Frank Johnson elogia vontade de Leandrinho e diz que futebol é exemplo para basquete

Publicado em: Conferência Oeste, Entrevistas, Extraquadra, NBA
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9/08/2008 | 23:00

Publicado por basketbrasil

O competente e experiente treinador norte-americano Frank Johnson, que já comandou com destaque o Phoenix Suns, esteve recentemente no Brasil, especificamente na cidade de São Paulo (SP), para a realização do “adidas Nations”. O Databasket aproveitou a curta estadia deste excelente profissional para conhecer um pouco mais de sua carreira e de sua forma de pensar. Confira a entrevista.

Databasket: Faça um pequeno panorama de sua carreira:

Frank Johnson: “Eu joguei basquete profissional durante sete anos, nos Estados Unidos, atuando pelo Washington Bullets (atual Wizards) e, posteriormente, mais um ano no Houston Rockets. Em seguida, joguei dois anos na Europa, especificamente na Itália. Os dois últimos anos da minha carreira profissional foram no Phoenix Suns. Já fora das quadras, depois de dois anos no escritório do Phoenix Suns, me tornei assistente-técnico desta equipe e permaneci nesta função por seis anos. Depois, assumi como técnico principal por mais dois anos”.

Databasket: Como começou a trabalhar com formação de atletas?

Frank Johnson: “Sempre tive a paixão de trabalhar com jovens atletas e isso também é uma maneira de dar um retorno ao basquete de tudo o que conquistei na vida sendo um atleta profissional. A minha grande satisfação é poder observar como os atletas se desenvolvem, o passo a passo de cada um deles, até uma carreira sólida”.

Databasket: O que é importante detectar em um jovem promissor?

Frank Johnson: “O desejo é a coisa mais importante de se enxergar em um jovem atleta. Ao longo dos anos, muitos pais me chamam para treinar seus filhos, mas o importante é detectar esta vontade no jovem, se ele é determinado e focado em seus objetivos. Eu procuro observar os pontos fortes e os fracos de cada garoto e trabalho o que é preciso para as correções e também fortalecer aquilo que vai indo bem. É difícil detectar se o jovem promissor vai seguir e conseguir sucesso, pois não é fácil distinguir um atleta de um jogador de basquetebol. Como eles vão corresponder às orientações. É o que chamamos de futuro talento, com aptidões que precisam ser trabalhadas. Creio que seja muito importante, como técnico e formador, passar confiança a este jovem atleta, pois se isso não ocorrer, não adianta ele ter talento, que tudo não fluirá bem. É o que fizemos com o time brasileiro que foi a Dallas (EUA), buscamos passar isso, ou seja que eles aproveitem a oportunidade e se divirtam jogando basquete”.

Databasket: Como analisa a receptividade do que foi ministrado nos países que o programa ‘adidas Nations’ já visitou?

Frank Johnson: “Como técnico e jogador, venho notando que as pessoas são sempre receptivas e aceitam bastante as idéias que estamos passando. É importante lembrar que para você ser um grande técnico, não é necessário que tenha sido um grande atleta. Esta experiência não é necessária, já que existem grandes treinadores que não estiveram em quadra atuando como atleta”.

Databasket: O basquetebol brasileiro não vive um momento favorável em diversos setores, especialmente no administrativo, o que pode ser feito para que o Brasil volte a figurar entre os destaques?

Frank Johnson: “O futebol brasileiro deve servir de exemplo para o basquete. As crianças jogam desde cedo, os pais dão força e existem muitas escolinhas de formação de atletas, sem contar na prática escolar e a informal. Então, é preciso fazer este trabalho de estruturação na base também com o basquetebol, pois assim é feito nos Estados Unidos e os resultados aparecem. Quantas crianças, aqui no Brasil, podemos ver brincando com uma bola de basquete em comparação com o futebol? Lá nos Estados Unidos é ao contrário”.

Databasket: Você era o técnico do Phoenix Suns quando o Leandro Barbosa foi selecionado no draft. Por que optaram por ele? 

Frank Johnson: “O que chamou mais a atenção na época do draft foi a vontade que o Leandro Barbosa demonstrou e, além disso, tínhamos todo o histórico dele. Uma característica dos brasileiros que vão à NBA é que eles trabalham bastante e sempre se mostram muito dedicados. Eu sei que o Barbosa tem um irmão - Arthur - que o ajudou bastante a chegar a este objetivo de jogar no basquete profissional norte-americano. E para se chegar a metas como essa, é sempre importante ter uma pessoa atrás, na retaguarda, seja um técnico, parente ou irmão, como foi o Arthur no caso do Leandro”.

Databasket: Você enfrentou algum jogador brasileiro quando atleta?

Frank Johnson: “Enfrentei o Oscar na Itália, ele era maravilhoso nos arremessos, talvez, um dos melhores que vi nesta função”.

Databasket: Qual trabalho desenvolvido como técnico durante a sua carreira, você pode destacar?

Frank Johnson: “O que desenvolvi no Phoenix Suns, já que chegamos a jogar uma final e foi onde tive mais sucesso, além de ser o que mais me marcou”.

Databasket: Você teve algum ídolo no basquete e algum outro fora das quadras?

Frank Johnson: “Eu aprendi muito sobre basquete ao ver o Hanks Laider atuando na Pensilvânia. Ele me ensinou bastante coisa, entre as quais, que você tem que passar seus conhecimentos, ou seja, tudo aquilo que aprende. Fora do basquete, cito os meus pais, pois aprendi muito com eles, que souberam educar muito bem seus cinco filhos”.

Databasket: Você aponta alguma seleção favorita à medalha de prata nos Jogos Olímpicos, já que o ouro deverá mesmo ser dos Estados Unidos?

Frank Johnson: “É muito difícil apontar favoritos, mas cito a Argentina, Espanha, Croácia, Grécia e a China, por ser a anfitriã. Com certeza, os Estados Unidos aparecem como os grandes favoritos, mas em uma competição internacional, tudo pode acontecer”.

Databasket: Se recebesse um convite para trabalhar no Brasil, estaria disposto a aceitar?

Frank Johnson: “Depende de alguns fatores, mas estaria feliz em poder realizar um trabalho com jovens no Brasil”.

Databasket: Deixe uma mensagem final aos leitores do Databasket!

Frank Johnson: “Para que haja uma melhora no basquete brasileiro, seria necessário colocar nas categorias de base a mesma energia que é despendida na formação de atletas no futebol. Sei que nunca será como o futebol, mas se for colocando energia e vontade, os objetivos serão alcançados gradativamente”.

(Frederico Batalha, Databasket)

 

Equipe BasketBrasil
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