November 24, 2008

Oscar Robertson, um dos melhores jogadores da história, faz 70 anos

Filed under: Extraquadra, NBA — Tags: , , , , — Adriano Albuquerque @ 4:51 pm

Um dos melhores jogadores de basquete de todos os tempos chegou aos 70 anos nesta segunda-feira, 24 de novembro de 2008: o ex-armador Oscar Robertson, o “Big O”, considerado um dos jogadores mais versáteis da história e responsável por um feito mítico, até hoje jamais igualado, um triplo-duplo em média estatística por toda uma temporada.

A obra-prima da carreira de Robertson foi realizada em 1961-62, quando anotou 30,8 pontos, 12,5 rebotes e 11,4 assistências por jogo pelo Cincinnati Royals, uma das antigas versões do atual Sacramento Kings. Foi a jóia de seus cinco primeiras temporadas na NBA, em que produziu 30,3 pontos, 10,4 rebotes e 10,6 assistências por jogo em um espaço de 384 partidas.

Robertson conduz um ataque do Cincinnati Royals contra o Celtics em 1967 (NBA.com)

Robertson conduz ataque do Cincinnati Royals contra o Celtics em 1967 (NBA.com)

Seus feitos, na época, não receberam tanta atenção, já que Robertson era um jogador preciso nos fundamentos, mas que não fazia as jogadas plásticas e arrebatadoras como Bob Cousy e outros armadores de sua época. Quando indagado sobre como havia acumulado tantas assistências na carreira, Robertson simplesmente respondeu: “Passei a bola para quem estava livre”.

Antes de chegar à NBA, Robertson foi um astro da universidade de Cincinnati, com um retrospecto de 79v-9d em três temporadas no basquete universitário. Ele foi o maior cestinha da NCAA até Pete Maravich superá-lo em 1970. Após a faculdade, o armador foi parte de uma seleção americana que dominou o torneio de basquete dos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, conquistando a medalha de ouro e derrotando no caminho o Brasil, então campeão mundial, por 90 a 63. Naquela seleção americana, considerada a melhor equipe amadora de todos os tempos, estavam outros futuros astros da NBA como Jerry West, Jerry Lucas e Walt Bellamy.

Robertson ficou 10 anos com o Royals, sempre derrotado pelo Philadelphia 76ers ou Boston Celtics no caminho do título. Em 1970, ele foi trocado para o Milwaukee Bucks, onde fez dupla com o jovem pivô Lew Alcindor, que mais tarde mudaria seu nome para Kareem Abdul-Jabbar. Em 1971, o Bucks venceu 66 de seus 82 jogos na temporada regular, tornou-se o primeiro time a ter aproveitamento superior a 50% nos arremessos (50,9%), só perdeu duas de 14 partidas nos playoffs e conquistou o único título de sua história, o único da carreira de Big O. “Ele era um grande jogador em todos os aspectos e um grande líder. Ele nos empurrou. Ele pegava no nosso pé se não cumpríssemos nossas tarefas. Ter este tipo de liderança é um elemento-chave em qualquer equipe”, disse Abdul-Jabbar.

Robertson em ação pelo Milwaukee Bucks contra o Baltimore Bullets, em 1970 (NBA.com)

Robertson em ação pelo Milwaukee Bucks contra o Baltimore Bullets, em 1970 (NBA.com)

Robertson e o Bucks ainda chegariam às Finais da NBA uma última vez, sendo derrotados pelo Boston Celtics em sete jogos em 1974. Após aquela decisão, Robertson, com 35 anos, se aposentou, e o Bucks, mesmo com Abdul-Jabbar, despencou para uma campanha de 38v-44d no ano seguinte. O Kings aposentou sua camisa 14 e o Buck, sua camisa 1. Ele terminou como recordista da NBA em assistências (9.887, hoje é o quarto colocado), segundo em pontos (26.710, hoje é o oitavo) e entre os 20 melhores reboteiros (7.804, hoje ainda está entre os 60 melhores), além de 181 triplos-duplos, melhor marca da história, 53 à frente de Magic Johnson e 80 à frente de seu perseguidor ativo mais próximo, Jason Kidd. O armador foi aceito no Hall da Fama do Basquete em 1980 e incluído na lista de 50 melhores jogadores da NBA no 50º aniversário da liga.

Outra contribuição de Robertson para sua classe foi o processo que moveu como presidente da associação de jogadores contra a NBA. O processo antitruste foi movido para impedir que a NBA se fundisse à American Basketball Association e dar mais liberdade aos jogadores, que eram ligados perpetuamente a apenas um time por cláusulas contratuais e não tinham direito de negociar com outras equipes. Após seis anos do processo, a NBA enfim chegou a um acordo e conseguiu a fusão com ABA, ao mesmo tempo que reformou o draft e criou o mercado de passe livre, que eventualmente levou a mais poderes e maiores salários para os jogadores.

September 8, 2008

Haskins, técnico que escalou cinco negros pela primeira vez na NCAA, morre nos EUA

Filed under: Internacional, NCAA — Tags: , , , — Adriano Albuquerque @ 5:06 pm

O treinador Don Haskins, membro do Hall da Fama e primeiro a escalar cinco jogadores negros numa equipe titular do basquete universitário americano, morreu neste domingo, aos 78 anos. De acordo com seu médico, o Dr. Dwayne Aboud, Haskins vinha sofrendo de falhas congênitas no coração e morreu em casa às 16h30min, horário local.

“Como muitos de vocês sabem, o Técnico Haskins sofreu com problemas cardíacos. Ele optou por não retornar ao hospital e permanecer em casa”, disse Aboud.

Haskins ficou famoso em 1966, quando liderou a pequena universidade Texas Western, hoje chamada UTEP (University of Texas-El Paso), à final do campeonato universitário americano, que venceu por 72 a 65 usando cinco titulares negros contra uma equipe toda branca da favorita Kentucky, do técnico Adolph Rupp. O feito de Haskins e seus comandados veio num momento de muita discussão e conflito em torno da segregação racial nos EUA e ajudou a quebrar as barreiras a jogadores negros nas universidades americanas. Em 2006, a Disney retratou a conquista no filme “Glory Road”.

O treinador se aposentou em 1999 após 38 temporadas com a escola, um retrospecto de 719v-353d com sete títulos da Western Athletic Conference, 14 participações no torneio da NCAA e sete vezes ao torneio da NIT. Haskins também serviu como conselheiro no Chicago Bulls. Em 1972, foi um dos assistentes técnicos da seleção americana que foi derrotada pela URSS de forma controversa na decisão olímpica, em Munique-1972.

“A palavra ‘único’ não é suficiente para descrever Don Haskins. Não há ninguém que já foi técnico que eu respeite e admire mais do que Don Haskins. Eu não tive um amigo que gostei mais do que Don. O mito que cerca Don Haskins no filme ‘Glory Road’ e o que ele fez por jogadores negros é melhor dito que ele se importava daquele jeito com todos os seus jogadores. Para mim isso diz mais sobre o homem do que qualquer coisa. Nunca houve alguém como ele nem jamais haverá outro como ele”, disse seu amigo Bob Knight, o técnico com mais vitórias na história da NCAA.

Vídeo da histórica decisão da NCAA em 1966

September 6, 2008

Hakeem Olajuwon, Patrick Ewing e Pat Riley entram para o Hall da Fama

Filed under: Extraquadra, NBA — Tags: , , , — basketbrasil @ 3:01 pm

UOL Esporte
Das agências internacionais
Em Springfield (EUA)

O Hall da Fama do basquete, nos Estados Unidos, ganhou mais alguns reforços de peso nesta sexta-feira, com sua nova leva de indicados, liderada pelos legendários pivôs Hakeem Olajuwon e Patrick Ewing e o técnico Pat Riley.

Além dos três, também foram condecorados o ala Adrian Dantley, um dos grandes cestinhas da NBA na década de 80, o ex-técnico e hoje comentarista Dick Vitale, a treinadora Cathy Rush, do basquete universitário, e Bill Davidson, ex-proprietário do Detroit Pistons.

Apelidado como “O Sonho”, Olajuwon teve seu auge nos anos de 1994 e 1995, quando foi bicampeão com o Houston Rockets - aproveitando-se da queda do Chicago Bulls nessa época, com a primeira “aposentadoria” de Michael Jordan.

Em 1994, sua equipe bateu justamente o New York Knicks de Ewing, integrante do “Dream Team” original que acabou encerrando sua carreira sem nenhum título da liga profissional. E o time nova-iorquino era comandado por Riley.

“Quando você pára para se recordar daqueles momentos, se dá conta de que foram especiais. Grandes tempos para homens grandes [os "big guys", como são chamados os pivôs]“, disse o nigeriano, naturalizado norte-americano.

Riley, por seu lado, tem a frustração do vice com os Knicks, mas ostenta títulos com Los Angeles Lakers (quatro) e Miami Heat (um, em 2006).

Dantley somou em sua carreira 23.177 pontos, bom para ocupar o posto de número 23 entre os anotadores da NBA, da qual foi o maior cestinha em 1984.

September 5, 2008

Esta semana na NBA: A Classe de 2008 do Hall da Fama do Basquete

Nesta sexta-feira, acontece a introdução oficial da Classe de 2008 do Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, ou Hall da Fama do Basquete como chamamos aqui no Brasil. A cerimônia acontece às 20h30min (horário de Brasília). Dos sete novos homenageados, seis têm relações diretas com a NBA, sendo quatro deles ex-jogadores. (more…)

Pivôs novos integrantes do Hall da Fama Hakeem Olajuwon e Patrick Ewing têm muito em comum

Filed under: Extraquadra, NBA — Tags: , , , , — basketbrasil @ 4:30 pm

Springfield (EUA) - Os pivôs Hakeem Olajuwon e Patrick Ewing tornam-se os novos integrantes do Hall da Fama da NBA nesta sexta-feira. A dupla será oficializada juntamente com o ex-técnico do Miami Heat Pat Riley, o ex-jogador Adrian Dantley, o dono do Detroit Pistons Bill Davidson, além do jornalista Dick Vitale e a ex-técnica Cathy Rush.

A carreira de Olajuwon e Ewing sempre foi marcada por muitas coincidências. Além de estrangeiros - Olajuwon nasceu na Nigéria e Ewing, na Jamaica -, eles moraram em Boston e na infância eram mais adeptos do futebol que do basquete.

“Nós temos muito em comum”, reconhece Ewing. “Nós dois viemos de outros países e tínhamos muito talento cru, mas nos envolvemos com pessoas muito especiais e chegamos aqui”.

Mas o astro do New York Knicks confessa que nunca imaginou se tornar um dos maiores nomes da modalidade. “Eu só lembro olhar os grandes, (Bill) Russel, Wilt (Chambelain). Nunca pensei que estaria entre eles. Somente na Universidade eu tive uma idéia do quão bom eu poderia ser”.

(Gazeta Esportiva)

As melhores imagens do basquete na galeria desta sexta-feira, 5 de setembro

Filed under: DESTAQUES, Foto do dia, Multimídia — Tags: , , , , , — Adriano Albuquerque @ 1:59 pm

September 3, 2008

Clyde Drexler apresenta Hakeem Olajuwon ao Hall da fama do basquete

Filed under: Conferência Oeste, Extraquadra, NBA — Tags: , , , — Rubens Borges @ 8:22 pm

 

O pivô Hakeem Olajuwon, astro do bicampeonato do Houston Rockets, vai ser introduzido ao Hall da Fama do basquetebol pelo ex-companheiro de equipe, Clyde Drexler.

“The Dream”, como é conhecido o pivô, convidou Drexler para apresentá-lo na sexta-feira, dia 5 de setembro.

“Hakeem ter me convidado para estar com ele neste dia especial é muito especial”, disse Clyde “The Glide”.

Os dois foram companheiros na universidade, vencendo o título de 1983 com a universidade de Houston, e venceram o título da NBA, com o Rockets, em 1995.

“Hakeem foi como um irmão mais velho desde o dia em que nos conhecemos, quando ele veio da Nigéria. Sempre foi um amigo especial e me apoiou em tudo, e vice-versa”, completou Drexler.

September 2, 2008

Biografias: John Havlicek

Filed under: Biografias, Colunas, DESTAQUES — Tags: , , , — Redação @ 4:41 pm

Nome: John J. Havlicek
Nascimento: 8 de abril de 1940, em Martins Ferry (EUA)
Times: Bridgeport (colegial), Ohio State (NCAA, 1959-62), Boston Celtics (NBA, 1962-78)

Uma Estrela de Três Esportes

Filho de imigrantes da antiga Tchecoslováquia, John Havlicek nasceu na pequena cidade de Martins Ferrys, Ohio, cidade de mineiros de carvão e trabalhadores de siderúrgicas. Quando menino, adorava correr, indo para a escola ou à rodovia que cortava a cidade. Uma vez, Havlicek afirmou que era obrigado a andar a pé e seus amigos de bicicleta, porque seus pais se recusavam a lhe dar uma bicicleta.

No Colégio de Brigdeport, Havlicek se interessou pelo basquetebol, beisebol e futebol americano, sendo selecionado para seleção estadual nos três esportes. Era um quarterback altamente requisitado, que podia facilmente lançar a bola a 80 jardas (73,152m). Havliceck escolheu a universidade Ohio State, mas não jogou o futebol. Embora jogasse o beisebol e tivesse um ótimo aproveitamento de rebatidas de .400 em seu ano de calouro, preferiu dedicar-se ao basquete. Havlicek teve aproveitamento de 14,6 pontos por jogo em três temporadas seguidas, jogando pelos “Buckeyes” com Jerry Lucas, Bobby Knight e o futuro companheiro de Boston Celtics Larry Siegfried. A Ohio State de Havliceck teve um aproveitamento de 78 vitórias e seis derrotas e venceu o campeonato da NCAA em 1960.

Primeiro os Browns, depois os Celtics

Após sua temporada de sênior na universidade, Havlicek foi recrutado por duas ligas americanas de esportes profissionais: o Cleveland Browns, da NFL (liga de futebol americano) selecionou-o na sétima escolha do draft de 1962, e o Boston Celtics o escolheu na primeira rodada do draft da NBA no mesmo ano. O Browns, impressionado com sua habilidade atlética, com seus 1,96m de altura combinados aos 92kg, o colocaram como wide receiver, para receber passes longos na corrida. Jogou em diversas partidas de exibição no verão antes de ser liberado pela equipe, em favor do futuro astro Gary Collins.

Havlicek voltou sua atenção ao Celtics, que havia lhe selecionado na última posição da primeira rodada do draft. O lendário técnico e gerente geral Red Auerbach diria mais tarde que suas expectativas quanto a Havlicek tinham sido modestas; ele queria simplesmente um jogador para eventualmente ser o sexto homem, posto ocupado então pelo veterano Frank Ramsey.

Quando Havlicek se juntou à equipe em 1962, Boston havia conquistado quatro títulos consecutivos da NBA. O elenco estava carregado de talento, mas as estrelas do time, tais como Bob Cousy, Bill Sharman, Ramsey e Jim Loscutoff, estavam já no final de suas carreiras. A intensidade física jovem de Havlicek era como uma injeção de adrenalina para a equipe já envelhecida do Celtics. Vindo do banco na maior parte das partidas, produziu média de 14,3 pontos durante seu ano de calouro, muitos deles em passes vindos de Cousy em seus famosos contra-ataques. “Eu fiz minha carreira a partir de Bob Cousy”, dizia Havlicek constantemente.

Tendo aparecido na Seleção de Calouros da temporada 1962-63, Havlicek mostrou uma grande convicção e uma defesa sólida e consistente, mas não impressionou todos na sua primeira temporada. De acordo com a revista americana Sports Illustrated, Bob Cousy avaliou-o como um “‘não-atirador’ que provavelmente não queria se queimar na sua temporada de estréia”, mas que possuía habilidades físicas impressionantes. Foi um dos primeiros grandes “swingmen” a combinar força bruta com um grande domínio de bola. Com 1,96m, poderia sobrepor-se à maioria de seus oponentes, sendo que era mais rápido que eles.

Além disso, “Hondo”, como foi apelidado por causa de um filme de John Wayne com o mesmo nome, tinha a motivação que caracterizou o “Celtic Pride” (”orgulho dos Celtics”). Depois de seu primeiro ano, Havlicek foi para casa e trabalhou duramente para melhorar seu arremesso de meia distância e seu drible. Na temporada seguinte, ele liderou a equipe em pontos, com média de 19,9, e mostrou que estava pronto para suprir a posição de Ramsey, um atleta muito importante para o time como sexto homem. Apesar da aposentadoria de Cousy, Boston ganhou 59 jogos em 1963-64 e venceu o San Francisco Warriors em cinco jogos na final da NBA. Havlicek fez parte da Segunda Seleção da NBA nessa temporada.

Durante as cinco temporadas seguintes, Havlicek foi o melhor jogador da NBA que não era titular, sempre começando as partidas no banco de reservas. Como o “supersub” (”super-substituto”) de Boston, ele entrava como armador ou ala e sempre estava em quadra no final das partidas. Junto com o lendário pivô Bill Russell, Havlicek foi o jogador que mais minutos esteve em quadra pelos Celtics durante a temporada.

Havlicek não se preocupava com o rótulo de sexto homem. “Isso nunca me incomodou”, disse ele uma vez, “porque eu penso que o papel é muito importante para um clube. Uma coisa que eu aprendi com Red Auerbach é que não é quem começa o jogo geralmente o mais importante, mas sim quem o termina, e eu estava geralmente em quadra ao final das partidas”.

Durante os anos 60, Havlicek mostrou que Cousy o tinha menosprezado. O “não-atirador” tinha se transformado em uma força ofensiva, que poderia ser constatada por suas marcas que subiram de 18 pontos por jogo para 21. Havlicek podia arremessar de qualquer canto da quadra e isso ficou demonstrado no Jogo das Estrelas de 1968, em que ele anotou 26 pontos em 22 minutos. O ala-armador melhorou seu controle de bola e deixou de ser apenas um defensor eficaz para se tornar também uma peça ofensiva de destaque.

O silêncio de Havlicek e seu temperamento invariável não contrastavam com sua figura imponente. Hondo era de uma autodisciplina tremenda e um comprometimento metódico com suas tarefas. Quando um repórter fez uma piada com seu hábito de manter suas meias penduradas num gancho no vestiário, o jogador defendeu seu comportamento na Sports Illustrated. “Eu sou um homem da rotina e disciplina”, explicou, “Minhas meias têm que secar. Minha vida é pensada para frente”.

Além de suas estatísticas impressionantes, Havlicek mostrou uma grande postura. Em momentos cruciais, quando uma jogada decisiva tinha de ser feita, era a “Hora de Havliceck”. Um exemplo clássico da sua execução das jogadas aconteceu no sétimo jogo das finais da Conferência Leste de 1965, contra o Philadelphia 76ers. Com 5s restando na partida, ele interceptou um passe feito por Hal Greer para dar a vitória ao Celtics por um ponto, e o lendário locutor Johnny Most narrou, em um dos momentos mais memoráveis da história da crônica esportiva americana: “Havlicek rouba! Passa para Sam Jones! Havlicek roubou a bola! É o fim do jogo! Johnny Havlicek roubou a bola!!

Em 1968, durante outro sétimo jogo contra o Sixers nas finais da divisão, marcou 40 pontos em Filadélfia para ajudar Boston a vencer por 100 a 96. Mais tarde, no jogo 5 das Finais de 1976, converteu uma cesta milagrosa, fez a cesta salvadora contra o Phoenix Suns nos últimos segundos da segunda prorrogação, mandando o jogo para um terceiro tempo extra, onde os Celtics venceram o Suns por 128 a 126, e partiram assim para a conquista de mais um campeonato.

Na temporada de 1968-69, os Celtics tinham envelhecido. KC Jones tinha se aposentado, Sam Jones tinha 36 anos, Russell já estava com 35. A equipe terminou no quarto lugar durante a temporada regular. Na necessidade de sua potência de fogo, o time olhou para Havlicek como sua principal arma ofensiva, e ele respondeu com 21,6 pontos por jogo. Com um grande esforço de Havlicek nos playoffs, o Celtics derrotou Wilt Chamberlain e o Los Angeles Lakers em sete jogos para chegar a mais um título da NBA. Era o sexto campeonato do Celtics em sete temporadas com Havlicek.

A temporada de 1969-70 foi um divisor de águas na dinastia do Celtics. Com Russell e Jones aposentados, a equipe não foi aos playoffs pela primeira vez em 20 anos. Sob o comando do novo técnico Tom Heinsohn, Havlicek se tornou titular e teve um ano sensacional, realizando um feito raro de ter liderado a equipe em três categorias estatísticas: pontos (24,2), rebotes (7,8) e assistências (6,8), ficando como oitavo pontuador e sétimo em assistências na liga.

Hondo conduziu um retorno dos Celtics durante o início dos anos 70. Em 1970-71 e em 1971-72, anotou médias de 28,9 e 27,5 pontos, respectivamente. Apesar de ter atingido a idade de 30 anos em 1970, liderou a liga em minutos jogados para ambas aquelas temporadas, com médias de mais de 45 minutos por jogo.

Como a única estrela restante do Celtics ainda em atividade, Havliceck tornou-se capitão da equipe, que contava com Jo Jo White, Don Chaney e o então recém-chegado Dave Cowens. Empregando uma estrutura tática que lembrava o contra-ataque dos tempos de Cousy, eles terminaram a temporada de 1972-73 com uma campanha de 68v-14d. Boston poderia ter vencido o título nesse ano, mas Havliceck teve uma séria contusão no ombro no terceiro jogo das finais da Conferência Leste, contra o New York Knicks. Ele ainda tentou um retorno, mas não foi possível. O Knicks levou a série em sete jogos. Antes do quarto jogo no Madison Square Garden, Havliceck foi aplaudido de pé quando entrou em quadra, trajando roupa de passeio, com o Celtics.

Cinco anos após a aposentadoria de Bill Russell, o Celtics enfim retornou ao topo da NBA, batendo o Milwaukee Bucks (então na Conferência Leste) para ser novamente campeão, em 1974. Com a indicação de Havlicek para MVP das Finais, ele foi reconhecido como o líder da nova geração do Celtics. Habitualmente mais reservado, se emocionou após o triunfo, de acordo com o jornal americano New York Times. “Agradeço a vocês por fazerem isto por mim”, disse, e abraçou e beijou seus companheiros de equipe ainda no vestiário após o jogo final, “Este é um momento único”.

Na temporada seguinte, Havlicek continuou com suas tarefas ofensivas e defensivas. O New York Times relatou que, após assistir a um show individual deHondo contra o Knicks, Bill Russell teria dito, “O homem é louco. Algum dia desses ele vai descobrir que não dá mais para fazer isto na sua idade”. Mas Havlicek continuava fazendo. Jogou em todos os 82 jogos e teve média de mais de 16 pontos durante sua última temporada, em 1977-78, apesar de já estar com 38 anos no meio do campeonato. A temporada já estava perdida para o Celtics, pois não se classificaram para os playoffs da Divisão Atlântico, mas Hondo tomou o fim da tabela como uma “excursão do adeus”, recebendo merecidos tributos dos torcedores por todos os ginásios que passou nos últimos dois meses da competição.

Havlicek aposentou-se com um oceano de estatísticas impressionantes. Era o líder absoluto da NBA em partidas disputadas naquela época. Também estava entre os 10 jogadores em minutos jogados e em pontos. Havlicek conquistou tantos anéis que poderia ter aberto uma joalheria. Esteve em oito títulos do Celtics, seis deles com Bill Russel e dois sem o pivô. Em 1980, foi nomeado para a equipe dos melhores jogadores da NBA em ocasião do aniversário de 35 anos da liga. Em 1983, foi eleito para o Hall da Fama do Basquete e em 1996, foi nomeado um dos 50 melhores jogadores da história da NBA, em comemoração aos 50 anos da liga.

Outra lenda da NBA, Jerry West, disse à Sports Illustrated sobre Havlicek: “O indivíduo é o embaixador de nosso esporte. John sempre deu o seu melhor cada noite e tinha tempo para todos os colegas de equipe, torcedores e imprensa”. Dave Cowens acrescentou: “Diga-me quantas pessoas de classe como ele existem em qualquer lugar. Deveriam aposentar o número dele de toda a NBA. Podem pegar o 17 e colocar lá em cima”.

Mas o elogio mais forte veio durante uma saudação no intervalo, em uma partida no Boston Garden, vinda de Auerbach, que disse: “Ele simboliza tudo o que é bom”. Depois, Red disse ao New York Times. “Se eu tivesse um filho como John, seria o homem mais feliz do mundo”.

Conquistas e condecorarações:

Jogou por 16 anos na NBA com o Boston Celtics, sendo campeão da NBA oito vezes (1963, 64, 65, 66, 68, 69, 74 e 76), MVP das Finais de 1974, escolhido para o Primeiro Time da NBA nos anos de 1971, 72, 73 e 74, eleito para o Segundo Time da NBA nos anos de 1964, 66, 68, 69, 70, 75 e 76, escolhido para o Primeiro Time Defensivo da NBA por cinco temporadas consecutivas (1972, 73, 74, 75 e 76), e para o Segundo Time Defensivo da NBA por três temporadas (1969, 70 e 71). Participou de 13 Jogos das Estrelas da NBA (igualando o recorde de Bob Cousy como jogador do Celtics). Escolhido para a Seleção dos Novatos da temporada da NBA de 1962/63. Nomeado para o time dos melhores da NBA nos 35 anos de história da liga em 1980, e um dos 50 melhores jogadores de todos os tempos por ocasião do aniversário de 50 anos da liga em 1996. Eleito para o Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, ou Hall da Fama do Basquete, em 1984. Líder em todos os tempos do Boston Celtics em jogos disputados (1.270), arremesos convertidos (10.513), arremessos tentados (23.930), minutos jogados (46.471), pontos (26.395), lances livres tentados (6.589), lances livres convertidos (5.369) e faltas pessoais (3.281), e segundo em assistências, com 6.114, ficando atrás apenas de Bob Cousy. Teve seu número 17 aposentado pela franquia em 13 de outubro de 1978.

Estatísticas na NCAA

G: Jogos, FGM: Arremessos convertidos, FGA: Arremessos tentados, FTM: Lances Livres Convertidos, FTA: Lances Livres tentados, REB: Rebotes, AVG: Average, PTS: Pontos.

Estatísticas na NBA

G: jogos, MP: Minutos jogados, FG: Arremessos, FGA: Aremessos tentados, FG%: Porcentagem de acertos, FT: Lances Livres, FTA: Lances Livres tentados, RO: Rebotes ofensivos, RD: Rebotes defensivos, TRB: Total de Rebotes, AST: Assistências, STL: Roubos de bola, BLK: Tocos, PF: Faltas Pessoais, PTS: Pontos

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Por Mauro Collete Rocha Leite, 40 anos, Professor de Educação Física e Técnico de Basquete de equipes Mirins e Juvenis

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