Sem Carlos Boozer mas com Paul Millsap, que teve 19 pontos e 14 rebotes, o Utah Jazz derrotou o Golden State Warriors por 119 a 114, em Salt Lake City. Deron Williams fez 25 pontos e deu 15 assistências, Mehmet Okur teve 20 pontos e 11 rebotes e Andrei Kirilenko adicionou 15 pontos para o Jazz.
Jamal Crawford teve 28 pontos para o Warriors, Corey Maggette, retornando após perder 15 partidas com uma lesão muscular, teve 23 pontos. Andris Biedrins fez 14 pontos e pegou 17 rebotes. Foi a quarta derrota em cinco partidas para Golden State.
Williams fez 25 pontos e teve 15 assistências na vitória do Jazz
Stephen “Whoo!!” Jackson teve uma lesão muscular na coxa direita no final do primeiro tempo da partida e não retornou. Ele havia feito 15 pontos até o intervalo.
“O Corey voltou e perdemos o Stephen”, falou Crawford.
Maggette conseguiu diminuir a diferença para 108 a 105.
Millsap fez dois pontos, bloqueou um arremesso e Brewer acabou com uma enterrada. Brewer adicionou dois lances-livres para a conta e fez três pontos, quando faltavam 1min14s para o final, dando uma vantagem de 117 a 110 para o Jazz.
“A gente sabia que deveria parar o jogo de garrafão deles. Eles fizeram muitos pontos lá dentro, e foi demais. A gente disse ‘chega’ e melhoru a defesa”, analisou Millsap.
Jogando para quase 20.000 pessoas em sua arena, o EnergySolutions Arena, o Utah Jazz superou o philadelphia por 112 a 95 na noite de segunda-feira e alcançou sua décima nona vitória em 33 partidas, ficando na nona posição da Conferência oeste em termos de aproveitamentos de vitória. Como tem jogos a mais que seus adversários, mesmo com duas vitórias a mais que o Phoenix Suns, ele aparece fora da zona dos playoffs. Enquanto isso, o Philadelphia segue distante da segunda fase, depois de sua quarta derrota consecutiva, na décima posição da Conferência Leste.
Deron Williams foi o cestinha da partida, marcando 27 pontos, nos 33 minutos que permaneceu em quadra. Suas quatro bolas de três ajudaram o time de Utah ter mais tranquilidade na vitória, liderando a partida desde o início. O russo Andrei Kirilenko e Mehmet Okur fizeram um duplo-duplo com respectivamente 16 e 19 pontos e 13 e 10 rebotes.
“É provavelmente a primeira vez na temporada que eu me sentia 100 por cento, ou perto disso. É o primeiro jogo que eu sentia assim. Esta noite, eu estava livre de dor. Fiquei animado definitivamente quando eu acordei esta manhã.” disse o recuperado Demon Williams, que acertou 11 dos 18 arremessos de quadra, além de um lance livre.
O treinador do Utah também estava feliz com a atuação de seu atleta: “Ele parecia muito mais vivo e saudável, parece agora que eu o vi uma vez que ele está vindo de volta. Ele tem muito mais desenvolvimento do que parece que ele tinha e isso é muito bom ver, porque, certamente, necessitamos de tudo que ele é capaz de nos dar.”
Pelo 76ers, dois foram os cestinhas. Thaddeus Young e Andre Iguodala marcaram 17 pontos. Young, por sinal, marcou a única cesta de três do time na partida, que chutou nove vezes, com um pífio aproveitamento de 11%. O treinador do Philadelphia Tony DiLeo culpou o cansaço pela derrota “Eles são uma grande equipe, mas nem chegamos cansados, perdemos o nosso foco na defesa e caímos muito no segundo quarto.
No primeiro quarto, o jogo foi igual nos seis primeiros minutos, em que o placar apontava 10×10. Neste momento, a estrela de Williams começou a brilhar e, com uma assistência, uma bola de dois e uma de três, o time da casa tomou a ponta, abrindo 19×14 faltando 2min40s. Ao fim dos 12 primeiros minutos, vitória parcial por 24×20 para o time da casa.
No segundo quarto, o Philadelphia começou melhor e, em menos de um minuto, já tinha empatado o jogo. Mais um pouco e o time visitante assumiu a ponta no placar pela primeira vez na partida, com 33×31 faltando ainda sete minutos para o final da metade do jogo. O jogo foi ‘lá e cá” por mais alguns minutos, quando os 76ers tiveram uma pane em que permaneceram três minutos sem marcar pontos, com seguidos erros de Iguodala e Dalembert. Com isso, a diferença subiu para 51×43.
Williams começou implacável o terceiro quarto e, com duas cestas de três, colocou em três minutos a diferença em 13 pontos, com o placar apontando 59×46. O período seguiu assim até que terminasse em 79×64 com a fartura praticamente liquidada para o Jazz. No último período, a diferença foi aumentando até que terminasse 112×95.
O 76ers volta a quadra no último dia do ano para enfrentar o Los Angeles Clipers, em busca de sua primeira vitória em cinco jogos, para voltar a brigar por uma das oito vagas nos playoffs. Já o Utah Jazz tem parada dura pela frente, contra o Lakers, no dia 02 de janeiro, próxima sexta-feira.
O ala russo Andrei Kirilenko está listado como “dia-a-dia” - ou seja, será reavaliado diariamente - pelo Utah Jazz, após lesionar o tornozelo direito na derrota para o New Jersey Nets, 105 a 88, no último sábado.
Kirilenko passou por exames de raio-X na mesma noite, mas os resultados não revelaram torções ou fraturas, embora tenham mostrado o que o Jazz está chamando de “ponto de irritação”, onde o russo vem sentindo dores e inflamação. O russo já vem sentindo um incômodo na região há alguns dias.
“Quando eu entrei no jogo, eu me alonguei um pouco e estava me sentindo bem. Mas após 10 minutos, (o tornozelo) enfraqueceu. Eu não conseguia ficar de pé, dar um primeiro passo ou jogar defesa. Estava simplesmente me incomodando”, disse Kirilenko, que não sabe exatamente qual tratamento seguir para seu tornozelo.
O time sentiu o desfalque do russo na derrota para o Nets. “Andrei é grande parte da nossa defesa. Sua energia e sua versatilidade nos ajudam demais. Mas ainda assim, não é desculpa (para a derrota)”, disse o ala CJ Miles após a partida.
A lesão vem em um péssimo momento para Kirilenko, que vinha se mostrando bem adaptado à função de Sexto Homem da equipe, com médias de 13 pontos, 6,3 rebotes e 1,6 roubo - bem melhor que os 9,7 pontos, 4,7 rebotes e 1,1 roubo que teve como titular nos últimos dois anos. “Saído do banco, eu consigo ver o ritmo do jogo. Sempre fui meio que um analista. Gosto de ver aonde os jogadores gostam de ir em quadra. E quando eu entro, o outro time está normalmente cansado e eu tenho pernas frescas”, disse AK-47 ao repórter Chris Mannix, do site da CNN/Sports Illustrated.
Kirilenko passou os últimos dois anos frustrado ao tentar descobrir sua nova função no time, encoberto pela ascensão do ala-pivô Carlos Boozer e do armador Deron Williams. O russo chegou a chorar por sentir falta de confiança em seu jogo durante os playoffs de 2007, e após ser MVP do Eurobasket do mesmo ano, em que a Rússia foi campeã, entrou em choque com o técnico Jerry Sloan, exigindo uma troca. A negociação não aconteceu e o lateral foi se adaptando. “Não é que eu não goste do Jerry. Ele é uma boa pessoa. Ele é simplesmente de uma geração mais antiga que trata jogadores como crianças. Digamos que seu chefe chegue para você e diga, ‘Ei, filho, venha aqui’. E você olha para ele e diz, ‘Do que você me chamou?’ Não magoa seus sentimentos, mas mesmo assim, não me sinto confortável”, disse Kirilenko.
A posição de reserva vem funcionando para Kirilenko, que segundo sua esposa, Masha, está feliz. “Eu vi o Andrei mais feliz do que isto apenas duas vezes: quando ele foi para o Jogo das Estrelas e na nossa lua-de-mel. Ele apenas quer ajudar seu time. É a única coisa que importa para ele”, disse Masha.
O Utah Jazz teve Deron Williams de volta na vitória sobre o Philadelphia 76ers por 93 a 80, na Filadélfia. Após perder os primeiros sei jogos, com uma lesão no tornozelo esquerdo, o armador fez sete pontos e teve nove assistências.
Williams de volta ao Jazz
“Não sei o que vai acontecer. Foi a primeira partida em seis jogos. Achei que ele jogaria cinco minutos, mas ele jogou mais. Depende dele, quanto tempo ficar em quadra”, falou o treinador Jerry Sloan.
Williams jogou bem mais do que os cinco minutos esperados. O armador ficou 31 minutos em quadra, acertando apenas um de oito arremessos, mas o importante foi voltar à ação.
Boozer e Dalembert disputam uma bola perdida
“Todos os dias fico mais forte”, disse Williams.
Carlos Boozer liderou o Jazz com 19 pontos e 16 rebotes. Andrei Kirilenko e Ronnie Brewer fizeram 16 pontos, cada. Brewer fez todos seus pontos no quarto período. Andre Miller foi o cestinha do Sixers com 25 pontos, Andre Iguodala fez 15 pontos e pegou 10 rebotes, Elton Brand fez 13 pontos e Samuel Dalembert e Thaddeus Young adicionaram 11 rebotes, cada.
Young vai para a bandeja com a marcação de Kirilenko
“Vamos continuar trabalhando e mudar a situação”, foi a opinião de Iguodala sobre mais uma derrota do Sixers.
Utah fez 13 dos primeiros 15 pontos do quarto período abrindo uma vantagem de 76 a 69. Uma cesta de três pontos de Brewer, com 4min11s, aumentou a diferença para 83 a 73 e acabou com as chances do Sixers.
O New York Knicks derrotou o Utah Jazz por 107 a 99, acabando com a invencibilidade co Jazz. Jamal Crawford fez 32 pontos. Zach Randolph fez 25 pontos e pegou 14 rebotes e Chris Duhon adicionou 16 pontos, nove assistências e cinco rebotes.
Crawford tenta a bandeja contra Brewer
Ainda sem Deron Williams o Jazz teve problemas para organizar o ataque. Carlos Boozer fez 19 pontos e pegou 17 rebotes. Andrei Kirilenko fez 18 pontos e Mehmet Okur ajudou com 17.
“Não cuidamos bem da bola. Foi nossa primeira derrota e vamos aprender com ele”, disse Boozer.
Mais uma bola desperdiçada pelo Jazz
O Knicks foi para o intervalo perdendo por cinco pontos, mas teve o melhor quarto da temporada. O time da “Grande Maçã” fechou o terceiro período fazendo 11 a 0. Utah não pontuou nos últimos 4min30s do quarto final.
Sem Williams, Utah cometeu 22 turnovers, dando 30 pontos de graça para New York.
“Não posso me preocupar com isso. Ninguém quer saber. Eu também não. Deron Williams é um grande jogador, gostaria de ter ele em quadra, mas ele não está aqui. Isso não quer dizer que você vai para a quadra e tenta jogar a bola fora”, disse o treinador do Jazz, Jerry Sloan.
Com 4min para o final Duhon acertou um arremesso e, logo após, achou Randolph para mais dois pontos, aumentando a vantagem para 98 a 86. Utah não conseguiu diminuir a diferença.
Com a presença ilustre do ídolo Diego Armando Maradona, a Argentina encerrou sua participação na primeira fase do torneio olímpico masculino de basquete em grande estilo, vencendo a Rússia por 91 a 79 (45 a 39 no intervalo). O triunfo proporcionou a Argentina classificar-se na segunda colocação do grupo A, o time hermano não superou a Lituânia no saldo de cestas e agora enfrentará a Grécia nas quartas-de-final. Já para a Rússia, que venceu apenas o fraco Irã, o sentimento é de fracasso, a equipe atual campeã européia se despede de Pequim na penúltima posição do grupo e com uma das piores campanhas de sua história.
O nome do jogo foi o ala-pivô argentino Luis Scola. O atleta, que joga no Houston Rockets, conseguiu a maior pontuação de um jogador nestas Olimpíadas. Ele fez cestas de todos os jeitos e terminou com incríveis 37 pontos, além de oito rebotes e dois tocos, consolidando a participação mais dominante de um jogador nestas Olimpíadas. Outro que brilhou foi o armador Pablo Prigioni, que conectou 11 tentos e distribuiu 10 passes perfeitos. O ala Andres Nocioni conectou 14 de seus 19 pontos no primeiro tempo e também foi importante para consolidar a vitória. Diante de tanto brilhantismo, o astro maior do basquetebol argentino, Emanuel Ginóbili, nem precisou jogar tudo o que sabe. Em 22 minutos, o ala-armador fez 12 pontos e deu quatro assistências.
Maradona torcendo pelo time argentino.
Pela Rússia o destaque foi o ala Andrei Kirilenko. A estrela do esquadrão russo encerrou sua participação nas Olimpíadas com um bom jogo, 23 pontos, nove rebotes e três passes precisos. O armador J.R. Holden também se destacou ao conectar 19 tentos e dar cinco assistências, mas foi só. Os outros jogadores não produziram e a Rússia volta pra casa de maneira melancólica.
O duelo entre a eliminada Rússia e a Argentina começou equilibrado. A equipe da estrela Andrei Kirilenko teve um início um pouco melhor e assumiu a ponta durante os primeiros três minutos. Entretanto, a liderança dos russos só durou três minutos mesmo, isso porque a partir daí a Argentina passou a comandar o duelo e não demorou a tomar a dianteira. O lance que mexeu no placar foi protagonizado pelo ala Andres Nocioni, que conseguiu uma incrível jogada de quatro pontos e colocou os hermanos na ponta, 8 a 6. Logo após, o astro Emanuel Ginóbili converteu uma infiltração e aumentou a distância para quatro tentos, 10 a 6.
Scola aniquilou qualquer chance de vitória russa com sua atuação dominante.
A seleção atual campeã européia até esboçou uma pequena reação, empatando a peleja, mas os argentinos não vacilaram e voltaram a abrir uma vantagem confortável. A diferença a favor dos atuais campeões olímpicos chegou a oito pontos, 22 a 14, após um arremesso perfeito do ala Andres Nocioni, que aproveitou um passe preciso de Pablo Prigioni, isso tudo com 1min50seg para o fim do primeiro período. Nos instantes finais da parcial, a seleção argentina continuou controlando bem o jogo e aumentou a diferença para onze tentos ao término dos primeiros 10min de embate, 27 a 16.
O segundo quarto começou repetindo exatamente o que aconteceu no primeiro. A equipe portenha continuou aproveitando as bolas de fora, principalmente com Andres Nocioni, que estava com a mão calibrada e já somava 14 pontos com apenas 13min jogados. O ala Aleksey Savrasenko e o ala-armador Sergey Bykov combinaram cinco pontos sem resposta da Argentina e diminuíram um pouco o prejuízo, 23 a 32, forçando o técnico Sergio Hernandez a pedir tempo. Diante da fraca defesa de uma desmotivada Rússia, a Argentina não teve a mínima dificuldade para voltar a abrir uma liderança confortável. O armador Pablo Prigioni conectou um tiro livre de 3 pontos e a distância foi para 13 pontos, 37 a 24.
Ginóbili foi poupado e jogou pouco nesta segunda.
A Argentina, porém, relaxou ao ver a abatida Rússia, que não tinha mais chance de classificação, e a equipe européia aproveitou para reagir com infiltrações precisas do armador J.R. Holden, que é norte-americano naturalizado russo. Uma bandeja certeira do baixinho escolta cortou a distância para apenas cinco pontos, 34 a 39. Luis Scola respondeu para os portenhos, mas a Rússia teve a tréplica com um gancho certeiro Andrey Vorotsevich. O time do técnico americano David Blatt empolgou a torcida chinesa com um arremesso de 3 perfeito do ala Andrei Kirilenko. A Argentina ainda teve tempo de respirar um pouquinho com um chute certeiro do ala-pivô Luis Scola e outro do armador Pablo Prigioni, encerrando o primeiro tempo em 45 a 39, para alegria do ilustre Diego Maradona.
A Rússia voltou animada para o segundo tempo após protagonizar uma bela reação no fim do primeiro. Entretanto, a equipe russa só permaneceu animada durante alguns minutos, isso porque a seleção do técnico Sergio Hernandez voltou a jogar seu melhor basquetebol e, liderada por Andres Nocioni, voltou a abrir uma boa distância. A diferença chegou a ser de 16 pontos após um arremesso preciso de Luis Scola, 61 a 45, com 6min para o fim do terceiro quarto. O pior para os russos é que os hermanos não dominavam só ofensivamente, mas defensivamente também. A mostra desse domínio foi um toco sensacional de Luis Scola em Andrei Kirilenko.
Assim como nos dois períodos anteriores, o time sul-americano cochilou e a Rússia aproveitou para encostar, a diferença chegou a ser cortada para sete tentos após um chute de 3 preciso de Andrey Vorontsevich, 62 a 69 para os hermanos. O time europeu ainda deu show nos segundos finais com uma ponte-áerea entre J.R. Holden e Andrei Kirilenko. No lance seguinte o ala Zakhar Pashutin tentou um arremesso do meio da quadra, no estouro do cronômetro, e quase converteu sua tentativa, mas a Argentina que foi para o último período com oito tentos de frente, 72 a 64.
J.R. Holden tenta furar bloqueio argentino. Armador foi um dos poucos destaques russos no torneio.
A grande torcida russa vibrou no início de último quarto com uma série de seis pontos da Rússia sem resposta da seleção portenha. O êxtase foi com um bola de 3 certeira de Kirilenko. Logo após uma bola encestada por Scola, o ala Aleksey Savrasenko acertou uma bola debaixo da tabela e diminuiu a diferença para três tentos, 70 a 73. Entretanto, a reação não parou por aí, a Rússia diminuiu ainda mais após uma falta anti-desportiva sofrida por Kirilenko, ele converteu os dois arremessos livres e a diferença caiu para um ponto, 72 a 73, com 8min para o fim. Neste momento difícil para os hermanos, quem manteve a Argentina na ponta foi o ala-pivô Luis Scola. O atleta do Houston Rockets mostrou que estava em uma noite inspiradíssima, comandando a ofensiva portenha.
Mas ao que parece o fôlego russo acabou antes do tempo, Emanuel Ginóbili e Luis Scola deitaram e rolaram durante dois minutos de “pane” russa e a Argentina reabriu a diferença na casa dos dez pontos. Porém, como toda pane, uma hora ela cessa e isso, de fato, aconteceu. O armador J.R. Holden protagonizou belas jogadas para os russos, mas o ala-pivô Luis Scola continuava dando um show. O atleta da NBA fez uma jogada importantíssima a 55seg do fim, o que praticamente selou a quarta vitória dos hermanos na primeira fase e o quarto revés russo nas Olimpíadas de Pequim.
FICHA TÉCNICA
ARGENTINA (27 + 18 + 27 + 19 = 91) Pablo Prigioni (11pts e 10asts), Manú Ginóbili (12), Andrés Nocioni (19 pts e 9 rebs), Luis Scola (37 pts e 8 rebs) e Roman Gonzalez (4). Entraram depois: Carlos Delfino (3), Paolo Quinteros (0), Pedro Gutiérrez (5), Leonardo Gutiérrez (0), Antonio Porta (0) e Guillermo Kammerichs (2). Técnico: Sergio Hernandez
RÚSSIA (16 + 23 + 25 + 15 = 79) JR Holden (19pts e 5asts), Victor Keyru (2), Andrei Vorotsevich (10), Andrei Kirilenko (23 pts, 9 rebs) e Alexey Savrasenko (6). Entraram depois: Viktor Khryapa (0), Vitaly Fridzon (0), Zakhar Pashutin (1), Sergey Bykov (10), Sergey Monya (4 pts e 6 rebs) e Nikita Morgunov (2). Técnico: David Blatt.
Com a primeira fase em vias de terminar, algumas “surpresas” demonstram a igualdade abaixo dos EUA nas Olimpíadas. A Rússia, campeã européia, caiu diante da Austrália, com Kirilenko e companhia, dificilmente conseguirá prosseguir na competição, pois depende de uma derrota da Croácia para o fraco Irã, para ficar com a quarta vaga do Grupo A.
No outro Grupo, o B, a situação mais frustrante é a da Alemanha de Dirk Nowitzki. A equipe germânica precisa que a China perca para a Grécia, algo factível, mas ainda tem que, simplesmente, derrotar os EUA em seu último jogo na primeira fase.
Dirk e Kirilenko com certeza são dois dos melhores europeus na NBA hoje, junto com Paul Gasol. Na verdade, a Alemanha não tinha grandes expectativas, com um elenco mais reduzido tecnicamente que, além de Dirk, teve que contar com reforço do naturalizado Chris Kaman, fundamental para a classificação no Pré-Olímpico.
A decepção fica mesmo por conta da Rússia, o time não conseguia pontuar, e acabou derrotado de forma incontestável pela Austrália, apresentando um basquete apático, preso na defesa armada pela seleção da Oceania, com excelente trabalho de garrafão do pivô do Milwaukee Bucks, Andrew Bogut. O time da terra dos Cangurus, aliás, é especialista em obter classificações improváveis nessas competições mundiais, com um basquete sempre no mesmo padrão, um misto americano e europeu, mas sem nenhum brilho individual conseguem no feijão com arroz os resultados essenciais como esse.
Agora é esperar a composição da próxima fase e certamente a luta será para não encontrar os americanos no confronto das quartas-de-finais, dessa vez, pelo menos, os espanhóis estão livres desse confronto, pois em Atenas isso foi determinante para queda do time antes das semis.
O jogo dos EUA, como ficou claro no confronto desse sábado, se encaixa, muito bem contra os espanhóis que jogam um basquete mais técnico e leve, se comparado com os demais europeus. Tantos os armadores, alas e, até os pivôs da Espanha, apostam muito mais na habilidade, característica onde os americanos são praticamente inigualáveis.
Todavia, os prováveis adversários dos americanos, líderes do Grupo B, devem ser os australianos que estão em terceiro no Grupo A, mas pegam a líder e invicta Lituânia no último jogo, enquanto a Croácia, que hoje é a quarta, enfrenta o fraco Irã.
No clássico das duas principais forças do basquete masculino saídas da antiga União Soviética, a Lituânia derrotou a Rússia por 86 a 79 (44 a 41 no primeiro tempo), nesta quinta-feira, e manteve sua invencibilidade no torneio masculino de basquete dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008. Os russos, atuais campeões europeus, se alternaram na liderança com seus ex-compatriotas e eternos rivais por toda a partida e teve grandes atuações do armador JR Holden e do ala Andrei Kirilenko, mas os 15 lances livres desperdiçados em 37 oportunidades lhes custaram caro.
A vitória foi também a vingança da Lituânia, após ser eliminada do EuroBasket 2007 nas semifinais pelos russos. “Foi uma grande vitória, sem dúvida. Ela nos coloca em boa posição para disputar a primeira posição do grupo. Vamos tentar esquecer isto e nos preocupar com a Croácia (adversário do próximo sábado). É o que precisamos fazer em torneios como este, seguir adiante. Estamos levando um jogo de cada vez. Sabemos o que podemos fazer e o que não podemos fazer. Vamos levar um jogo de cada vez e torcer para a sorte estar conosco”, disse o armador Sarunas Jasikevicius, autor de 12 pontos, 5 rebotes e 5 assistências para a Lituânia.
Siskauskas arremessa na corrida; JR Holden salta para uma bandeja
Os lituanos começaram a partida fazendo 9 a 2, mas logo os russos se acertaram e equilibraram o jogo, explorando contra-ataques velozes e lances de infiltração. Após uma bola de 3 de Jasikevicius e uma saída de bola ruim de Bykov, a Lituânia voltou a abrir cinco pontos em uma cesta de Lavrinovic, mas Kirilenko virou o placar com seis pontos seguidos em lances livres. Jasaitis acertou cesta de 2 com 6s no relógio, mas Khryapa sofreu falta ao tentar um chute de 3 no soar da sirene e recebeu falta. Ele converteu dois dos três lances livres para retomar a liderança ao final do primeiro quarto, 24 a 23.
O jogo seguiu muito equilibrado no segundo período, com muitas trocas de liderança, e nenhuma equipe abriu mais de seis pontos de vantagem, feito da Lituânia após cestas de 3 seguidas de Kaukenas e Siskauskas, mas que durou pouco, já que Holden respondeu com um triplo e reduziu para 44 a 41 antes do intervalo. Ele já tinha 15 pontos na partida.
A Lituânia voltou para o terceiro quarto mais determinada, defendendo melhor e jogando mais com as infiltrações e os pivôs. Com isso, arrancou em 8 a 1 para abrir 10 pontos, 52 a 42, sua maior diferença até então. Os russos acordaram e Kirilenko e Holden voltaram a carregar o time; AK conseguiu dois turnovers seguidos e Holden faz cesta de 3 para reduzir a quatro pontos. Butautas pediu tempo, mas o jogo voltou a ficar equilibrado e truncado, com ambas as defesas muito fechadas. Os campeões europeus empataram em 59 pontos, antes de os lituanos recuperaram a pontaria de longa distância, com triplos seguidos de Siskauskas e Jasaitis para arrancar em 9 a 1 e fazer 69 a 60. Holden descontou com dois lances livres antes do último quarto.
Os russos usaram sua forte defesa para reagir. Kirilenko bloqueou dois chutes e a equipe roubou outras duas posses para voltar no jogo e virar para 75 a 73. Entretanto, a equipe parou de acertar arremessos e voltou a errar lances livres, e a Lituânia respondeu com uma arrancada de 11 a 2, voltando à frente por 84 a 77.
Drama até o final: Khryapa marcou de 2 pontos, com falta, e errou o lance livre. Keyru pegou o rebote, mas errou dois arremessos até ser bloqueado por Javtokas. Os times trocaram turnovers e arremessos em seguida, até Jasaitis converter dois chutes de penalidade para selar a vitória lituana.
Kirilenko faz um passe arriscado contra Kleiza; depois, morde a camisa, decepcionado
Jasikevicius reconheceu que os adversários lhes venderam caro o triunfo. “Eles dificultaram as coisas para nós. David (Blatt) é um treinador muito ofensivo. A seleção russa está jogando um basquete muito atraente, muito veloz. Eles criam muitos mismatches porque muitos deles têm exatamente a mesma altura”, disse o armador.
Holden foi o cestinha do jogo com 25 pontos e 5 assistências e Kirilenko, jogador do Utah Jazz da NBA, teve 17 pontos, 6 rebotes, 6 assistências, 6 roubos e 3 tocos, mas a dupla combinou para 13 desperdícios em 29 lances livres, pontos que foram decisivos para a derrota. A Lituânia, por sua vez, acertou 20 de 27 chutes de penalidade, meteu 10 bolas de 3 pontos e dominou os rebotes, 48 a 34. O ala Rimantas Kaukenas marcou três bolas de 3 e foi o melhor pontuador da equipe, com 20 pontos. Ramunas Siskauskas teve 16 pontos, 7 rebotes e 3 roubos e o reserva Kristof Lavrinovic acrescentou 11 pontos. Pela Rússia, o ala Viktor Khryapa, que se recupera de lesão, teve 11 pontos, 9 rebotes e 4 roubos, e o pivô Alexei Savrasenko contribuiu 10 pontos.
O resultado praticamente garante a classificação da Lituânia, líder do Grupo A, às quartas-de-final do campeonato, com uma partida contra a Croácia no sábado que pode decidir a primeira posição da chave. Já a Rússia, com 1v-2d, precisa vencer os próximos dois jogos, contra a Austrália no sábado e Argentina na segunda-feira, para ter melhores chances de vaga na segunda fase. “Não acho que esta derrota vai nos afetar. Estamos decepcionados, mas vamos olhar para nosso jogo contra a Austrália e seguir em frente”, disse Khryapa.
FICHA TÉCNICA
LITUÂNIA (23 + 21 + 25 + 17 = 86)
Sarunas Jasikevicius (12 pts, 5 rebs e 5 asts), Ramunas Siskauskas (16 pts e 7 rebs), Linas Kleiza (4 pts e 11 rebs), Rimantas Kaukenas (20) e Robertas Javtokas (7 pts e 9 rebs). Entraram depois: Simas Jasaitis (9), Jonas Maciulis (7), Krsitof Lavrinovic (11), Marijonas Petravicius (0) e Mindaugas Lukauskis (0). Técnico: Ramunas Butautas
RÚSSIA (24 + 17 + 21 + 17 = 79)
JR Holden (25 pts e 5 asts), Petr Samoylenko (0), Viktor Khryapa (11 pts, 9 rebs e 4 roubos), Andrei Kirilenko (17 pts, 6 rebs, 6 asts, 6 roubos e 3 tocos) e Alexei Savrasenko (10). Entraram depois: Victor Keyru (5), Sergey Bykov (2), Sergey Monya (3), Zahar Pashutin (2), Andrey Vorontsevich (2) e Nikita Morgunov (2). Técnico: David Blatt
A Rússia fez o “dever de casa” e derrotou a fraca seleção do Irã neste domingo, 71 a 49 (38 a 22 no primeiro tempo), na estréia pelo torneio masculino de basquete dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008. Os iranianos formam o time mais fraco do Grupo A, e vencê-los era considerado obrigação para os atuais campeões europeus, de quem se espera briga por medalhas na competição.
Os russos não demoraram a fazer valer sua superioridade técnica em ambos os lados e marcou 10 pontos consecutivos para abrir 15 a 5. O técnico iraniano pediu tempo, mas não adiantou: seu time seguiu cometendo erros na frente - nove turnovers e duas cestas em oito arremessos - e cedendo contra-ataques. A série de pontos seguidos foi a 19 e os russos terminaram o primeiro período com 24 a 5 no placar.
Em menos de quatro minutos de segundo quarto, os iranianos já haviam superado seu total de pontos dos 10 primeiros minutos e aproveitou das constantes mudanças no time adversário para buscar rebotes ofensivos e arrancar em 9 a 2, reduzindo a diferença a 28 a 18. O técnico americano da Rússia, David Blatt, não gostou de ver a reação do adversário e pediu tempo. O jogo ficou mais pegado e o Irã voltou a cometer erros, enquanto os russos encaixavam oito pontos seguidos e recuperaravam uma margem mais confortável de 18 pontos. Os campeões europeus foram ao intervalo à frente por 38 a 22, já tendo forçado 13 turnovers do rival. Kirilenko já tinha 13 pontos e JR Holden, 10.
Holden passa por Afagh; Kirilenko tenta passar por Samad Nikkhah
O time asiático voltou bem no terceiro quarto e fez sete pontos seguidos, reduzindo a diferença a 11. Holden acabou com a seca russa em uma bandeja, mas os iranianos seguiram arrancando, fazendo 7 a 2 para chegar a 10 pontos novamente, 46 a 36, em uma cesta no garrafão do pivô Ehadadi. Blatt pediu outro tempo, a 1min26s do final do período, mas Nikkhah aproveitou um turnover russo para fazer uma bandeja e diminuir a 46 a 38 antes do quarto final; a Rússia foi salva pelo gongo após marcar apenas oito pontos na parcial.
“Foi nosso primeiro jogo e estávamos um pouco nervosos. Irã pôs um pouco de pressão em cima de nós, mas no geral, jogamos bem e conseguimos a vitória que queríamos”, disse Holden.
O tempo entre quartos foi ideal para os europeus sossegarem e voltarem melhor. Novamente pressionando bastante na defesa, a equipe forçou três turnovers seguidos e arrancou em 8 a 3 para fazer 54 a 41. Os iranianos não desistiam e Kamrani acertou de 3 pontos para reduzir novamente a 10 pontos. No entanto, os russos continuaram pressionando e marcaram dois triplos consecutivos, com Holden e Bykov, para abrir 60 a 44 a 5min18s do final. Após tempo do Irã, os russos administraram a vantagem até o final da partida, com direito a cesta de 3 do reserva Fridzon para encerrar o jogo.
O gigante Ehadadi faz a cesta para o Irã; Kirilenko enterra e recebe falta no primeiro tempo
O Irã cometeu 22 turnovers e acertaram apenas 11 de 31 arremessos de 2 pontos, duas estatísticas que foram decisivas na partida. Os russos tiveram 56% de aproveitamento nos chutes dentro da linha de 3 e só perderam 10 posses de bola. O americano naturalizado russo JR Holden foi o cestinha, com 19 pontos, e o ala Andrei Kirilenko acrescentou 17 pontos e cinco rebotes. Apesar de sua condição de americano jogando pela nação herdeira do ex-arquirival dos EUA, a antiga União Soviética, Holden não recebeu as mesmas críticas que a armadora Becky Hammon, outra jogadora de origem da terra do Tio Sam que está representando a terra de Lênin nas Olimpíadas.
“Eu gosto muito da Becky e acho que ela é uma garota muito legal. Tem sido duro para ela. A diferença entre eu e ela é que Becky joga na WNBA (nos EUA), e eu não”, disse o armador, que joga pelo CSKA Moscou e cuja grafia do nome foi alterada para Dzhon-Robert Kholden no idioma russo.
Pelo Irã, Samad Nikkhah teve 16 pontos e quatro rebotes, o reserva Mahdi Kamrani fez 11 pontos e o pivô Hamed Ehadadi teve 9 pontos e 8 rebotes.
FICHA TÉCNICA
RÚSSIA (24 + 14 + 8 + 25 = 71)
JR Holden (19 pontos), Sergei Bykov (9), Viktor Khryapa (8), Andrei Kirilenko (15 pts, 5 rebs, 3 tocos) e Alexei Savrasenko (11 pts e 4 asts). Entraram depois: Andrey Vorontsevich (0), Nikita Morgunov (0), Zakhar Pashutin (2), Sergey Monya (2 pts e 6 rebs), Vitaly Fridzon (3) e Victor Keyru (2). Técnico: David Blatt
IRÃ (5 + 17 + 16 + 11 = 49)
Amir Amini (0), Hamed Afagh (8), Oshin Sahakian (2), Samad Nikkhah (16) e Hamed Ehadadi (9pts e 8 rebs). Entraram depois: Ali Doraghi (3 pts e 5 rebs), Javad Davari (0), Mahdi Kamrani (11), Saeid Davarpanah (0) e Iman Zandi (0). Técnico: Rajco Toroman
As jogadoras do basquete feminino se pouparam, já que estréiam nesta madrugada de sexta para sábado, mas os astros do basquete masculino marcaram presença na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, nesta sexta-feira pela manhã. Cinco delegações vieram com jogadores de basquete como porta-bandeiras, e várias outras tiveram craques da NBA e do basquete internacional empolgados por participarem da festa.
O primeiro grande nome a conduzir a delegação de seu país pelo estádio Ninho de Pássaro foi o armador Sarunas Jasikevicius, que foi porta-bandeira da Lituânia. Depois, Manú Ginóbili (Argentina), Andrei Kirilenko (Rússia) e Dirk Nowitzki (Alemanha) levaram as bandeiras de seus respectivos países, antes do pivô Yao Ming, jogador do Houston Rockets e maior símbolo esportivo da China, encerrar os desfiles empunhando a bandeira do país-anfitrião. No meio disso tudo, astros da Espanha, Estados Unidos, Croácia e outros passaram pela festa. Os americanos vieram isolados, no final do desfile de sua delegação, mas não passaram desapercebidos.
Confira nossa matéria especial sobre os craques basqueteiros presentes ao evento:
Veja também a galeria especial de fotos, todas de propriedade da NBAE/Getty Images:
Desde que a União Soviética, uma potência internacional em todos os sentidos, se desmantelou no início da década de 90, dando origem a várias nações independentes, a Rússia, país central da antiga liderança do Bloco Comunista e maior herdeira soviética, não conseguiu repetir o antigo sucesso no basquete. Enquanto os soviéticos foram campeões mundiais várias vezes e campeões olímpicos em 1972, os russos foram caindo de produção e só participaram dos Jogos Olímpicos uma vez, em 2000, quando terminaram na oitava posição. Nesta década, apesar de ter jogadores de qualidade fazendo a ponte para a NBA, ficou de fora dos Jogos de Atenas-2004 e do Mundial de 2006.
Decepcionados com a série de maus resultados, os russos apelaram para um técnico dos Estados Unidos, ex-arquirival dos tempos de Guerra Fria. David Blatt foi escolhido por seu vasto currículo vencedor em grandes clubes da Europa, como Benetton Treviso e Maccabi Tel-Aviv. O treinador montou um time com vários jogadores desconhecidos e precisou classificar a equipe ao EuroBasket. A seleção estava desacreditada e teve algumas dificuldades durante as eliminatórias; após uma derrota para a Bélgica, Blatt pediu raça e coração aos seus jogadores.
Uma vez que chegou à Espanha, porém, a seleção russa se transformou. A equipe venceu seus três jogos de grupo e começou a chamar a atenção do mundo quando derrotou a campeã européia de 2005 e atual vice mundial, Grécia, por 61 a 53. Na segunda fase de grupos, os russos continuaram jogando bem e só perderam para a Espanha, ficando em segundo lugar na chave após superar a forte seleção da França, do armador Tony Parker, graças ao péssimo aproveitamento do adversário nos lances livres.
A “sorte de campeão” deu as caras em seguida, já que o time teve um dia de folga enquanto a Lituânia, invicta e melhor time do torneio até então, batia a forte Croácia para se classificar à semifinal, que aconteceria no dia seguinte. Exaustos, os lituanos foram vítimas da defesa agressiva da Rússia e caíram em desvantagem de 19 pontos. O time conseguiu reagir e empatar, mas não virou o placar. O resultado deu ao país sua primeira final européia desde 1993 e a vaga em Pequim.
Na final, veio a revanche contra a campeã mundial e anfitriã do torneio, Espanha, que esteve à frente no placar pela maior parte do jogo, mas não conseguiu abrir distância. A Rússia se segurou atrás por um ponto até os últimos segundos, quando o americano naturalizado russo JR Holden acertou um arremesso que bateu no aro e na tabela antes de cair. Pau Gasol ainda tentou responder no último lance, mas o ala Andrei Kirilenko contestou o arremesso e o espanhol errou.
“É uma vitória de Davi contra Golias. Encaramos a fera, a nocauteamos e vencemos”, comemorou Blatt, que recebeu a gratidão eterna de Kirilenko; o lateral vinha de uma temporada ruim pelo Utah Jazz, mas fez grande participação no torneio.
Andrei Kirilenko comemora o título europeu conquistado pela Rússia no ano passado
Agora é a vez de os russos provarem que o título de 2007 não foi uma farsa. A equipe está no grupo menos complicado do torneio, Grupo A, ao lado de Argentina, Lituânia, Croácia, Austrália e Irã, e conta com um elenco parecido ao do ano passado, formado com base nos gigantes russos CSKA Moscou, atual campeão da Euroleague, e Dynamo Moscou - são nove jogadores combinando os dois. Os destaques são Kirilenko, líder da equipe, o ala Sergey Monia, que joga no Dynamo e teve passagem pela NBA, o armador Samolyenko e os pivôs Aleksei Savrasenko e Nikita Morgunov. Porém, um dos maiores astros da seleção, o ala Viktor Khryapa, ficará de fora com uma lesão no tornozelo.
Participações em Olimpíadas: 1952, 1956, 1960, 1964, 1968, 1972, 1976, 1980, 1988 (como URSS), 1992 (como CEI), 2000 e 2008 (como Rússia) Participações em Mundiais: 1959, 1963, 1967, 1970, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990 (como URSS), 1994, 1998 e 2002 Ranking da Fiba: 16º colocado Últimas Olimpíadas (Atenas-2004): Não participou Campeonato Mundial (Japão-2006): Não participou EuroBasket (Espanha-2007): Campeão
Técnico: David Blatt
Blatt é uma lenda no basquete italiano, onde foi apelidado de “Mago” e “Alquimista” por seu trabalho com o Benetton Treviso, onde foi campeão da Lega A e da Copa Itália. Com o Dynamo Saint Petersburg, da Rússia, também conquistou a Fiba Europe League, e no ano passado esteve no Efes Pilsen Istambul antes de largar o clube turco no meio da temporada. O título europeu com a Rússia, porém, foi seu melhor momento na carreira, e a expectativa por mais um feito histórico em Pequim é grande. Blatt, nascido nos EUA mas naturalizado israelense, também treinou o Maccabi Tel-Aviv.
Os convocados:
Sergey Monia - Ala - 2,02m - 15/4/1983 - Dynamo Moscou (RUS)
JR Holden - Armador - 1,85m - 10/8/1976 - CSKA Moscou (RUS)
Sergey Bykov - Ala-armador - 1,90m - 26/2/1983 - Dynamo Moscou (RUS)
Andrei Kirilenko - Ala-pivô - 2,05m - 18/2/1981 - Utah Jazz (EUA)
Nikita Morgunov - Ala-pivô - 2,11m - 29/6/1975 - Khimki Moscou (RUS)
Zakhar Pashutin - Ala-armador - 1,96m - 3/5/1974 - CSKA Moscou (RUS)
Aleksei Savrasenko - Pivô - 2,15m - 28/2/1979 - CSKA Moscou (RUS)
Victor Keyru - Ala - 2,00m - 31/1/1984 - Dynamo Moscou (RUS)
Vitaly Fridzon - Ala-armador - 1,95m - 14/10/1985 - Khimki Moscou (RUS)
Andrei Vorontsevich - Ala-pivô - 2,04m - 17/7/1987 - CSKA Moscou (RUS)
Alexander Kaun - Pivô - 2,11m - 8/5/1985 - CSKA Moscou (RUS)
Petr Samoylenko - Armador - 1,85m - 7/2/1977 - Dynamo Moscou (RUS)
O armador JR Holden em ação pelo CSKA Moscou
História Olímpica da Rússia no Basquete
A Rússia é considerada herdeira dos feitos da antiga União Soviética, já que era o país central do ex-Estado maior do “Bloco Comunista”, que fazia frente ao “Bloco Capitalista” dos EUA durante a Guerra Fria. A URSS também foi o país que mais desafiou os americanos no basquete olímpico. A seleção não participou das duas primeiras edições do torneio, mas a partir de Helsinque-1952, foi a todas as edições até seu desmantelamento, no início da década de 90. A União Soviética amargou quatro vice-campeonatos seguidos e uma medalha de bronze na Cidade do México-1968, em que bateu o Brasil na decisão de terceiro lugar, antes de enfim quebrar seu tabu contra os americanos em um dos jogos mais polêmicos da história do basquete.
Os americanos haviam vencido as sete primeiras edições do torneio e levaram uma invencibilidade de 62 jogos à decisão em Munique-1972. Parecia que mais um ouro seria dos americanos quando tomaram a ponta, 50 a 49, com 3s restando por jogar. Os soviéticos saíram com a bola logo em seguida, mas o árbitro brasileiro Renato Righetto apitou com um segundo restando: o técnico soviético Vladimir Kondrashin havia pedido tempo. A URSS recebeu uma segunda chance de sair com a bola, mas o fez mal, forçando um arremesso de longe no desespero que errou, e os americanos começaram a celebrar.
Entretanto, Kondrashin protestou que o relógio do jogo não havia sido reiniciado corretamente com 3s, e o secretário geral da Fiba, o britânico Renato Williams Jones, decidiu que o apelo fosse atendido e voltou o relógio, embora não tivesse autoridade para isso. Na terceira chance, os soviéticos colocaram a bola nas mãos de Aleksandr Belov, que fez a cesta do triunfo soviético. Revoltados e sentindo-se roubados, os americanos não subiram ao pódio e até hoje não aceitaram a medalha de prata. Renato Righetto e o responsável pela marcação dos pontos não assinaram a súmula após a partida, protestando contra a decisão de Jones. Os EUA fizeram um protesto oficial, mas um painel de cinco pessoas decidiu em favor dos soviéticos; a votação foi influenciada pela divisão da Guerra Fria, com os aliados americanos Porto Rico e Itália votando a favor do protesto e Hungria, Cuba e Romênia, do Bloco Comunista, apoiando a URSS. Era a primeira medalha de ouro olímpica da equipe.
Em Montreal-1976, aguardava-se uma revanche entre soviéticos e americanos, mas quem teve sua revanche foi outro país, a Iugoslávia, que derrotou a URSS na semifinal para vingar o vice-campeonato no Mundial de 1970. Em Moscou-1980, os soviéticos desperdiçaram uma grande chance de conquistar outro ouro: os Estados Unidos boicotaram o torneio em reação à invasão do Afeganistão, mas os anfitriões da Olimpíada perderam duas vezes na segunda fase, para Iugoslávia e Itália, e tiveram de se contentar em derrotar a Espanha pelo terceiro lugar e a medalha de bronze. Em Los Angeles-1984, foi a vez de os soviéticos boicotarem o torneio organizado pelos americanos.
A segunda medalha de ouro olímpica finalmente veio em Seul-1988, quando o time contava com um trio de astros lituanos que mais tarde jogariam na NBA: Sarunas Marciulionis, Arvydas Sabonis e Rimas Kurtinaitis. A URSS fez uma bela campanha e superou os americanos novamente, desta vez nas semifinais, por 82 a 76, graças a uma forte defesa que forçou muitos erros e arremessos ruins dos EUA. Na final, os soviéticos vingaram a derrota para a Iugoslávia na primeira fase e derrotaram o rival com certa facilidade, por 76 a 63.
A queda da União Soviética resultou em diversos novos países independentes, mas 11 desses novos países formaram a Comunidade dos Estados Independentes, ou CEI, no final de 1991 para supervisionar o processo de separação. Quando chegou o momento de enviar equipes para os Jogos de Barcelona-1992, os países resolveram competir sob a bandeira da Comunidade. A CEI fez uma boa campanha na primeira fase, mas foi eliminada pela Croácia na semifinal e derrotada pela Lituânia - uma das ex-nações da URSS, contando com os mesmos Marciulionis, Sabonis e Kurtinaitis que levaram os soviéticos ao ouro em 88. O triunfo foi celebrado como um tipo de vingança dos lituanos pelos anos submetidos aos mandos e desmandos do Estado socialista.
Desde então, entretanto, a única participação dos russos numa Olimpíada foi em 2000, em Sydney. A seleção perdeu para a Iugoslávia na estréia e para a Austrália durante a primeira fase, mas derrotou Espanha, Angola e Canadá para terminar em quarto lugar no Grupo B. Nas quartas-de-final, o time pegou os Estados Unidos e esteve longe de ameaçar da mesma forma que nos tempos de URSS, sendo eliminada com um revés por 85 a 70. O time terminou em oitavo lugar após uma derrota para o Canadá.
Tabela Olímpica (Horários de Brasília)
9 de agosto - Rússia x Irã (22h)
12 de agosto - Rússia x Croácia (0h15min)
14 de agosto - Rússia x Lituânia (5h45min)
16 de agosto - Rússia x Austrália (0h15min)
18 de agosto - Rússia x Argentina (11h15min)
Amistosos antes dos Jogos
68 x 89 EUA
56 x 91 Espanha
86 x 64 Portugal
A seleção lituana chega para as Olimpíadas não tão forte como nas últimas edições, mas mesmo assim tem um elenco respeitável e capaz de brigar por medalhas nas quadras chinesas. O time do técnico Ramunas Butautas é um dos mais experientes destes Jogos Olímpicos e vem de bons resultados nas últimas competições importantes que disputou. O resultado mais expressivo foi no último EuroBasket, disputado no ano passado. A equipe lituana surpreendeu a todos e conseguiu a medalha de bronze e uma vaga olímpica, sem necessitar da repescagem. O time do Leste Europeu derrotou seleções como Grécia, Alemanha, Croácia, França e Eslovênia, terminando a competição com oito vitórias e apenas uma derrota.
Desde então, a equipe de Butautas vem treinando forte para as Olimpíadas. Nos amistosos preparatórios, a Lituânia passou sem dificuldades por Portugal, Bielorússia e Islândia e conseguiu uma vitória expressiva contra a forte Argentina. Entretanto, o time tomou uma surra preocupante da atual campeã mundial, a Espanha. O time lituano é centrado na estrela Sarunas Jasikevicius. O armador de 32 anos foi premiado o melhor jogador do basquetebol europeu em 2006 e rumou para a NBA. No basquetebol americano, Jasikevicius não se adaptou e voltou para o Velho Continente neste ano. A mudança fez bem para o armador, que reencontrou seu melhor jogo no Panathinaikos, da Grécia.
Jasikevicius foi um dos destaques dos Jogos de Atenas-2004
Além dele, outros destaques individuais do esquadrão lituano são Linas Kleiza, Ramunas Siskauskas e Robertas Javtokas. Kleiza tem apenas 23 anos, é um dos mais novos atletas do elenco, mas já mostra personalidade. Ele é um dos jogadores essenciais do Denver Nuggets, da NBA, e também da seleção lituana. Já Siskauskas e Javtokas atuam no basquetebol russo. O primeiro é considerado um dos melhores armadores da Europa, já o segundo desenvolveu muito bem seu jogo pelo Dínamo Moscou e, na ausência do gigante Zydrunas Ilgauskas, é o líder do garrafão lituano.
Robertas Javtokas em lance do EuroBasket do ano passado
Ausências, esta palavra ainda dói quando ouvida pelo técnico Ramunas Butautas. Isso porque ele não poderá contar com dois jogadores essenciais em seu esquema para estes Jogos. O primeiro é o já citado Ilgauskas, que não recebeu a liberação do Cleveland Cavaliers. Já o outro é o ala-armador Arvydas Macijauskas, uma das estrelas na campanha olímpica de 2004. Ele sofreu uma lesão no calcanhar esquerdo e teve de ser cortado. O que facilita a vida lituana é o grupo que a seleção caiu na primeira fase. O time verde, amarelo e vermelho está na chave A, a mais fraca destas Olimpíadas. A equipe brigará pelo primeiro lugar do grupo com a Argentina e Rússia. O time ainda enfrentará na primeira fase Irã, Croácia e Austrália.
Participações em Olimpíadas: 1992, 1996, 2000, 2004 e 2008 Participações em Mundiais: 1998 e 2006 Ranking da FIBA: 5ª colocada Últimas Olimpíadas (Atenas-2004): 4º lugar Campeonato Mundial (Japão-2006): 7º lugar EuroBasket (Espanha-2007): 3º lugar
Técnico: Ramunas Butautas
Ramunas Butautas já conhece muitos dos jogadores da seleção lituana por tê-los comandado nas categorias de base na primeira metade da década. Sob sua batuta, o time Sub-20 foi vice-campeão mundial júnior em 2003, e dois anos mais tarde ele guiou a equipe Sub-21 ao título mundial na Argentina. Filho do legendário jogador/treinador lituano Stepas Butautas, Ramunas assumiu a seleção principal quando Antanas Sireika pediu demissão após o Mundial do Japão-2006. Em seu primeiro torneio, a Lituânia conquistou o bronze no EuroBasket-2007, surpreendendo a vice-campeã mundial Grécia. O time poderia até ter chegado à final da competição se não tivesse disputado a semifinal um dia após bater a Croácia nas quartas, enquanto seu adversário, a Rússia, teve um dia de folga.
Os convocados:
Rimantas Kakenas - Armador - 1,92m – 11/4/1977 – Montepaschi Siena (ITA)
Sarunas Jasikevicius - Armador - 1,92m – 5/3/1976 – Panathinaikos (GRE)
Mindaugas Lukaskis - Ala-armador - 1,98m – 19/5/1979 –Lietuvos Rytas (LIT)
Ramunas Siskauskas - Ala-armador - 1,98m – 10/9/1978 – CSKA Moscou (RUS)
Jonas Maciuluis - Ala - 2,00m – 10/2/1985 – Zalgiris Kaunas (LIT)
Simas Jasaitis - Ala - 2,00m – 26/3/1982 – DKV Joventut Badalona (ESP)
Linas Kleiza - Ala - 2,03m – 3/1/1985 – Denver Nuggets (EUA)
Darius Songaila - Ala-pivô - 2,05m – 14/2/1978 – Washington Wizards (EUA)
Ksystof Lavrinovic - Ala-pivô - 2,10m – 1/11/1979 – Montepaschi Siena (ITA)
Darjus Lavrinovic - Pivô - 2,12m – 1/11/1979 – Dynamo Moscou (RUS)
Marijonas Petravicius - Pivô - 2,07m – 24/10/1979 – Lietuvos Rytas (LIT)
Robertas Javtokas - Pivô - 2,10m – 20/3/1980 – Dynamo Moscou (RUS)
Histórica Olímpica da Lituânia no basquete masculino
A Lituânia se filiou à FIBA apenas em 1992, entretanto em pouco tempo de filiação e de independência, a Lituânia já tem mais história nas Olimpíadas do que muito país que disputa os Jogos há anos. No mesmo ano em que se filiou, a Lituânia participou da Olimpíada de Barcelona, na Espanha. O time, que tinha como estrela o pivô Arvydas Sabonis, fez bonito e conseguiu a medalha de bronze, ficando atrás apenas do famoso “Dream Team” americano e da Croácia.
Quatro anos depois a Lituânia voltou a mostrar sua força. O time do Leste Europeu brilhou nas quadras de Atlanta e abocanhou mais uma medalha, novamente a de bronze. A equipe lituana viu os americanos ficarem novamente na frente, seguidos da antiga Iugoslávia. Em 2000, na Olimpíada de Sydney, a Lituânia teve sua melhor campanha e ficou muito perto de fazer história. Após ganhar quatro dos seis jogos que disputou entre primeira fase e quartas-de-final, a equipe, liderada por Zydrunas Ilgauskas e Sarunas Jasikevicius, fez uma batalha épica contra os Estados Unidos nas semifinais e por pouco não derrotou os americanos. Na disputa do terceiro lugar, o time venceu os anfitriões australianos e conquistaram sua terceira medalha de bronze seguida.
Já em Atenas-2004, a Lituânia, pela primeira vez em sua história, voltou para casa sem medalha. A equipe fez uma belíssima campanha, vencendo todos os seus confrontos até as semifinais. Na disputa de quem iria enfrentar a Argentina na grande final, a favorita Lituânia sucumbiu, perdeu para a Itália por 100 a 91 e foi para a disputa do bronze. No duelo pelo terceiro lugar, os lituanos perderam para os Estados Unidos, a quem tinham vencido na primeira fase, e terminaram no quarto posto.
Tabela Olímpica (Horários de Brasília)
10 de agosto - Lituânia x Argentina (5h45min)
12 de agosto - Irã x Lituânia (22h)
14 de agosto - Lituânia x Rússia (5h45min)
16 de agosto - Croácia x Lituânia (3h30min)
18 de agosto - Lituânia x Austrália (0h15min)
Amistosos antes dos Jogos
90 x 61 vs. Portugal
113 x 57 vs. Bielorússia
115 x 62 vs. Islândia
105 x 67 vs. Islândia
94 x 75 vs. Argentina
66 x 91 vs. Espanha
Como era de se esperar, a campeã européia Rússia foi a adversária que deu mais trabalho à seleção americana na série de amistosos preparatórios para as Olimpíadas de Pequim, mas a vitória da constelação de astros da NBA por uma boa vantagem de 89 a 68 neste domingo em Xangai mostra que o projeto dos EUA de recuperar o ouro olímpico perdido em Atenas-2004 está caminhando de vento em popa, embora eles tenham sofrido em alguns momentos contra a forte equipe russa comandada pelo ala-pivô do Utah Jazz Andrei Kirilenko. Kobe Bryant (foto) foi o cestinha da partida com 19 pontos. Uma das atitudes corretas para voltar ao topo do pódio é não dar espaço para o excesso de confiança.
“Não vejo que ninguém possa ganhar facilmente o ouro nos Jogos Olímpicos. Nós passamos os últimos três anos juntos e estamos encantados pelas partidas internacionais”, disse o técnico Mike Krzyzewski numa entrevista em Xangai antes do duelo contra os russos, ressaltando que os americanos já estão mais habituados às regras diferentes da Fiba com relação à NBA.
O ataque americano esbarrou no paredão russo em diversas ocasiões e pela primeira vez não chegou à contagem centenária após arrasar Canadá (120 a 65), Turquia (114 a 82) e Lituânia (120 a 84), mas em compensação a atitude defensiva da equipe do Coach K está muito melhor do que em anos anteriores, os EUA não deixou chegar aos 70 pontos um dos times mais fortes do Grupo A das Olimpíadas, mas vale lembrar que em um amistoso no dia a seleção russa foi massacrada pela Espanha por 91 a 56 no último jogo do Torneio de Extremadura (ESP), no dia 22 de julho, com os russos desfalcados de um dos seus melhores jogadores, Viktor Khryapa. Os atuais campeões mundiais e a Grécia, além da campeã olímpica Argentina, se apresentam como os rivais com maiores condições de concorrer com os americanos pelo ouro.
Na sua chegada em Xangai, o astro do Los Angeles Lakers Kobe Bryant declarou à agência de notícias chinesa Xiuhua que estava “emocionado por participar dos Jogos Olímpicos”. “Estou desejando ter boas atuações nas partidas preparatórias de Xangai (contra Rússia e contra a Austrália na terça-feira às 9h de Brasília) para chegar pronto às Olimpíadas”, comentou o MVP (Jogador Mais Valioso) da NBA ansioso pela estréia em Pequim no dia 10 contra a China de Yao Ming, na rodada inaugural do grupo mais forte dos Jogos que conta ainda com Espanha, Grécia, Alemanha e Angola.
A atuação dos norte-americanos neste domingo foi a menos impressionante na série de amistosos. O time marcou apenas 17 pontos no segundo quarto e viu os russos diminuírem a diferença para oito pontos no terceiro período, LeBron James foi eliminado com cinco faltas na etapa final, mas mesmo assim os EUA ganharam por uma boa margem no placar. Em sua melhor exibição ofensiva pela seleção nessas quatro vitórias, Kobe Bryant tirou os EUA da zona de perigo marcando 12 de seus 19 pontos no decisivo terceiro quarto. Mas não foi outro show dominante cheio de jogadas de efeito como nas três partidas anteriores, o Team USA pareceu incomodado com a defesa russa.
Kobe salta para a cesta contra a marcação por zona da Rússia
No segundo quarto, a Rússia adotou uma defesa por zona que estancou o ataque em meia-quadra dos americanos, que tiveram sua menor pontuação em uma parcial nesta série de amistosos, oito pontos a menos do que os EUA marcaram em qualquer outro período anterior. E na terceira etapa os russos utilizaram efetivamente um ataque rápido que criou algumas oportunidades de cestas nas costas dos americanos, por duas ocasiões a diferença esteve em apenas oito pontos antes de Bryant esquentar a mão e carregar o time à vitória. O ala do Denver Nuggets Carmelo Anthony contribuiu com 17 pontos e o ala-armador do Miami Heat Dwyane Wade fez 16. Nas três “goleadas” anteriores, os Estados Unidos tinham obtido uma média de 118 pontos por jogo e 66% de aproveitamento no ataque, mas neste domingo acertou “apenas” 56% de seus arremessos de quadra.
“No ataque nós parecemos um pouco fora de sintonia”, admitiu o técnico Mike Krzyzewski.
Novamente os Estados Unidos comandaram o placar do primeiro ao último minuto, nesses amistosos só estiveram atrás no placar contra a Turquia no primeiro quarto antes de abrirem uma grande diferença no placar ainda no segundo período. O técnico Krzyzewski deixou claro que teria uma preocupação defensiva maior contra a Rússia ao colocar em quadra ainda no primeiro quarto o ala do Detroit Pistons Tayshaun Prince, que havia jogado pouco nas três primeiras partidas, mas é muito respeitado na NBA principalmente por seu poder de marcação. Kirilenko também mostrou sua força dando um toco no arremesso de Carmelo Anthony, mas os americanos começaram bem como já haviam feito contra a Lituânia na sexta-feira e abriram uma vantagem de 29 a 17 com uma cesta de três do armador do Utah Jazz Deron Williams faltando quatro segundos no quarto inicial.
O público de 14.523 espectadores que lotou a Arena Qhizong, construída inicialmente para receber jogos de tênis, claramente torcia pelo time americano, e Bryant era o favorito dos fãs, que entoaram cânticos de “MVP, MVP” enquanto ele chutava lances livres logo no início do jogo, vaiaram quando a arbitragem apitou uma falta de ataque do ala-armador do Lakers no segundo período, e geralmente gritavam interjeições de admiração cada vez que ele fazia um arremesso. Kobe ainda não tinha encontrado seu melhor ritmo no ataque na turnê pela China, anotando em média apenas 11,7 pontos por jogo, sexta média da equipe, preferindo focar mais seus esforços na função de marcar o melhor arremessador do perímetro do time adversário. Mas o impacto ofensivo do maior cestinha dos playoffs 2008 foi necessário neste domingo, já que a defesa russa estava bem postada para evitar o jogo de transição rápida dos EUA e Kobe é o melhor “atacante” dos EUA no jogo de meia-quadra no cinco-contra-cinco.
A Rússia equilibrou as ações no segundo quarto e manteve a diferença em torno dos 10 pontos na maior parte do período, antes de Wade dar aos americanos uma folga um pouco mais confortável antes do intervalo. A fera do Miami acertou um arremesso suave na corrida seguido de um roubo de bola e enterrada abrindo 43 a 29, e um ponto de lance livre dele no segundo final estendeu a vantagem para 46 a 31 na metade do jogo. Na terceira etapa, uma bola de três de Kobe deu aos EUA uma boa vantagem de 20 pontos, mas a Rússia reagiu e dois minutos depois a diferença já estava em 12, depois caiu para oito, mas Bryant respondeu fazendo as três cestas seguintes e depois disso os russos não chegaram mais perto. Wade e Michael Redd combinaram os últimos 10 pontos da parcial aumentando a vantagem para 71 a 51, daí bastou administrar a folga no último quarto. O armador americano naturalizado JR Holden anotou 17 pontos pela Rússia.
FICHA TÉCNICA
RÚSSIA (17 + 14 + 20 + 17 = 68)
JR Holden (17 pontos e 7 rebotes), Sergei Monia (5 pts), Sergey Bykov (6), Andrei Kirilenko (18 pts, 8 rebs, 4 asts) e Nikita Morgunov (4). Entraram depois: Zakhar Pashutin (2), Aleksei Savrasenko (6), Victor Keyru (4), Vitali Fridzon (4), Andrei Vorontsevich (2), Alexander Kaun (0) e Petr Samoilenko.
Técnico: David Blatt
ESTADOS UNIDOS (29 + 17 + 25 + 18 = 89)
Jason Kidd (0), Kobe Bryant (19), LeBron James (10 pts e 6 rebs), Carmelo Anthony (17 pts e 7 rebs) e Dwight Howard (5). Entraram depois: Carlos Boozer (2), Deron Williams (5 pts e 9 asts), Michael Redd (6), Dwyane Wade (16 pts, 5 rebs, 3 roubos), Chris Bosh (3), Chris Paul (4) e Tayshaun Prince (2).
Técnico: Mike Krzyzewski
Campeão europeu e candidato ao ouro em Pequim, ala russo tem acordo com a mulher para fazer sexo fora do casamento uma vez por ano
Quando a musa Yelena Isinbayeva passou o posto de porta-bandeira da Rússia para o jogador de basquete Andrei Kirilenko, a cerimônia da abertura das Olimpíadas de Pequim perdeu em beleza, mas ganhou em folclore. O craque do Utah Jazz não leva na mala apenas o título europeu de seleções, mas também um curioso acordo com sua mulher, Masha, que o libera uma vez por ano para fazer sexo fora do casamento.
Filha do ex-jogador russo Andrei Lopatov, Masha Kirilenko já foi uma cantora pop famosa no país. Nem por isso teve vergonha de se expor numa entrevista há dois anos.
“Quando eu fico sabendo e permito que ele faça, não é traição. O que é proibido aumenta o desejo. Os atletas, especialmente os homens, são muito receptivos a essas oportunidades. É como criar uma criança. Se eu digo ao meu filho “sem pizza, sem pizza, sem pizza”, o que ele vai querer? Pizza, claro”, explicou Masha na época.
Fuzil no apelido e versatilidade na quadra
Como se não bastasse o casamento pouco ortodoxo, Kirilenko ainda adotou na NBA um apelido bélico e politicamente incorreto: AK-47. A abreviação do fuzil soviético Avtomat Kalashnikov também representa as iniciais do jogador e o número que ele usa no uniforme.
Mas a carreira de Andrei vai muito além do folclore. Considerado um dos jogadores de basquete mais versáteis do mundo, ele liderou a Rússia no último Europeu de seleções e conquistou o título, garantindo a vaga em Pequim. O resultado credencia o país como um dos candidatos ao ouro nas Olimpíadas, ao lado de Estados Unidos, Espanha, Argentina e Grécia.
Aos 27 anos, o ala defende o Utah Jazz, da NBA, mas já tinha brilhado na Europa antes de se transferir para os Estados Unidos. Em 2001, pelo CSKA Moscou, ele foi o segundo jogador da história da Euroliga a conseguir um triplo-duplo, ou seja, passar de 10 em três fundamentos do jogo. No ano passado, foi eleito o melhor jogador da Europa após conquistar o título com a Rússia.
Nas Olimpíadas de 2000, em Sydney, Kirilenko amargou um oitavo lugar. Agora, em Pequim, ele tenta um ouro inédito em sua carreira para consolidar novamente a Rússia na elite do basquete mundial. E, quem sabe, ampliar o acordo com Masha.
Palavra de especialista:
“Andrei Kirilenko é um dos jogadores mais completos da posição 3. A versatilidade é o seu ponto forte: defende, pontua e passa com praticamente a mesma eficiência, quase sempre beirando o triplo-duplo e, às vezes, até o quádruplo-duplo. Foi o MVP na conquista do Europeu de basquete pela Rússia, vencendo a Espanha em plena Madri. É um dos principais nomes do Utah Jazz depois da saída de John Stockton e Karl Malone. Se todos os grandes astros renderem o esperado nas Olimpíadas, Kirilenko só não entra na seleção dos Jogos por causa de um tal LeBron James…” - Roby Porto, narrador e comentarista de basquete do SporTV.