Sue Bird volta com ouro ao Seattle e Kelly com vontade de jogar na ausência de Lauren, Cash é outro problema

Publicado em: DESTAQUES, NBA, WNBA
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26/08/2008 | 7:40

Publicado por Paulo Roberto

A segunda-feira deveria ser um dia de alegria para o Seattle Storm, com o retorno da armadora Sue Bird trazendo de Pequim sua segunda medalha de ouro olímpica conquistada com a seleção americana, e a reapresentação da pivô brasileira Kelly Santos que também esteve nas Olimpíadas e volta à WNBA com a possibilidade de jogar mais minutos agora que a ala-pivô australiana Lauren Jackson está fora do restante da temporada regular por causa de uma cirurgia no tornozelo direito, mas ontem o técnico Brian Agler recebeu outra má notícia: a ala de 28 anos Swin Cash revelou estar sentindo fortes dores nas costas lidando com uma hérnia de disco que a incomoda desde a temporada passada, precisou levar uma injeção de cortisona durante a pausa olímpica do campeonato para aliviar a dor na região lombar inferior e também pode ser operada.

 Sue Bird ouve orgulhosa o hino americano no topo do pódio com o ouro no peito

Cash seria a terceira jogadora do Seattle ausente do restante da temporada por causa de uma lesão. A pivô Janell Burse está fora das quadras desde maio devido a problemas no pé e no ombro. Vice-campeã olímpica defendendo a seleção da Austrália, a estrela maior da franquia Lauren Jackson anunciou na semana passada em Pequim que passará por uma cirurgia no tornozelo na próxima quinta-feira em Sydney, na esperança de que possa voltar a jogar em um período de quatro a seis semanas para possivelmente defender o Storm nos playoffs da WNBA, e agora Cash pode entrar na faca também. Ela recebeu uma segunda opinião médica e avisou à equipe da possibilidade de que não possa mais jogar nesta temporada. O empresário dela mencionou recentemente a probabilidade de uma cirurgia. A ala planeja ter outras discussões com seu agente e sua família sobre seu futuro no basquete.

“Meu problema agora é a dor e a tolerância. Os meus dois médicos disseram que não entendem como estou jogando. Mas me orgulho de mim mesma por ser mentalmente forte. Iremos ver nos próximos dias. Essa é minha coisa, ver como é meu tempo de recuperação. Eu posso até entrar em quadra e jogar, mas é sempre preciso um tempo de recuperação no dia seguinte e no próximo”, disse Cash, que fez sessões de reabilitação nas costas enquanto estava em Nova York trabalhando como comentarista dos jogos do torneio olímpico feminino para a rede de TV NBC.

A ala disse que seu contrato para jogar em Praga (República Tcheca) na próxima temporada européia e os planos de atuar como comentarista da NBA em estúdio em alguns jogos transmitidos pela NBC também são fatores que vão pesar em sua decisão, mas ela ontem participou do treino do Storm, ao contrário de Bird, que voltou à Key Arena, mas não treinou, ganhando um tempinho a mais de descanso depois da final olímpica de sábado. A pivô da Seleção Brasileira Kelly está treinando em Seattle desde sexta-feira, a estréia do Storm na reabertura da temporada é na próxima quinta-feira, quando a equipe recebe o Houston Comets.

A bicampeã olímpica Sue Bird disse que seu time pareceu bem durante a sessão de treinos de ontem, e manifestou sua confiança de que o Seattle (17V-9D) conseguirá garantir sua quinta classificação consecutiva aos playoffs apesar da ausência de Lauren Jackson, no momento o time é o vice-líder da Conferência Oeste atrás apenas do San Antonio Silver Stars. Times com 20 vitórias nunca ficaram fora da pós-temporada, e para facilitar sua vida o Storm tem dois jogos faltando contra o lanterna Atlanta Dream (3V-24D), time das brasileiras Iziane e Érika, e um contra o já eliminado Chicago Sky (8V-17D), três jogos considerados fáceis dos oito remanescentes na temporada regular. Em cinco partidas que a equipe jogou sem Lauren antes das Olimpíadas, foram três vitórias e duas derrotas. Um time que tem estrelas experientes como Sheryl Swoopes, Yolanda Griffith e Bird têm bala na agulha para manter uma boa posição na tabela. O técnico Agler disse que a ala Swoopes foi a jogadora que mais se beneficiou do recesso olímpico para curar algumas contusões. O clube deixou passar o prazo final de trocas na WNBA sem adquirir nenhuma jogadora de peso para substituir Jackson, o treinador disse confiar nas peças de reposição que tem no momento, Kelly fez um trabalho razoável como destaque do garrafão brasileiro apesar da campanha ruim da Seleção de Paulo Bassul nos Jogos Olímpicos, e no caso de o time também perder Cash aí seria realmente necessário contratar alguma jogadora para completar o elenco do Storm.

Agler manteve a posição de multar e deixar Cash no banco “de castigo” porque ela faltou aos treinos durante a pausa olímpica para trabalhar como comentarista de TV. Ele está pensando em alterar um pouco a formação titular para o jogo de quinta-feira por causa das mudanças forçadas nas últimas semanas.

“Foi um choque para nós, um momento de “uau”, mas nós estamos seguindo em frente”, disse a pivô Yolanda Griffith sobre a cirurgia de Jackson. “Nós vamos sentir falta dela. Eles montaram esta equipe para ganhar o campeonato e o foco ainda é tentar ganhar este título quer tenhamos LJ conosco ou não”, completou a veterana.

Embora Bird precise fazer uma transição rápida de volta para o estilo de jogo da WNBA e tenha de aprender algumas jogadas novas treinadas durante o recesso, a motivação de a seleção dos EUA ter conquistado outra medalha de ouro numa campanha dominante deve ajudá-la a manter a confiança, após ter sido a armadora titular do “Team USA” e ter aproveitado bastante sua primeira experiência em Pequim.

“O mundo conseguiu alcançar o potencial dos EUA com suas primeiras seis ou sete jogadoras, mas as equipes adversárias não conseguiram acompanhar nossa profundidade, ninguém tem um grupo de 12 jogadoras capazes de contribuir bastante em nível internacional. A China foi legal, as pessoas são simpáticas, o clima é que é um tanto esquisito. Tem muita chuva, calor e umidade, eu preferia a chuva de Seattle qualquer dia”, disse Bird.

De acordo com fontes ligadas ao time, o Storm não tentou negociar uma troca envolvendo Kelly Santos, Ashley Robinson, Shyra Ely ou Katie Geralds, jogadoras que vêm sendo menos aproveitadas na rotação. Agler espera um bom esforço coletivo de todas para compensar a perda de Jackson, principal cestinha e reboteira do time com médias de 20,2 pontos e 7 rebotes por partida. O clube já havia adquirido a ala-pivô Camile Little do Atlanta, ela e a brasileira poderão ter mais espaço agora.

“Estamos explorando todas as nossas opções, mas nossa melhor opção no mercado talvez seja não fazer nada. Temos um forte sentimento de que podemos superar este desafio, estivemos sem Lauren nas últimas seis semanas, já vencemos jogos sem ela, não é como se estivéssemos navegando em águas desconhecidas”, finalizou o técnico Agler, lembrando que Little fez boas partidas na ausência de Jackson com médias de 11,8 pontos e 7,8 rebotes por jogo enquanto a musa loira estava treinando com a seleção da Austrália em julho. LJ disse que espera voltar a jogar em 1º de outubro, no caso de o Storm se classificar para as finais da WNBA.

(Informações do jornal Seattle Times)
 

Paulo Roberto Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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