O Torneio Pré-Olímpico Mundial de Atenas começou com uma surra da Nova Zelândia em cima de Cabo Verde por 77 a 50 (42 a 20 no intervalo) na abertura do Grupo B da competição que classificará as últimas três seleções para as Olimpíadas de Pequim-2008 no basquete masculino. O ala-armador Kirk Penney foi o cestinha da partida na manhã desta segunda-feira com 25 pontos, sete rebotes e duas assistências. O time da Oceania não teve dificuldades e liderou o marcador de ponta a ponta, desde um primeiro quarto arrasador vencido por 21 a 4 contra a ingênua equipe africana. O pivô neozelandês Craig Bradshaw contribuiu com 14 pontos e sete rebotes, mesma quantidade de sobras capturadas pelo gordo ala de 1,98m e 130kg Pero Cameron, que fez 13 pontos acertando todos os três chutes de três que tentou.
O armador nascido nos Estados Unidos Jeff Xavier foi o destaque de Cabo Verde com 22 pontos, oito rebotes e quatro passes para cesta, mas o restante dos jogadores caboverdianos não produziu muita coisa, a não ser o ala-pivô Rodrigo Mascarenhas que foi o principal reboteiro do jogo com 11 rebotes e anotou oito pontos mais dois roubos de bola. Nesta terça-feira, o azarão do torneio vai enfrentar uma pedreira ainda maior, a Alemanha com sua dupla de garrafão formada pelas estrelas da NBA Dirk Nowitzki (Dallas Mavericks) e Chris Kaman (Los Angeles Clippers), a perspectiva de eliminação com um massacre alemão é evidente, pois o Grupo B tem a equipe européia como favorita.
Os “Kiwis” contaram com um início de jogo muito nervoso, cheio de erros dos africanos, para abrir uma confortável vantagem no placar, de 21 a 4, administrado nas parciais seguintes, que terminaram em 21 a 16, 18 a 12 e 17 a 18.
Os africanos ficaram mais de sete minutos sem anotar uma cesta, quando o ala-pivô Rodrigo Mascarenhas, um dos principais nomes da equipe, anotou dois pontos, quando os neozelandeses já tinham feito 16.

Energizados pelo ritual de dançar a “haka” (dança de guerreiros do país de raízes indígenas), os neozelandeses (foto) começaram o jogo com tudo, mostrando uma experiência internacional muito maior com jogadores que estiveram nas Olimpíadas de Atenas-2004 e surpreenderam o mundo chegando às semifinais do Mundial de Indianápolis-2002, embora esta geração esteja em fase de declínio. Após 15 minutos decorridos, a partida já estava decidida com mais de 20 pontos de diferença, a partir daí a Nova Zelândia só administrou o passeio, movimentando inclusive todos os seus reservas, sendo que apenas dois não pontuaram, Paul Winitana e Corey Webster. Cabo Verde só conseguiu um quarto, o último, com o resultado já decidido. Apesar da vitória, o time da Oceania também cometeu muitos erros, foram 21 bolas desperdiçadas, mas nada que comprometesse, pois a vantagem nos rebotes foi ampla (47 a 33).
Cabo Verde disputou o Campeonato Africano de seleções pela primeira vez em 1997 e ficou fora do torneio nas edições de 2001, 2003 e 2006. No ano passado, porém, o país foi a grande surpresa do evento ao derrubar a Nigéria, que havia se posicionado entre os 16 melhores do Mundial do Japão de 2006.
Na próxima rodada, nesta terça-feira, o time africano enfrenta a Alemanha, que tem o ala-pivô Dirk Nowitzki como grande estrela da competição. Os dois primeiros da chave avançam às quartas-de-final, quando cruzarão com rivais do Grupo A, que conta com Brasil, Grécia e Líbano.
Os números caboverdianos na estréia foram pífios: 25,4% no aproveitamento de arremessos de quadra (contra 47% da Nova Zelândia), 26 arremessos de três errados em 31 tentativas de longa distância (o adversário aproveitou sete em 22 triplos), nove lances livres convertidos em 16 tentados (56,2% contra 82,8% dos neozelandeses), ridículas seis assistências no total (contra 15 dos Kiwis), embora tenham desperdiçado só nove posses de bola, a defesa oceânica não se esforçou muito e só roubou quatro bolas contra nove dos africanos. Outro americano importado, Tony Barros (primo do ex-craque da NBA Dana Barros), rendeu abaixo do esperado com apenas oito pontos e duas roubadas por Cabo Verde.
A Nova Zelândia teve facilidade desde o tapinha inicial, em três minutos e meio já tinham aberto 16 a 0 com algumas cestas fáceis em contra-ataques com Penney e Tait liderando o ataque. Ao mesmo tempo a equipe fechou o caminho para os caboverdianos com uma forte defesa por zona, os africanos acertaram míseros 10% (dois em 20) arremessos de quadra no primeiro quarto. No segundo período, Jeff Xavier acordou marcando 13 pontos na parcial, mas não foi o suficiente para mudar os rumos da partida, os “Kiwis” abriram 30 a 16 e o pivô Bradshaw manteve a equipe afiada aumentando a vantagem para mais de 20 pontos no final do quarto. No segundo tempo, os neozelandeses diminuíram bastante o ritmo, mas uma cesta de Pero Cameron no garrafão ampliou a folga no placar para 52 a 27 respondendo a uma seqüência de pontos do caboverdiano Oliver que deixou o marcador em 56 a 30, depois os Tall Blacks fecharam o terceiro período em 60 a 32 com toda a tranqüilidade. O último quarto da partida foi uma mera formalidade, Cabo Verde conseguiu se aproximar um pouco com chutes de longa distância de Xavier e Barros, a diferença caiu para 65 a 39, mas os neozelandeses não sofreram qualquer ameaça mantendo a vantagem bem acima dos 20 pontos e fechando o placar com 27 de frente, foi um treino de luxo para o duelo de quarta-feira contra a Alemanha.
NOVA ZELÂNDIA 77 (21 + 21 + 18 + 17)
Pontuadores: Tait (7), Fitchett (4), Penney (25), Vukova (2), Kench 2, Winitana (0), Pledger (2), Cameron (13), Webster (0), Horvath (5), Bradshaw (14), Hill (3). Técnico: Nenad Vucinic.
CABO VERDE 50 (4 + 16 + 12 + 18)
Pontuadores: Xavier (22), Gomes (0), Faty (0), Mendonça (0), Correia (2), Monteiro (0), Houtman (0),
Lima (0), Cipriano (1), Oliver (9), Tony Barros (8) e Mascarenhas (8). Técnico: Eric Silva.
“Eu gostaria de dar boas vindas ao time de Cabo Verde e a seu técnico em sua estréia em competições internacionais. Sempre é difícil jogar pela primeira vez neste nível. Eu sei que eles são um time melhor do que mostraram hoje. Nós queríamos começar jogando duro e construir uma diferença, de fato nós conseguimos uma boa série de cestas no início da partida. Entretanto, Cabo Verde mostrou seu espírito não desistindo nunca até o final e tenho de dizer como técnico que nunca me senti confortável até o final do jogo. Sobre o jogo de quarta-feira, é óbvio que temos de enfrentar um time da Alemanha que é bem mais alto. Isto é algo com que estamos familiarizados: batalhar contra jogadores maiores. Temos de jogar duro e com inteligência, sentimos que estamos em uma boa posição. O processo de reconstrução da equipe está em andamento. Sete jogadores de nossa era dourada que alcançaram as semifinais do Mundial de 2002 estão aposentados, de agora em diante as chances estão contra nós, mas geralmente jogamos bem nessas situações”, disse o técnico da Nova Zelândia Nenad Vucinic.
“Nós precisávamos vencer este jogo e tentamos deixar isso bem claro desde o início. Jogos de estréia podem causar problemas e essa foi a razão pela qual decidimos jogar duro e marcar pressão na quadra inteira no começo da partida. Como resultado nós conseguimos uma boa série de 16 pontos sem resposta e com isso comandamos o placar o tempo inteiro. Sabíamos que Cabo Verde tinha alguns jogadores talentosos e mantivemos nossa concentração até o final. Eu fiquei feliz com o jogo no geral”, comemorou o ala neozelandês Mika Vukona.
“Acho que esta foi uma boa partida, mas eles nos pressionaram muito no primeiro quarto e nós falhamos em lidar com esta situação. Nós devíamos ter estar preparados para isso acontecer neste alto nível de competição. Eu devo dar o crédito para a Nova Zelândia, eles são realmente bem treinados e mereceram vencer. No segundo tempo, porém, acho que nós provamos nosso caráter e nunca desistimos apesar de termos ficado muitos pontos atrás no placar”, afirmou o ala-armador Mario Correia.
“Há uma grande diferença de qualidade entre os dois times. Este foi nosso primeiro jogo nesse nível. A Nova Zelândia já disputou muitas partidas em nível internacional, Campeonatos Mundiais e outras competições grandes. Para nós não é a mesma coisa, sentimos muita pressão. Começamos mal demais e tivemos de enfrentar uma arrancada de 14 a 0 da Nova Zelândia no início. Eles jogaram duro e nós não pudemos lidar com isso. Nós jogamos individualmente e não como equipe. Acredito que isto não vai acontecer amanhã contra a Alemanha. Também espero que a Alemanha não vá se provar tão bem estudada como a Nova Zelândia fez hoje. Eles realmente conheciam todos os nossos sistemas. Eu gostaria de deixar algo claro: nosso objetivo aqui não era derrotar a Nova Zelândia ou a Alemanha, nós sabíamos que isto não vai acontecer. Mas nós queremos mostrar que Cabo Verde também pode jogar basquete”, finalizou o técnico caboverdiano Eric Silva.