Com a presença ilustre do ídolo Diego Armando Maradona, a Argentina encerrou sua participação na primeira fase do torneio olímpico masculino de basquete em grande estilo, vencendo a Rússia por 91 a 79 (45 a 39 no intervalo). O triunfo proporcionou a Argentina classificar-se na segunda colocação do grupo A, o time hermano não superou a Lituânia no saldo de cestas e agora enfrentará a Grécia nas quartas-de-final. Já para a Rússia, que venceu apenas o fraco Irã, o sentimento é de fracasso, a equipe atual campeã européia se despede de Pequim na penúltima posição do grupo e com uma das piores campanhas de sua história.
O nome do jogo foi o ala-pivô argentino Luis Scola. O atleta, que joga no Houston Rockets, conseguiu a maior pontuação de um jogador nestas Olimpíadas. Ele fez cestas de todos os jeitos e terminou com incríveis 37 pontos, além de oito rebotes e dois tocos, consolidando a participação mais dominante de um jogador nestas Olimpíadas. Outro que brilhou foi o armador Pablo Prigioni, que conectou 11 tentos e distribuiu 10 passes perfeitos. O ala Andres Nocioni conectou 14 de seus 19 pontos no primeiro tempo e também foi importante para consolidar a vitória. Diante de tanto brilhantismo, o astro maior do basquetebol argentino, Emanuel Ginóbili, nem precisou jogar tudo o que sabe. Em 22 minutos, o ala-armador fez 12 pontos e deu quatro assistências.
Maradona torcendo pelo time argentino.
Pela Rússia o destaque foi o ala Andrei Kirilenko. A estrela do esquadrão russo encerrou sua participação nas Olimpíadas com um bom jogo, 23 pontos, nove rebotes e três passes precisos. O armador J.R. Holden também se destacou ao conectar 19 tentos e dar cinco assistências, mas foi só. Os outros jogadores não produziram e a Rússia volta pra casa de maneira melancólica.
O duelo entre a eliminada Rússia e a Argentina começou equilibrado. A equipe da estrela Andrei Kirilenko teve um início um pouco melhor e assumiu a ponta durante os primeiros três minutos. Entretanto, a liderança dos russos só durou três minutos mesmo, isso porque a partir daí a Argentina passou a comandar o duelo e não demorou a tomar a dianteira. O lance que mexeu no placar foi protagonizado pelo ala Andres Nocioni, que conseguiu uma incrível jogada de quatro pontos e colocou os hermanos na ponta, 8 a 6. Logo após, o astro Emanuel Ginóbili converteu uma infiltração e aumentou a distância para quatro tentos, 10 a 6.
Scola aniquilou qualquer chance de vitória russa com sua atuação dominante.
A seleção atual campeã européia até esboçou uma pequena reação, empatando a peleja, mas os argentinos não vacilaram e voltaram a abrir uma vantagem confortável. A diferença a favor dos atuais campeões olímpicos chegou a oito pontos, 22 a 14, após um arremesso perfeito do ala Andres Nocioni, que aproveitou um passe preciso de Pablo Prigioni, isso tudo com 1min50seg para o fim do primeiro período. Nos instantes finais da parcial, a seleção argentina continuou controlando bem o jogo e aumentou a diferença para onze tentos ao término dos primeiros 10min de embate, 27 a 16.
O segundo quarto começou repetindo exatamente o que aconteceu no primeiro. A equipe portenha continuou aproveitando as bolas de fora, principalmente com Andres Nocioni, que estava com a mão calibrada e já somava 14 pontos com apenas 13min jogados. O ala Aleksey Savrasenko e o ala-armador Sergey Bykov combinaram cinco pontos sem resposta da Argentina e diminuíram um pouco o prejuízo, 23 a 32, forçando o técnico Sergio Hernandez a pedir tempo. Diante da fraca defesa de uma desmotivada Rússia, a Argentina não teve a mínima dificuldade para voltar a abrir uma liderança confortável. O armador Pablo Prigioni conectou um tiro livre de 3 pontos e a distância foi para 13 pontos, 37 a 24.
Ginóbili foi poupado e jogou pouco nesta segunda.
A Argentina, porém, relaxou ao ver a abatida Rússia, que não tinha mais chance de classificação, e a equipe européia aproveitou para reagir com infiltrações precisas do armador J.R. Holden, que é norte-americano naturalizado russo. Uma bandeja certeira do baixinho escolta cortou a distância para apenas cinco pontos, 34 a 39. Luis Scola respondeu para os portenhos, mas a Rússia teve a tréplica com um gancho certeiro Andrey Vorotsevich. O time do técnico americano David Blatt empolgou a torcida chinesa com um arremesso de 3 perfeito do ala Andrei Kirilenko. A Argentina ainda teve tempo de respirar um pouquinho com um chute certeiro do ala-pivô Luis Scola e outro do armador Pablo Prigioni, encerrando o primeiro tempo em 45 a 39, para alegria do ilustre Diego Maradona.
A Rússia voltou animada para o segundo tempo após protagonizar uma bela reação no fim do primeiro. Entretanto, a equipe russa só permaneceu animada durante alguns minutos, isso porque a seleção do técnico Sergio Hernandez voltou a jogar seu melhor basquetebol e, liderada por Andres Nocioni, voltou a abrir uma boa distância. A diferença chegou a ser de 16 pontos após um arremesso preciso de Luis Scola, 61 a 45, com 6min para o fim do terceiro quarto. O pior para os russos é que os hermanos não dominavam só ofensivamente, mas defensivamente também. A mostra desse domínio foi um toco sensacional de Luis Scola em Andrei Kirilenko.
Assim como nos dois períodos anteriores, o time sul-americano cochilou e a Rússia aproveitou para encostar, a diferença chegou a ser cortada para sete tentos após um chute de 3 preciso de Andrey Vorontsevich, 62 a 69 para os hermanos. O time europeu ainda deu show nos segundos finais com uma ponte-áerea entre J.R. Holden e Andrei Kirilenko. No lance seguinte o ala Zakhar Pashutin tentou um arremesso do meio da quadra, no estouro do cronômetro, e quase converteu sua tentativa, mas a Argentina que foi para o último período com oito tentos de frente, 72 a 64.
J.R. Holden tenta furar bloqueio argentino. Armador foi um dos poucos destaques russos no torneio.
A grande torcida russa vibrou no início de último quarto com uma série de seis pontos da Rússia sem resposta da seleção portenha. O êxtase foi com um bola de 3 certeira de Kirilenko. Logo após uma bola encestada por Scola, o ala Aleksey Savrasenko acertou uma bola debaixo da tabela e diminuiu a diferença para três tentos, 70 a 73. Entretanto, a reação não parou por aí, a Rússia diminuiu ainda mais após uma falta anti-desportiva sofrida por Kirilenko, ele converteu os dois arremessos livres e a diferença caiu para um ponto, 72 a 73, com 8min para o fim. Neste momento difícil para os hermanos, quem manteve a Argentina na ponta foi o ala-pivô Luis Scola. O atleta do Houston Rockets mostrou que estava em uma noite inspiradíssima, comandando a ofensiva portenha.
Mas ao que parece o fôlego russo acabou antes do tempo, Emanuel Ginóbili e Luis Scola deitaram e rolaram durante dois minutos de “pane” russa e a Argentina reabriu a diferença na casa dos dez pontos. Porém, como toda pane, uma hora ela cessa e isso, de fato, aconteceu. O armador J.R. Holden protagonizou belas jogadas para os russos, mas o ala-pivô Luis Scola continuava dando um show. O atleta da NBA fez uma jogada importantíssima a 55seg do fim, o que praticamente selou a quarta vitória dos hermanos na primeira fase e o quarto revés russo nas Olimpíadas de Pequim.
FICHA TÉCNICA
ARGENTINA (27 + 18 + 27 + 19 = 91)
Pablo Prigioni (11pts e 10asts), Manú Ginóbili (12), Andrés Nocioni (19 pts e 9 rebs), Luis Scola (37 pts e 8 rebs) e Roman Gonzalez (4). Entraram depois: Carlos Delfino (3), Paolo Quinteros (0), Pedro Gutiérrez (5), Leonardo Gutiérrez (0), Antonio Porta (0) e Guillermo Kammerichs (2). Técnico: Sergio Hernandez
RÚSSIA (16 + 23 + 25 + 15 = 79)
JR Holden (19pts e 5asts), Victor Keyru (2), Andrei Vorotsevich (10), Andrei Kirilenko (23 pts, 9 rebs) e Alexey Savrasenko (6). Entraram depois: Viktor Khryapa (0), Vitaly Fridzon (0), Zakhar Pashutin (1), Sergey Bykov (10), Sergey Monya (4 pts e 6 rebs) e Nikita Morgunov (2). Técnico: David Blatt.