Pela quarta rodada do Campeonato Sul-Americano na cidade de Puerto Montt (Chile), a Seleção Brasileira B masculina de basquete entrou em quadra contra a Venezuela, que tinha conseguido apenas uma vitória na competição contra o Chile na partida de ontem. O Brasil, que disputava sua possível classificação já que se perdesse para a Venezuela praticamente estaria fora da final do domingo, conseguiu a vitória por 94 a 84 (44 a 33 no intervalo), se recuperando da derrota no dia anterior para a seleção B da Argentina por 102 a 68. Os cestinhas da partida foram o ala-armador venezuelano José Vargas e o armador brasileiro Hélio com 23 e 21 pontos, respectivamente. Com o resultado, o Brasil cumpriu com sua obrigação de garantir a classificação para a Copa América Pré-Mundial de 2009.

O time brasileiro começou a partida desta sexta-feira com apenas uma mudança com relação ao jogo passado, o ala Diego saiu para entrada de Guilherme Teichmann, o técnico Paulo Sampaio manteve os outros jogadores, completando o quinteto titular com Hélio, Arthur, William Drudi e Caio Torres (foto). O Brasil começou o jogo com melhor atitude ofensiva, movimentando mais a bola e usando bem sua principal arma, os contra-ataques. Já a Venezuela voltou seu jogo inicialmente para dentro do garrafão, aproveitando algumas falhas individuais da defesa brasileira para manter o jogo equilibrado. As duas equipes estavam marcando defesa individual. Faltando pouco para o final do primeiro quarto, fazendo ataques mais consistentes, o Brasil fechou a parcial em 22 a 14. Um fato triste do primeiro quarto foi a contusão do ala Dedé, que torceu o tornozelo na sua primeira participação no jogo.
No segundo período, a equipe brasileira começou forçando nas suas opções ofensivas, precipitando arremessos e não abrindo como deveria a sua vantagem, com isso a Venezuela acertou alguns arremessos de três pontos e baixou a diferença para dois pontos, antes da metade do quarto. A entrada do pivô Coloneze no lugar de Drudi foi determinante para o Brasil se manter à frente e até conseguir abrir uma vantagem antes do término do primeiro tempo, indo para o intervalo com 11 pontos de frente.
As duas equipes voltaram para o terceiro quarto da mesma forma, e fizeram o período mais equilibrado da partida. O que se destacou foi a quantidade de rebotes defensivos e ofensivos da Seleção Brasileira, demonstrando o bom desenvolvimento dos pivôs dentro do garrafão, o destaque do quarto foi o pivô Caio Torres, que com sua boa estatura e força contribuiu não apenas nos rebotes, mas manteve bom aproveitamento dos arremessos curtos. Outra mudança de efeito foi o ala Diego, que infiltrando o garrafão e tendo um bom aproveitamento da linha de três pontos, ajudou o Brasil no final a aumentar a vantagem para 12 pontos, fechando o quarto em 68 a 56.
Faltando quatro minutos na etapa final, a Venezuela conseguiu baixar a vantagem brasileira para oito pontos, o que fez o técnico Paulo Sampaio pedir tempo e programar uma melhor saída para a defesa pressionada feita pelos jogadores venezuelanos. Devido ao bom quarto do armador Hélio, que conseguiu manter a tranqüilidade pontuando e ajudando na movimentação do ataque, a Seleção se manteve à frente. Ainda assim a Venezuela baixou ainda mais a diferença, mas não conseguiu virar o placar.
Depois do fiasco contra a Argentina, a equipe brasileira soube jogar contra os venezuelanos, usando sempre que possível o contra-ataque e aproveitando os erros ofensivos da Venezuela, em noite inspirada do armador Hélio e do pivô Caio Torres. Hoje diferente de ontem, a postura do Brasil foi outra, seguindo um padrão tático do começo ao final, movimentando bem a bola e tendo tranqüilidade nos momentos difíceis da partida. Mesmo a Venezuela sendo uma equipe frágil defensivamente, o Brasil fez o jogo certo para obter o resultado positivo.
“Hoje conseguimos mostrar o nosso jogo. Mudamos de atitude e pensamento, e conseguimos trabalhar com inteligência. Sabemos que chegar à final será difícil, mas não podemos desistir. Amanhã, contra o Uruguai, temos que jogar ainda melhor para vencer”, disse o campeão nacional pelo Flamengo Hélio.
“Conversamos com a equipe para elevar a auto-estima do grupo e funcionou. Hoje, trabalhamos coletivamente tanto na defesa como no ataque, dificultando o jogo da Venezuela. Agora é jogar ainda melhor contra o Uruguai para buscar a vitória por mais de 23 pontos e quem sabe fazer a final da competição”, afirmou o técnico Paulo Sampaio.
O ala André Stefanelli (Dedé) sofreu uma lesão no tornozelo e está fora do Sul-Americano.
“O atleta foi submetido a uma radiografia do tornozelo esquerdo, em que descartamos fratura. Existe a possibilidade de ruptura dos ligamentos laterais. O jogador ficará em repouso e tratamento de fisioterapia, e será reavaliado para confirmar o diagnóstico”, explicou o médico da Seleção, Daniel Doca.
De acordo com o regulamento do Sul-Americano, as seis seleções jogam entre si, em turno único. As duas primeiras colocadas na soma de pontos das cinco rodadas decidem o título. As equipes que ficarem em terceiro e quarto lugares disputam a medalha de bronze. As quatro primeiras colocadas estão classificadas para a Copa América Pré-Mundial 2009, no caso da provável vitória do Chile no final da rodada desta sexta contra a Colômbia os donos da casa garantirão pelo menos o quarto lugar e deixarão a Venezuela fora do classificatório das Américas para o Mundial da Turquia-2010.
Na última rodada da fase classificatória da competição, a Seleção verde-amarela entra em quadra neste sábado às 21h (Brasília) jogando contra o Uruguai, que possui o cestinha do torneio, o pivô Esteban Batista, com média de 21,3 pontos por jogo, e que tenta terminar a primeira fase invicto, confirmando sua participação na final da competição. Já para os brasileiros é tudo ou nada, já que perdendo o jogo estará fora da decisão, dando adeus ao projeto do bicampeonato sul-americano, iria disputar apenas a medalha de bronze contra os chilenos.
Na partida que deu início à quarta rodada do Sul-Americano na cidade chilena de Puerto Montt, a seleção uruguaia conseguiu uma surpreendente vitória sobre a Argentina por 102 a 93, continuando assim invicta na competição. A equipe celeste tem seu último desafio amanhã contra os brasileiros, sendo a partida transmitida pela ESPN.
Em jogo bastante disputado, o se viu foram muitos erros ofensivos da seleção B da Argentina, que levou o jogo sempre com placar equilibrado até a metade do terceiro quarto, quando o Uruguai conseguiu abrir uma boa vantagem, aproveitando o potencial do seu melhor jogador, o pivô Esteban Baptista, e assim mantendo a boa vantagem até o final.
Com a vitória, o Uruguai dificultou ainda mais a classificação brasileira à final da competição. O Brasil para se classificar tem que derrotar amanhã os uruguaios e, caso a Argentina ganhe do Chile também no sábado, aí o critério de desempate entre as três equipes será o saldo de pontos, o time verde-amarelo teria de vencer por uma grande diferença de 23 tentos.
FICHA TÉCNICA
BRASIL 94 (22 + 22 + 24 + 26)
Titulares: Hélio (21 pontos), Arthur (13), Guilherme Teichmann (6), William Drudi (4) e Caio Torres (18). Entraram depois: Diego (10), André Stefanelli (0), Manteiguinha (7), Luis Felipe Gruber (2) e Fernando Coloneze (13). Técnico: Paulo Sampaio.
VENEZUELA 84 (14 + 19 + 23 + 28)
Titulares: Luis Júlio (7 pontos), Carlos Cedeño (5), Oscar Torres (8), Rafael Guevara (9) e Axiers Sucre (10). Entraram depois: José Vargas (23), Miguel Marriaga (8), Luís Bethelmi (2), Jesus Centeno (8), Roque Osório (4), Rafael Perez (0) e Amber Marin (0). Técnico: Nelson Solorzano.
43º CAMPEONATO SUL-AMERICANO
Local: Arena de Puerto Montt
Primeira rodada – Terça-feira (1º de julho)
Brasil 83 x 75 Colômbia, Argentina 79 x 77 Venezuela e Chile 66 x 81 Uruguai
Segunda rodada – Quarta-feira (2 de julho)
Argentina 104 x 75 Colômbia, Brasil 70 x 69 Chile e Venezuela 70 x 88 Uruguai
Terceira rodada – Quinta-feira (3 de julho)
Uruguai 88 x 78 Colômbia, Brasil 68 x 102 Argentina e Chile 76 x 94 Venezuela
Quarta rodada – Sexta-feira (4 de julho)
Uruguai 102 x 93 Argentina, Brasil 94 x 84 Venezuela e Chile x Colômbia (22h)
Quinta rodada – Sábado (5 de julho)
Colômbia x Venezuela (17h), Chile x Argentina (19h) e Brasil x Uruguai (21h)
Rodada final – Domingo (6 de julho)
19h – Disputa da medalha de bronze
21h – Disputa da medalha de ouro
OBS: Horários de Brasília.
(Texto de Narclébio Rezende, com informações complementares da CBB)