Publicado por Paulo Roberto
“Eu quero um pivô grande porque vamos precisar de tamanho também. Tomara que possamos conseguir alguém saudável em breve para ver o que temos nessa posição. E vamos prestar atenção nas listas de dispensas dos outros times, se necessário”, disse o técnico do Minnesota Timberwolves, Randy Wittman, ao jornal Minneapolis Star Tribune, sobre a falta de pivôs no elenco. O site oficial da franquia destaca uma entrevista com o lesionado pivô Jason Collins, que só deve voltar às quadras em novembro e já tem um status no time apesar de ser listado como o pior jogador de toda a NBA em estatísticas segundo uma fórmula concebida pelo especialista John Hollinger. E mesmo assim o Wolves simplesmente mandou embora no domingo passado o grandalhão brasileiro de 2,11m Rafael “Baby” Araújo após a contratação do machucado David Harrison, ex-Indiana Pacers. Fica a pergunta: o paranaense não tinha um lugar nem no fundo do banco dessa equipe que é uma das mais baixas e fracas da Conferência Oeste?
A resposta que o Minnesota vem tentando dar a essa falta de altura no garrafão, usando como demonstração a surpreendente campanha de quatro vitórias em cinco jogos na pré-temporada, é a aposta na envergadura e impulsão de seus alas-pivôs. A fórmula de escalar uma equipe mais baixa e atlética para jogar com mais velocidade que força virou moda em muitos times da NBA quando faltam gigantes acima de 2,12m. Por enquanto o Wolves está se virando como pode com seus alas-pivôs Al Jefferson, Mark Madsen e Kevin Love, os alas Craig Smith e Ryan Gomes também estão mostrando força física para atuar dentro do garrafão. Mas no último jogo disputado por Baby antes de sua dispensa, o Denver Nuggets mostrou o quanto uma dupla de garrafão mais alta faz diferença, Nenê e Kenyon Martin colocaram os “grandinhos” do Wolves no bolso, e neste domingo as duas equipes voltam a se enfrentar, lembrando que o time do Colorado está invicto nesta pré-temporada.
Confira vídeo com melhores momentos da vitória do Timberwolves sobre o Raptors
“Não somos muito altos, mas temos muque”, disse Craig Smith, um ala de 2,04m que tem o apelido de “Rhino” (Rinoceronte) por sua força física e um novo contrato de US$ 4,8 milhões por dois anos justamente pelo poderio físico de abrir caminho para a cesta n braço, o calouro Kevin Love chega a dizer que Smith poderia estar jogando na liga errada, ele tem um biotipo típico de jogador de futebol americano.
“Ele deveria estar jogando na NFL. Provavelmente ganharia mais dinheiro lá”, disse o ala-pivô novato quinto escolhido no draft.
Os três pivôs de ofício do elenco do Wolves não precisaram jogar uma partida sequer para receberem mais consideração que Baby. O pivô de 2,13m David Harrison, o “lanterna de eficiência” Jason Collins e o veterano de costas travadas Calvin Booth continuam fora de combate por causa de lesões, e o time de Wittman enquanto isso vai jogando sem nenhum atleta com mais de 2,08m numa liga de gigantes, mas o próprio gerente geral Kevin McHale diz que na NBA da nova geração um time sem um jogador mais alto que isso possa ser chamado automaticamente de terrível.
Na noite de quinta-feira, o Wolves enfrentou e venceu um time de playoffs, o Toronto Raptors, que joga na maior parte do tempo com alas-pivôs improvisados na posição 5, Chris Bosh, Jermaine O´Neal, Kris Humphries e o italiano Andrea Bargnani, nenhum deles faz o perfil do pivozão típico e dominante debaixo do aro. Na terça-feira, o Minnesota derrotou o Chicago Bulls que escalou como ala-pivô o argentino de 2,03m Andrés Nocioni. O italiano de 2,13m Bargnani gosta de jogar mais como ala, saindo bastante do garrafão, e foi assim que fez 22 pontos na vitória do Wolves anteontem por 90 a 86 em pleno Air Canada Centre.
“Um pouco menos de altura e um pouco mais de contato é o que tem acontecido ao redor da liga hoje em dia. Todo mundo joga dessa maneira. Hoje tivemos Bargnani e Humphries na posição 4 e Humphries na 5 (do Raptors), quem é o 4 e quem é o 5? Isso está mudando muito”, analisou o técnico Wittman reiterando que não são muitas as equipes que têm um pivô pesado típico.
Al Jefferson, alçado à posição 5 no Minnesota assim como aconteceu com Nenê no Denver, também notou essa transformação e não gostou muito.
“Eu meio que odeio isso, ainda gosto que os jogadores das posições 4 e 5 sejam realmente grandes. Eu sou um cara da velha escola, mas o jogo muda”, afirmou Jefferson, que numa situação ideal gostaria de jogar na sua posição natural de ala-pivô e não como pivô cincão titular, como fez na maior parte da temporada passada e vai continuar fazendo nesta próxima temporada, em situação de desvantagem de altura contra muitos rivais principalmente no Oeste.
David Harrison comparativamente é o pivô gigante do Wolves com 2,13m e 280 libras de peso, por causa de uma lesão na batata da perna sofrida no mês passado em um teste informal no Target Center em Minneapolis, ele ainda nem fez um treino coletivo completo com o time e tirou o lugar de Baby logo depois de sua chegada. O bonde Jason Collins continua fora por mais algumas semanas até se recuperar de uma cirurgia no cotovelo, aos 32 anos Booth padece com dores nas costas, e mesmo assim a equipe se deu ao luxo de dispensar o brasileiro, que supostamente assinaria com um time da Europa, mas nenhum acordo foi anunciado ainda.
“Os caras dos outros times podem ser mais altos e finos. Nós somos mais baixos, mas somos largos, é difícil passar pela gente. Se colocarmos nossos corpos em cima dos caras, deveremos ficar bem”, opinou Craig Smith.
O Rinoceronte pode estar otimista pelos resultados de amistosos, mas a experiência dos jogos mais duros valendo pontos mostra que tamanho ainda é muito importante no basquete, principalmente no garrafão, e sem uma altura confiável no garrafão e sem um astro talentoso fora dele, o Wolves é candidato a continuar acumulando derrotas nas últimas posições da Conferência Oeste quando a bola subir para valer.
Depois de mais uma performance energética de seus reservas contra o Raptors, Randy Wittman não está mais certo sobre a escalação e pode fazer mudanças no quinteto titular para a temporada regular. O ala suplente Ryan Gomes foi decisivo anteontem marcando 11 de seus 17 pontos no quarto final e o armador sem contrato garantido Blake Ahearn encestou 15.
“Nossa primeira unidade tem de jogar melhor, se não fosse por nossa segunda unidade, não teríamos vencido o jogo. Temos vagas em aberto neste time. Não sei qual será a equipe titular na abertura da temporada em 29 de outubro. É por isso que estes caras estão jogando agora. Esta é a pré-temporada, mas é importante, porque estamos tentando solidificar o que queremos fazer quando chegar a estréia oficial”, concluiu Wittman.
Al Jefferson anotou um duplo-duplo com 12 pontos e 13 rebotes, alegando que foi prejudicado por uma gripe e congestão nasal, como grandalhão mais forte de um time sem pivôs ele não está preocupado com a possível perda de minutos dos titulares.
“Nós estaremos lá. Todo jogo de pré-temporada tem um quinteto titular diferente, estamos simplesmente tentando acertar as coisas, é tudo uma questão de jogar duro e foi isso que a segunda unidade fez”, finalizou o Big Al.
Paulo Roberto
Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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