January 8, 2009
(Bruno Ceccon)
Gazeta Esportiva
São Paulo (SP) - Ex-técnico da seleção brasileira masculina, Lula Ferreira não conseguiu levar o time para uma edição dos Jogos Olímpicos. Afastada da competição há 16 anos, a equipe nacional ainda amargou o 19º lugar no último Mundial. Hoje no Brasília, o treinador espera que o Novo Basquete Brasil (NBB) tenha reflexos no selecionado.
“Ao longo do tempo, vai respingar um pouco na seleção brasileira de forma favorável”, previu o técnico logo após comandar o sorteio dos confrontos do novo campeonato brasileiro, organizado pela Liga Nacional de Basquete (LNB) com a chancela da Confederação Brasileira de Basquete (CBB).
No início, o torneio nacional era dominado por equipes do eixo Rio-São Paulo. Lula Ferreira lembrou que quando times de diferentes regiões passaram a disputar a competição, a seleção brasileira recebeu atletas de outros estados. “Vários talentos acabaram sendo revelados”, declarou o treinador.
Ele comandou a seleção durante quatro anos. O técnico conquistou a medalha de ouro nas duas últimas edições dos Jogos Pan-Americanos (Santo Domingo-2003 e Rio de Janeiro-2007), mas fracassou nas duas chances que teve de classificar o time para a Olimpíada (Pré-Olímpico de San Juan-2003 e Pré-Olímpico de Las Vegas-2007).
Um dos principais trunfos da NBB é a parceria com a Rede Globo. Com espaço garantido nos programas da emissora, os dirigentes e técnicos esperam o surgimento de promessas. “Esperamos que os garotos não apenas assistam, mas também pratiquem. Mais adiante, a modalidade pode tirar proveito disso”, disse Lula.
Com a NBB sob o comando dos próprios clubes, a CBB terá mais tempo para se preocupar exclusivamente com o time nacional e as categorias de base. Essa é a opinião de Kouros Monadjemi, presidente da LNB. “Eles podem se concentrar em desenvolver novos talentos e cuidar da seleção”, afirmou.
Para Cláudio Mortari, treinador do Pinheiros, um campeonato nacional forte pode repercutir de forma positiva junto aos astros brasileiros que estão no exterior. “É uma demonstração interna de organização, de que algo diferente está acontecendo. Podemos envolver os atletas que estão fora no processo de recuperação do basquete”, afirmou.
Otimista, Alberto Bial, treinador do Joinville, prevê benefícios a curto prazo para a seleção brasileira. “O desenvolvimento da modalidade caminha junto com a formação de novos talentos. Os resultados devem chegar muito em breve. Um campeonato organizado e bem planejado pode refletir na formação de grandes jogadores”.
http://www.gazetaesportiva.net/ge_noticias/bin/noticia.php?chid=107&nwid=25055
December 15, 2008
Outra questão importante e muito criticada por especialistas é a falta de apoio às Regiões Norte e Nordeste. Nesta primeira edição da Liga Nacional as duas regiões citadas não irão ter nenhum representante. Os entrevistados pelo BasketBrasil comentaram sobre o assunto e acreditam que o Norte e Nordeste estão em situação semelhante à do basquetebol feminino, ou seja, precisarão “esperar” pelo sucesso da Liga Nacional para aí sim, com apoio de patrocinadores e custeamento de viagens e alojamento, participar da competição mais importante do basquetebol brasileiro. Confira os comentários:
“Nós temos uma dificuldade em nosso país. O Brasil é muito grande e isso acaba “isolando” as regiões Norte e Nordeste, é só nós lembrarmos da dificuldade que o time de Salvador teve para jogar o Nacional no ano passado. As viagens são muito longas e o custo é alto. Mas eu acredito que a Liga irá crescer, o basquete voltará a ser popular e atrair a atenção da mídia, tendo mais patrocinadores, assim nós poderemos incluir todo o Brasil no campeonato. Quem sabe também, daqui a um tempo, consigamos ter uma divisão de acesso, isso só o tempo pode dizer”, declarou José Neto, auxiliar técnico de Moncho Monsalve na Seleção Brasileira masculina.
“Não existe exclusão. Eu não sei realmente o porquê dos times de Norte e Nordeste não estarem participando, talvez não tenham um time competitivo ou a estrutura necessária. Mas, como o nome diz, é a Liga Nacional de Basquete, vale para o Brasil todo e esperamos que as regiões Norte e Nordeste possam participar nos próximos campeonatos”, comentou Chuí, treinador de Araraquara.
“Eu detesto hipocrisia. Quando se cria um campeonato, logo as pessoas sempre questionam a ausência de alguma coisa ou de alguma equipe. A realidade é que poucas equipes do Norte e Nordeste têm a estrutura necessária para participar de um campeonato tão forte e competitivo como este. A minha vontade é que tenhamos times fortes e capacitados de todas as regiões, mas este não é um país muito justo, o Sul é privilegiado em outras coisas, não só no esporte. A minha vontade é que tenhamos times das 27 federações, isso seria o ideal”, foi a palavra de Alberto Bial, técnico do Joinville.
“Primeiro, é preciso olhar para trás. Historicamente, tem sido muito difícil viabilizar a participação dos times dessas regiões, um pouco pela falta de desenvolvimento do basquete lá, infelizmente, e outra por causa da dificuldade geográfica. Mas eu acho que a inclusão de equipes do Norte e do Nordeste virá com o tempo. Nossa prioridade agora era resgastar onde já há uma estrutura, uma base e depois expandir. Também não adianta tentar fazer tudo de uma vez, é preciso dar um passo de cada vez. Mas nós não esquecemos as regiões Norte e Nordeste, isso é um dos assuntos mais importantes para nós”, disse Lula Ferreira, técnico do Brasília.
“Eu acho que o que nós tínhamos que fazer num primeiro momento era exatamente isso que fizemos, ou seja, trabalhar com as equipes existentes e que já têm uma estrutura. Para revitalizar o esporte é preciso fazer um campeonato atraente e de bom nível técnico e, para isso, é preciso um mínimo de estrutura. No primeiro momento, era preciso utilizar as equipes com mais poder financeiro, mas eu acredito que em 2010 já poderemos incluir equipes de outros estados. Inclusive, temos um projeto para que os times do Nordeste e do Norte possam estudar e ver o campeonato com as equipes já existentes para que se estruturem e façam um bom papel quando forem competir”, explicou o técnico do Limeira, Zanon.
“Acho que é importante, seria muito bom para massificar o esporte nessas regiões. Eu acredito que com o crescimento da modalidade, a popularização da Liga e a profissionalização do basquete, tanto o Norte quanto o Nordeste poderão usufruir disso e, consequentemente, participar dos próximos campeonatos. Eu acredito que, a médio prazo, isso será possível. Na minha opinião, os dirigentes também deveriam encontrar uma forma de ajudar os times dessas regiões. Acho que com o sucesso da Liga, uma série de idéias serão colocadas em prática, incluindo essa questão dos times de outros estados”, é opinião de João Marcelo Leite, técnico do Paulistano.
“Eu penso que esse é um trabalho da confederação junto com as federações para massificar o esporte nessas regiões. Uma coisa que nós temos que nos preocupar é com o nível técnico da competição. Eu acredito que, com esse trabalho conjunto entre confederações e federações, possa haver uma Liga B que tenha acesso para a Liga principal para o time campeão. Assim, os times das regiões Norte e Nordeste terão um estímulo para galgar posições e melhorar a estrutura e o nível técnico de suas equipes. É assim que acontece na Argentina e em outros países”, comenta o técnico Hélio Rubens, de Franca.
“Nosso principal problema é o geográfico. O Brasil é diferente dos paízes vizinhos, Argentina e Uruguai. Nós temos dimensões muito grandes, as viagens são longas e custam caro. Isso chega até a desestimular os dirigentes e equipes do Norte e Nordeste, praticamente não há times lá. Tem uma equipe forte na Bahia, o Paysandu no Pará, mas fora isso não há mais times fortes o suficiente. Porém, eu acredito que é muito necessária a inclusão de equipes dessas regiões, mas isso deverá acontecer com a ajuda de patrocinadores, a exposição da modalidade na mídia, pois aí nós teremos equipes fortes e que serão ajudadas para os deslocamentos de um jogo para o outro”, palavra de Marco Antônio Aga, treinador de Assis.
Quando a idéia de criação da Liga Nacional foi anunciada, causou certa polêmica, isso porque foi pensada apenas uma competição estruturada para os homens, deixando as mulheres de lado. Este assunto não deixou de ser abordado nesta segunda-feira na apresentação oficial dos projetos Novo Basquete Brasil e Liga Nacional. Ídolos e técnicos do basquetebol brasileiro falaram com o BasketBrasil sobre o assunto.
Para o auxiliar técnico da Seleção Brasileira adulta masculina, José Neto, a criação de uma Liga Nacional para o basquete feminino depende da evolução deste campeonato que acaba de ser criado: “Eu acredito que com a criação desta nova Liga, o basquetebol como um todo será contagiado. A modalidade tem tudo para crescer, pois o projeto é muito sério. Assim, o basquete feminino poderá se beneficiar disso e ter sua própria liga, nos mesmos moldes, em breve. É preciso um estímulo e a Liga Nacional é exatamente isso”, afirmou Neto.
Mesma opinião tem o técnico de Araraquara, o ex-jogador Chuí: “Eu acredito que a Liga Nacional vai puxar em todos os segmentos. O basquete feminino está incluso, assim como a organização dos árbitros, mesários, entre outras coisas. Nós esperamos que essa Liga dê certo e que possa estimular a criação de um campeonato forte e organizado para as meninas também”.
Já o técnico do Joinville, Alberto Bial, afirmou que este não foi o momento para a criação de duas Ligas (uma para os homens outra para as mulheres), mas também disse que as meninas merecem ter uma liga estruturada e que em breve este sonho poderá ser realizado: “É uma questão difícil. Falando de agora, nós tivemos que privilegiar os homens, os times masculinos têm um pouco mais de estrutura e estão em maior número, então é mais fácil criar um projeto audacioso. Nós precisamos de patrocínio, de apoio, é isto que estamos buscando com essa Liga para aí sim conseguirmos realizar o sonho de ter uma liga gerida pelos clubes também para as mulheres”, concluiu.
Na opinião do técnico Lula Ferreira a criação de uma Liga Nacional para as mulheres é totalmente viável: “Nós pretendemos criar uma Liga Nacional feminina, mas para isso precisamos expandir um pouco mais o basquete aqui no Brasil, mostrá-lo cada vez mais para o grande público. Com isso, novos patrocinadores virão, mais pessoas ficarão interessadas na modalidade e ela irá crescer cada vez mais, abrindo portas para as mulheres também”, finalizou o técnico do Universo/BRB.
O técnico Paulo Chupeta, do atual campeão brasileiro Flamengo, acredita que o apoio da TV será essencial para a criação de uma Liga feminina igualmente organizada como a masculina que está por vir: “Se os clubes mais tradicionais do basquetebol feminino se organizarem e mostrarem um projeto, certamente terão sua Liga. A Rede Globo também poderá ser fundamental nisso, eles estão apoiando esse novo campeonato e podem apoiar o basquetebol feminino também. É tudo uma questão de tempo e preparo”, finalizou o treinador da equipe carioca.
Assim como Chupeta, Hélio Rubens, treinador do Franca, acredita que a união dos principais clubes do basquetebol feminino será fundamental para esse novo passo: “Eu acho que a criação de uma Liga Nacional feminina é viável, depende apenas dos clubes. É só você ver no masculino, os clubes se uniram, perceberam que esse era o único caminho para melhorar a situação do basquete e a CBB foi praticamente obrigada a apoiar a Liga. Isso pode acontecer no feminino também e estamos torcendo por isso”.
Já Marco Antônio Aga não tem a mesma visão de seus colegas de profissão: “O feminino enfrenta uma situação diferente da do masculino. São pouco clubes, é só ver como é difícil se fazer um campeonato nacional feminino, são apenas, sete, oito clubes, no máximo onze. Não há massificação, é realmente difícil. Mas eu torço de coração para que essa Liga dê certo e seja um espelho para o feminino, que os clubes procurem ir atrás de seus direitos e busquem um basquetebol melhor e mais organizado. Eu espero que isso aconteça, já que o basquetebol feminino operou alguns milagres, conseguindo resultados muito expressivos mesmo não tendo apoio. Desse jeito que está hoje não dá, o basquete feminino jogado aqui não está à altura das glórias que ele trouxe para o basquete”, concluiu o técnico do Assis.
O técnico Guerrinha, do Bauru, tocou em ponto importante, o machismo do brasileiro: “Infelizmente, eu ainda acho que o brasileiro é um pouco machista, aliás não é só o brasileiro, mas o mundo inteiro. O público gosta de força, da explosão física e por isso que as modalidades masculinas fazem mais sucesso nos esportes coletivos, como futebol e vôlei. É só ver o exemplo da WNBA, ela tenta repetir o sucesso da NBA, mas não consegue, pois as jogadoras não têm a mesma plástica dos homens. Aqui no Brasil isso também ocorre, o basquete e o futebol feminino trazem resultados apenas pelo talento, mas não por causa do apoio. Eu espero que essa Liga abra a porta para o crescimento do basquetebol feminino aqui no Brasil”.
A apresentação oficial da Liga Nacional de Basquete (LNB) na manhã desta segunda-feira no clube Pinheiros, em São Paulo, reuniu vários ícones do basquetebol brasileiro. O BasketBrasil esteve presente na festa e conversou com alguns dos ilustres convidados, que participarão diretamente da primeira edição do campeonato, com início previsto para janeiro de 2009.
Para Chuí, ex-jogador de Franca e atual técnico do Lupo/Araraquara, a criação de uma Liga gerida pelos clubes era mais que necessária: “É o que vem sendo feito em todo o mundo. Na Espanha, na Argentina, as Ligas são geridas pelos clubes e aqui não deveria ser diferente. Agora, nós faremos o calendário, veremos o que é melhor para todos, os times não serão desmanchados de um ano para o outro, haverá mais continuidade. Enfim, esta Liga tem tudo para revitalizar o esporte aqui no Brasil”, declarou.
Chuí: “Pessoas envolvidas no projeto são sérias”
Chuí também acredita que a Liga dará certo pois as pessoas envolvidas mostram muita seriedade e amor pelo esporte: “É sempre bom quando você vê que as pessoas à frente do negócio e envolvidas com isso são aquelas que amam o basquete e que são sérias. Isso me dá muita confiança e faz com que eu acredite plenamente que tudo dará certo”, completou o treinador do Araraquara.
Opinião semelhante tem o técnico do Winner/Limeira, Zanon: “Essa união de ex-jogadores, clubes e confederação, formando uma liga independente só pode fortalecer o basquete. As pessoas envolvidas neste meio são as melhores possíveis, desprovidas de qualquer vaidade, além de serem muito capacitadas. Eu creio que haverá um resgaste do basquete, mas não só um resgaste momentâneo, mas uma recuperação duradoura. Eu acredito que só com essas pessoas e do jeito que foi criada, o basquete teria uma reviravolta tão forte como terá em breve”, disse Zanon.
Guerrinha: “Basquetebol tem que ser tratado como uma empresa”
Guerrinha, treinador do Bauru, vai mais longe e diz que a criação da Liga Nacional ajudará a profissionalizar o basquete brasileiro, além de contribuir indiretamente com as categorias de base: “Eu me sinto realizado com o que estou presenciando hoje. É muito bom ver ex-companheiros de time, jogadores que treinei, todos reunidos por uma causa: revitalizar o basquetebol brasileiro. Eu acredito que a criação do Novo Basquete Brasil contribuirá não só para o basquete adulto, mas também para a base. O basquete virou uma “empresa” no mundo inteiro, mas aqui no Brasil não, só agora que nós começaremos a tratar o basquete como uma “empresa”. O amor está envolvido, logicamente, mas nós temos que olhar o basquete de maneira diferente, assim como vem acontecendo no mundo inteiro”, analisou Guerrinha.
O experiente treinador do Bauru também acredita que uma mescla entre a cultura americana e a européia é o ideal para o basquete brasileiro cresça mais: “A realidade européia é mais palpável, obviamente. A NBA está em outro patamar, mas nós brasileiros somos mais ligados aos americanos na parte técnica do jogo, preferimos o jogo um-contra-um, usamos mais a habilidade. O que nós precisamos fazer é uma mescla entre as duas culturas. Também precisamos tratar o basquete como uma empresa e é isso que está propondo a LNB”, concluiu Guerrinha.
Lula: “CBB cuidará muito bem das seleções”
O ex-técnico da seleção brasileira e atualmente trabalhando no Universo/BRB (DF), Lula Ferreira, assim como Guerrinha, se diz realizado: “Eu me sinto muito feliz. Pessoas que fizeram a história do basquetebol brasileiro como jogadores, continuam fazendo história hoje, alguns como técnicos, outros como dirigentes. Eu tenho certeza que o campeonato será de altíssimo nível graças às duas coisas que precisavam ser feitas e que estão sendo concretizadas hoje. Primeiro, os clubes têm que estar juntos pela mesma causa e, segundo, a chancela da CBB. Agora, os clubes farão de tudo para fazer o melhor campeonato da história enquanto que a CBB cuidará muito bem das seleções, principalmente as de base”, concluiu Lula.
Bial: “É um dia histórico para o basquetebol brasileiro”
Alberto Bial, técnico do Joinville, era um dos mais entusiasmados na cerimônia: “É um dia de renascimento para o basquetebol brasileiro. Nós estamos unidos por uma causa: revitalizar a modalidade no Brasil e recolocá-la no seu devido lugar, um lugar que ela perdeu nos últimos anos. Eu acho que esse dia, nesta apresentação da Liga, é histórico para o basquetebol brasileiro”, comentou.
João Marcelo: “Criação da Liga motivará a nova geração”
Um dos técnicos da nova geração, João Marcelo, que comanda o Paulistano, tem esperança em um pleno desenvolvimento da Liga Nacional: “É uma esperança para nós, esta Liga nos traz um novo ânimo e, pessoalmente, posso dizer que para essa nova geração, de jogadores e técnicos, uma Liga forte e organizada como essa é um fator de motivação. Isso me dá mais vontade de trabalhar melhor, de me preparar melhor para ajudar o basquete nessa fase difícil. Eu acredito plenamente que a modalidade terá um crescimento nestes próximos anos aqui no Brasil e isso motivará mais os jovens, eles vão querer basquete e isso é muito positivo”, analisou o jovem treinador.
Aga: “A semente foi plantada e dará muitos frutos”
Marco Antônio Aga, técnico do Assis e que trabalha há 24 anos com o basquete, também está esperançoso para que tudo dê certo: “O basquetebol brasileiro estava precisando muito disso há muito tempo. Tudo começou com o Oscar e a criação da Nossa Liga há três anos. Depois fizemos uma Supercopa muito bem organizada e de muita visibilidade, ali ficou claro que a união dos clubes era necessária. O basquete vem passando por crises nestes últimos anos e um dia alguma decisão teria que ser tomada. Felizmente, para nós e para o basquete, os clubes se uniram e uma semente foi plantada. Tenho certeza que ela dará muitos frutos”, completou Aga.
November 16, 2008
O paulista Aluisio Elias Ferreira Xavier, o Lula, é um vitorioso técnico de basquete, principalmente se analisarmos o período que ele esteve no comando do COC. Em Ribeirão Preto, ele conquistou o pentacampeonato paulista e um título de campeão brasileiro. Em entrevista exclusiva ao SPORTmania Lula fala de como começou na modalidade, sua passagem pela seleção brasileira, além de analisar o que representa ter um técnico estrangeiro no comando do basquete brasileiro.
Entrevista publicada originalmente em: http://www.sportmania.com.br/
Fale-nos sobre sua formação, de como começou seu interesse pelo basquete e dos clubes que dirigiu.
“Comecei no basquete jogando na categoria mirim (14 anos) do Palmeiras em 1964. Fui levado pela minha mãe que era professora de Educação Física. Viúva, ela se preocupava com nossa (minha e de meus irmãos) formação. Isto, evidentemente, modificou minha vida, inclusive a profissional. Joguei no Palmeiras de 1964 a 1972, quando entrei na escola de Educação Física da USP e fui jogar na Hebraica e lá comecei minha carreira de técnico (1972) nas escolinhas do clube. Como técnico tive a felicidade de dirigir todas as categorias, desde escolinha até o adulto em 1985. Em 1988 fui convidado a ir dirigir o Palmeiras, onde fiquei até 1992; em 1993 dirigi o sub-22 do Corinthians. Em 1994 voltei ao Palmeiras e fiquei até 2000 quando fui convidado pelo COC/Ribeirão Preto. Dirigi o COC até 2006 quando o Chaim fechou o time. Em 2007 fiquei como técnico exclusivo da seleção brasileira e em janeiro de 2008 iniciei meu trabalho atual no Universo Brasília.
Quais os títulos importantes durante sua carreira em clubes?
“Como técnico de clube as principais conquistas foram:
1988 - campeão da Série A2 com a Hebraica
2001 - vice-campeão brasileiro pelo COC
2003 - campeão brasileiro pelo COC
de 2001 a 2006 - pentacampeão paulista pelo COC
2008 - vice-campeão brasileiro pelo Universo Brasília”
Como foi seu ingresso na seleção brasileira? E as principais conquistas?
“Na seleção brasileira iniciei o trabalho em 1988, por indicação do prof. José Medalha e a convite do técnico Ary Vidal; dirigi inicialmente a categoria juvenil. Em 2000 fui convidado para ser assistente técnico do Hélio Rubens na categoria adulto. Em 2003 fui convidado para ser o técnico principal, ficando até 2007. Neste período os principais títulos foram de campeão sul-americano e pan-americano (2003); campeão da Copa América (2005); campeão sul-americano e campeão pan-americano (2007)”.
O que você pensa do atual momento do basquete brasileiro?
“O basquete brasileiro começou a viver um cenário de muita divergência a partir de 2005, onde as dificuldades financeiras motivaram uma divisão política que representou um grande retrocesso no desenvolvimento da modalidade. Algumas iniciativas foram tomadas, mas nada foi ficando de um ano para o outro. A divisão de forças mostrou que só com união e diálogo poderia ser construído algo sólido para o basquete. Acredito que partir de 2009 com realização da LNB, campeonato nacional com todos os clubes e o aval da CBB, possamos reencontrar o caminho do desenvolvimento.”
O que está faltando para o Brasil voltar a ter um basquete forte em Olimpíadas?
“O esporte brasileiro como um todo sofre muito com a falta de uma política pública adequada para o seu correto desenvolvimento. Isto foi agravado pela divergência dos últimos três anos ocorrida em nossa modalidade, gerando um clima de pessimismo e descrédito.”
Mesmo sendo reconhecidamente um dos melhores técnicos do Brasil, você acabou não conquistando os resultados almejados. Você atribui isso a algum fator em especial?
“Com relação à seleção brasileira todo trabalho realizado passou a ser julgado exclusivamente em conquistar o direito de participar de uma Olimpíada. No cenário atual do basquete mundial, a classificação de apenas 12 países para a Olimpíada claramente deixa de fora grandes forças da modalidade que conta com 16 a 18 seleções de alto nível em todo mundo. Outros países de altíssima tradição no basquete também têm ficado de fora dos Jogos Olímpicos. Um fator que ajudaria muito a esclarecer a opinião pública é o formato de classificação olímpica, que muita gente da própria modalidade não sabe como se realiza. O fator da não classificação do Brasil é o fato de ter muitos países fortes e o Brasil é um deles, para poucas vagas.”
O basquete masculino está sendo comandado por um técnico espanhol. Você acha que isso será benéfico?
“O fato de um técnico estrangeiro estar no comando atual da nossa seleção demonstra de um lado a necessidade dos técnicos brasileiros se unirem e apoiarem um colega, ao invés da voracidade e selvageria na luta pelo cargo, e de outro a oportunidade de um intercâmbio com países que já percorreram o caminho do desenvolvimento interno e por conseqüência o resultado internacional.”
Para encerrar, que mensagem você mandaria para a comunidade do basquete?
“Como mensagem eu diria que o basquete está necessitando de ações concretas e não de declarações auto-elogiáveis. A modalidade está precisando de pessoas que façam mais e falem menos…”
Carlos Fernando Rego Monteiro nasceu no Rio de Janeiro e é Editor do SPORTmania. Formado em Jornalismo, Engenharia e Análise de Sistemas, acompanha variadas modalidades esportivas desde a infância, já tendo escrito três livros: dois sobre automobilismo (Almanaque do Automobilismo e Rápidas Palavras) e um sobre basquete (Morada de Gigantes - Histórias de Araraquara e do Basquetebol da Uniara).
June 1, 2008
Depois de duas partidas da série melhor de cinco do Nacional de basquete, o Flamengo abriu 2 a 0 de vantagem sobre o Brasília e agora está muito próximo de conquistar o título do torneio, inédito para o clube. Jogando diante de sua torcida, a equipe não enfrentou muita dificuldade para derrotar os visitantes e agora só precisa de uma vitória em uma, das duas partidas a serem realizadas na Capital Federal.
O técnico Lula Ferreira, comandante do Brasília, criticou muito o modo como o seu time se comportou em quadra nos jogos realziados no Maracanãzinho e espera que, em casa, seus jogadores possam reagir e mudar o panorama desta final.
“Agora estamos com a corda no pescoço e vamos jogar como um condenado à morte. Mas temos que ganhar o jogo. Se ganharmos na terça-feira, tudo muda”, disse o ex-técnico da Seleção Brasileira.
Estevam, destaque do Brasília e um dos jogadores que lideraram a tardia tentativa de reação do time, foi taxativo ao dizer qual o segredo para sua equipe reverter o desfavorável placar na série final.
“A matemática é muito simples. Temos mais três jogos para vencer. Precisamos melhorar nossos rebotes defensivos e ter mais paciência com nossos arremessos”, disse o atleta.
Mesmo com uma vantagem confortável conquistada no Rio de Janeiro e com a garantia de, em caso de empate do playoff, decidir em casa, o Flamengo não quer ir a Brasília apenas para administrar o resultado. A equipe está focada no título e não quer dar espaço para a reação do Brasília.
“Agora, em Brasília, temos que manter o foco porque eles têm a responsabilidade de ganhar a terceira partida. Nosso time quer fechar a série na terça-feira. Este é um grupo vencedor”, declarou Paulo Chupeta, técnico da equipe rubro-negra.
(Rodrigo Alves, pro GloboEsporte.com)
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