente em Nova York (vídeos)

Publicado em: Conferência Oeste, DESTAQUES, Extraquadra, Multimídia, NBA
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26/06/2008 | 9:00

Publicado por Paulo Roberto

Questionado sobre os hábitos futebolísticos de seus jogadores, especificamente o armador-astro canadense Steve Nash, o gerente geral do Phoenix Suns, Steve Kerr, respondeu: “Não tenho problema com isso. O esporte o mantém em forma e mantém sua cabeça fresca”. O mesmo pode servir para o ala-armador brasileiro Leandrinho. O atestado médico assinado pelo médico-chefe da franquia do Arizona, Dr. Thomas Carter, enviado ao técnico Moncho Monsalve via CBB e publicado no fim-de-semana pelo Basketbrasil diz o seguinte: “Leandro Barbosa está atualmente sofrendo de tendinite patelar no joelho direito, e é de julgamento médico que não participe de basquete competitivo neste momento”.Aparentemente a restrição que se aplica ao basquete de competição não cabe para um jogo beneficente de futebol entre amigos. Ontem à noite LB jogou bola e bem na pelada promovida por Nash no campo da Nike na rua Chrystie Street, em Chinatown, Nova York. Pelos vídeos disponíveis do evento no Youtube, fica claro que os “boleiros da NBA” estão só se divertindo, apenas caminhando em campo e ensaiando algumas firulas, as jogadas de maior impacto, claro, foram do atacante francês Thierry Henry, do Barcelona, e outros profissionais com a bola nos pés como o americano Claudio Reyna, o colombiano Juan Pablo Angel e os britânicos Steve MacManaman e Robbie Fowler.

A matéria do “New York Times” sobre o evento elogia o talento do brazuca com a bola nos pés, ele foi um dos destaques dentre os basqueteiros presentes do Desafio “The Showdown in Chinatown”, destinado a arrancar fundos para a caridade, a Fundação Steve Nash planeja dar apoio financeiro à construção de um hospital no Paraguai, país natal de sua esposa. Entre os jogadores da NBA, participaram o armador do Dallas Mavericks e da seleção americana Jason Kidd, Leandrinho, o armador do Golden State Warriors Baron Davis, o ala-armador do Phoenix Suns Raja Bell, o ala do New York Knicks David Lee e o ala-pivô do Chicago Bulls Joakim Noah.
“Alguns dos jogadores de basquete se viraram notavelmente bem (com a bola nos pés). Kidd, que jogou futebol no colegial (segundo grau), e Barbosa, um brasileiro que tem o futebol no seu DNA, mostraram instintos afiados e toques de classe. Quanto a Nash, que praticava este esporte crescendo no Canadá, a partida foi simplesmente mais uma exibição de chutes em Manhattan. Ele regularmente é visto disputando jogos de ligas recreacionais ao redor da cidade durante as férias da liga. Mas outros jogadores da NBA poderiam voltar ao esporte que eles conhecem. Em dado momento, Davis passou vários minutos patrulhando a área em torno do gol como se estivesse no garrafão em torno da cesta”, descreveu o artigo do NYT. Sem a menor intimidade com a bola, Davis ficou mais de goleiro.
“Eu esperava exatamente o que vi. Alguns deles podem realmente jogar futebol, como Leandro e J-Kidd. Mas tudo foi uma boa diversão. Baron foi hilário”, disse o atacante americano Jozy Altidore, que recentemente assinou contrato com o Villareal da Espanha.

Na terça-feira da semana passada, Leandrinho oficializou seu pedido de dispensa da Seleção Brasileira, alegando uma lesão no joelho que o impede de jogar basquete, a movimentada partida de futebol em Nova York ocorreu oito dias após ele ter enviado ao técnico Moncho Monsalve um comunicado informando sobre a tendinite patelar no joelho direito que o deixaria fora do Pré-Olímpico de Atenas.

 

 

“Lamento muito mesmo. Meu desejo era estar em quadra tentando uma vaga para classificar nosso basquete às Olimpíadas, um sonho de criança”, afirmou o jogador no dia 17, em nota oficial divulgada por seu empresário.

Mas antes de entrar no bloco dos crucificadores, procuramos ouvir um médico ortopedista, Orlando Mauro Arouche, sobre a questão:

“Uma tendinite patelar no joelho costuma ocorrer por esforço repetitivo, é comum em modalidades esportivas em que o atleta tem de saltar o tempo todo, como o basquete e o vôlei, e menos comum no futebol. É realmente uma grande sobrecarga jogar mais de 100 partidas em nove meses como você me relatou, se você me diz que não há uma fratura, nem dano estrutural ao ligamento do joelho ou ao tendão, o mais recomendável para esses casos é repouso mesmo com medicação e fisioterapia, dependendo do grau da tendinite não dá para praticar nenhum esporte de competição. O quadro costuma causar uma dor aguda e incômoda, mas se a pessoa consegue andar normalmente e fazer pequenas corridas, os fisioterapeutas costumam até recomendar alguma atividade física para o fortalecimento muscular no local, normalmente é um trabalho leve e localizado de academia. Mas uma recreação de futebol, nesse nível lento das imagens que você está me mostrando (amostras do Youtube), não seria algo proibido, depende da avaliação do médico dele sobre a extensão do problema. Dar trotes e chutar uma bola em um jogo de futebol soçaite sem contato e sem pular é bem diferente de disputar uma partida oficial de basquete saltando regularmente e se chocando mais com os adversários, vendo estas imagens eu poderia dizer que o risco sofrido pelo jogador foi pequeno, não muito maior do que fazer uma corrida de curta duração na praia. Pela ética profissional exigida pela medicina eu não me atreveria a contestar um documento assinado por outro médico, o Leandro deve saber quais foram as recomendações e procurar cumpri-las à risca, só ele pode falar algo sobre isso, os procedimentos de recuperação variam caso a caso”, analisou Orlando.

Entretanto, certamente a atitude de Leandrinho em jogar futebol tão pouco tempo depois de confirmar sua ausência da Seleção por estar machucado é outro ato que pega muito mal em termos de repercussão pública enquanto o Brasil se prepara cheio de desfalques para um Pré-Olímpico duríssimo que vale as últimas três vagas na Olimpíada de Pequim. Nas conversas entre torcedores nos diversos fóruns da internet, já é um assunto polêmico, resta saber como será a reação de Moncho Monsalve e dos outros jogadores da equipe verde-amarela que hoje à noite encara seu primeiro teste, contra a Venezuela no ginásio do Maracanãzinho.

O lado divertido da partida descrito pelo NYT

A matéria assinada por Joshua Robinson no New York Times é engraçada e pega no pé do armador do Golden State Warriors, começa assim: “É claro que Baron Davis já jogou futebol antes – quando estava na sétima série. E é claro que ele tinha um plano de jogo para a partida quarta-feira à noite.”

“Queremos jogar como nós fazemos no basquete, sei que podemos vencer se fizermos mais gols que o outro time”, falou Baron Davis antes da pelada promovida pelas fundações beneficentes mantidas por Steve Nash e Claudio Reyna, estrela do “soccer” americano que joga no New York Red Bulls.

Davis, jogando com um chapéu do Los Angeles Dodgers (time de beisebol) e óculos escuros, não ajudou muito, foi responsável por dois pênaltis tocando a bola com a mão dentro da área. Mas com suas brincadeiras e papo casual, ele foi uma atração à parte para entreter as centenas de pessoas que se aglomeraram ao redor do pequeno campo de gramado artificial em Manhattan para ver o bate-bola entre astros do basquete e do futebol internacional.

Muitos fãs subiram em árvores, cercas e postes de rua para ver a partida. Ouviram-se cânticos de torcidas em vários idiomas diferentes, coros que nasceram nos estádios do outro lado do oceano. Foi um evento divertido cheia de estrelas esportivas apenas brincando e tirando sarro uns com os outros.

“Nós estávamos completamente enganados na previsão de quanta excitação o jogo causaria. Sabíamos que as pessoas viriam assistir, mas simplesmente não pudemos acreditar na animação de todos quando nós aparecemos”, disse Reyna.

Nash e Reyna trabalharam em conjunto para reunir na brincadeira uma boa coleção de amigos astros do futebol e do basquete para angariar fundos para suas respectivas fundações de caridade. Os times do evento incluíram um campeão da Copa do Mundo (o francês Thierry Henry), três jogadores com passagem pela seleção dos Estados Unidos de futebol (Reyna, Josy Altidore e Gregg Berhalter), um punhado de atuais e ex-atletas da Primeira Divisão do Campeonato Inglês (Steve MacManaman, Robbie Fowler e Salomon Kalou), assim como o grupo de jogadores da NBA.

Com Henry orquestrando as principais jogadas e entusiasmando os torcedores com uma boa dose de lances de habilidade no seu show particular, o time de Nash venceu a partida de 60 minutos por 9 a 4. O atacante francês do Barça foi bastante aplaudido por seus dribles, embaixadinhas, equilíbrio de bola em cima da cabeça e belos voleios de longa distância, mas preferiria estar jogando pela França nas finais da Eurocopa se os “Bleus” não tivessem sido eliminados da competição mais cedo do que esperavam os vice-campeões mundiais. Talvez um pouco de frustração tenha ficado quando ele fez uma cobrança de pênalti e soltou uma bomba de pé direito no ângulo, aí se virou para Nash e disse: “Desculpa, eu tinha de fazer esse.”

O nome de Henry tem ocasionalmente sido ligado a uma possível mudança para os Estados Unidos. Embora ele esteja acostumado a estádios com capacidade para quase 100 mil pessoas no futebol europeu, jogando pelo Barcelona, o público norte-americano que compareceu em bom número à pelada na rua Chrystie mostra que o entusiasmo pelo futebol no país está crescendo, o próprio Nash está negociando para apoiar a instalação de uma equipe da Major League Soccer em Vancouver (CAN), mas Henry acredita que o futebol ainda tem um longo caminho a ser percorrido nos EUA, mas numa entrevista à ESPN deixou aberta a possibilidade de um dia jogar na MLS.

“Acho que a vinda de David Beckham (astro inglês do Los Angeles Galaxy) certamente ajudou. Mas talvez vocês primeiro tenham de parar a NFL (liga de futebol americano), a NHL (liga de hóquei no gelo) e a NBA por um ou dois anos, aí talvez vai funcionar”, disse Henry sobre as chances de o futebol se tornar um esporte que atraia a atenção das massas nos EUA. E o Times termina o relato de forma lisonjeira para os boleiros da NBA: “E se isso der certo, talvez Kidd, Nash e os outros astros da NBA teriam algo mais em se apoiar, só no caso de essa coisa toda de basquete não funcionar.”


Como retribuição de cortesia para sua participação no jogo beneficente de Nash que estava prometida há algum tempo, Leandrinho espera trazer para o Brasil em setembro uma partida beneficente de basquete com a presença de estrelas da NBA como Carmelo Anthony, Baron Davis, o próprio canadense duas vezes MVP da liga em 2005 e 2006, Shaquille O´Neal e Amaré Stoudemire, outra diversão com caráter social por uma boa causa.

O gerente geral do Suns, Steve Kerr, já aceita numa boa o fato de que Steve Nash vai jogar uma boa dose de futebol nas férias para manter a forma física e descansar um pouco do basquete competitivo aos 34 anos, a seleção do Canadá ainda fala como se tivesse esperanças de contar com o armador numa eventual classificação para as Olimpíadas, mas já pode ir desistindo do sonho, Nash já marcou uma série de jogos recreativos para o verão e um regime de condicionamento físico em ginásios, pensando na próxima temporada da NBA.

“Eu mal posso esperar. Futebol e minha fundação são duas das minhas grandes paixões e chance de reunir caras como Thierry, Baron, Jason e Claudio… vai ser muito divertido. E a melhor parte é que é de graça para qualquer um que queira vir nos assistir”, disse Nash à ESPN horas antes da pelada. Nash também considera o futebol uma boa maneira de se distrair e esquecer a decepção que teve com a eliminação do Phoenix na primeira rodada dos playoffs contra seu eterno carrasco San Antonio Spurs.

Vídeos da pelada no Youtube:

Showdown in Chinatown - New York City 6/25/08
http://www.youtube.com/watch?v=jhVEapY6Dck

Steve Nash Showdown @ Chinatown Soccer Match NYC
http://www.youtube.com/watch?v=BnCp1U_Jg9k

Thierry Henry Penalty Shot on my 5 a side pitch
http://www.youtube.com/watch?v=fdMftN1EW68

Thierry Henry getting loose in Chinatown NYC
http://www.youtube.com/watch?v=O9wQCzPJaag

 

 

 

 

 

 

Paulo Roberto Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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